<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087</id><updated>2012-02-11T05:06:23.227-08:00</updated><title type='text'>Poupador de Porra</title><subtitle type='html'>Blog esculhambado. Interessado em causos e relatos do cotidiano ordinário em que vivemos. Crônicas que nem de longe lembram a delícia que é ler um Rubem Braga, um José Carlos Oliveira, um Paulo Mendes Campos e tantos outros que seria enfadonho ficar citando. Gostaria de salientar que tudo é ficção. Não se trata de autobiografia e o narrador só existe na cabeça fantasiosa e fantasista do poupadordeporra que, por sua vez, é delírio puro do autor. E viva os clássicos!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>133</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-673070001222756639</id><published>2011-12-19T14:07:00.001-08:00</published><updated>2011-12-19T14:07:16.932-08:00</updated><title type='text'>A Yorkshire e a Enfermeira.</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Houve uma coisa que fez tremer a sociedade, mais do que os movimentos populares; o assassinato da cachorrinha de Formosa. Para mim foi curioso perceber a fúria da horda quando as imagens em movimento despertaram ao clarão desse veículo pós-moderno; era o ápice da indignação mostrando seus caninos afiados, como uma reação extemporânea do animal em questão.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Não falo do enforcamento, ordenado pela barbárie dos julgamentos precipitados. Aquilo que foi dito na rede e nos veículos de comunicação a respeito da condenação trouxe naturalmente a cor alegre que isso tipo de reação empresta a todos os assuntos onde a turba ensandecida se esquece de sua razão. Eu, se fosse autoridade de Pindorama, também condenaria a enfermeira, não por ser uma louca, mas por ser enfermeira. Execraram a mulher, e não há de ser a simples notícia de uma abominação que fará com que percamos o sono nem o apetite. A simples descrição dos fatos não seria suficiente para arrepiar os pelos, as metáforas não descrevem nada, as figuras de linguagem nada revelam, mas as patas trêmulas da yorkshire foi o espetáculo de que necessitávamos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Quanto ao crime que levou a enfermeira goiana ao cadafalso social, não é o que mais me abate e entristece. Dizem que impingiu enormes danos ao caráter de sua filha, testemunha ocular da história. Compreendo que a matassem por isso. É um crime hediondo, naturalmente; mas há outros tão ou mais repulsivos.  Ademais, pode ser que a enfermeira quisesse explicar à sociedade como a memória inicial era fugidia, cientificamente falando. Pegou de um pequeno exemplar canídeo e o abateu. Os espectadores, sem saber a diferença entre o experimentalismo científico e o vulgar, pediram explicações; a enfermeira pegou outro exemplar e repetiu o experimento. Os  nativos, não tendo a fineza intelectual de um Schopenhauer, continuaram sem entender patavina, e a enfermeira continuou matando os dóceis cachorrinhos. É o que em pedagogia se chama lição das cousas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Desta maneira, com uma substancial ajuda do bruxo do Cosme Velho, acabou uma semana tristíssima para a música, para o teatro e para o carnaval, mas para a sanha de redenção de uma sociedade podre com enorme alegria, pois mais um símbolo foi eleito para expiar sua culpa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-673070001222756639?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/673070001222756639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=673070001222756639' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/673070001222756639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/673070001222756639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2011/12/yorkshire-e-enfermeira.html' title='A Yorkshire e a Enfermeira.'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-3635784909264038839</id><published>2011-10-12T11:25:00.001-07:00</published><updated>2011-10-12T11:25:18.244-07:00</updated><title type='text'>Estátuas</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p style='text-align: right; margin-left: 35pt'&gt;Fez um grande esforço para manter o olhar sobre a estátua. Tinha pavor dos seres humanos: pareciam-lhe imprevisíveis, sobretudo, perversos e sujos. As estátuas, no entanto, lhe proporcionavam uma tranqüila felicidade, pertenciam a um mundo ordenado, belo e limpo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: right; margin-left: 35pt'&gt;Ernesto Sabato In "Sobre Héroes y tumbas".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Meu sorriso amarelecido e podre é duro e sarcástico. Nos poucos dentes restantes há uma mescla de temor e esperança, cujo tenebroso brilho de meus olhos não consegue esconder.  Todo meu rosto cobre-se de rugas senis, funéreas e tudo em mim não passa de um mero vulto lastimável. Não pense minha única leitora que com isso imploro um sentimento de compaixão, dor e comiseração, ou até mesmo uma afeição áspera, desagradável, de constrangimento. A tristeza, a tepidez e a disposição enternecida, suscitam um embaraço parecido com a vergonha. Tampouco se admire meu caro e escasso leitor que eu não possua o dom da palavra e muito menos uma intuição sutil e magnífica. Sou comum, prosaico e desinteressante. Meu rosto embotado, indiferente e ao mesmo tempo insolente é a prova cabal do que digo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Bem sei que com isto estou levantando tantas impressões que aonde sua curiosidade juvenil espera encontrar o tédio, a solidão e a apatia, irás entrever apenas um presente que nos impregna e nos perturba. As pessoas sofrem, enraivecidas pelo trabalho e pela miséria, mas a mim essas coisas nada dizem. Só me restam frases soltas. As lembranças de uma expressão, de uma carícia não passam de réstias em minha memória, e se algo permaneceu, talvez pelo inusitado da situação, foi tão somente a simples idéia – com acento -, a singela possibilidade de que eu não esteja em desacordo com os ditames preconizados pelo silêncio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Naturalmente, posto que sou o que se poderia chamar de escória da sociedade, é lógico supor que alguma vez pude sentir algo por alguém. Mas o fato é que o ser humano sempre me deprimiu. Devo dizer que este problema, que poderíamos chamar de síntese ética do homem, foi um dos que mais me ocupou, sendo mesmo uma obsessão. Os enigmas eram vários e os mesmos e sempre que minhas buscas se iludiam com a possibilidade de um caminho me via mais perdido que cego em tiroteio. Posto isso, fecho essa narrativa sem pé nem cabeça. Afinal, não passo de mais um representante da espécie.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-3635784909264038839?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/3635784909264038839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=3635784909264038839' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3635784909264038839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3635784909264038839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2011/10/estatuas.html' title='Estátuas'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-2336802291082042860</id><published>2011-09-09T12:15:00.001-07:00</published><updated>2011-09-09T12:15:26.640-07:00</updated><title type='text'>Serafim</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Serafim, poeta teimoso, fascinante, e, contudo, muito frágil, jamais acreditou que tivesse bossa para a escrita. Ao contrário da maioria dos autores, atribuía todos os méritos aos seus escritores-fantasmas. Tratava-se de uma criatura estranha, obsessiva e obstinada no que diz respeito a si próprio, tão obcecado por seu brilho pessoal que diuturnamente um sentimento de culpa o mordiscava por todos os lados. Este parecia viver em alguma parte, na obscuridade de seu subconsciente; bastaria acender uma luz e lá estaria ele, apanhado em algum gesto peculiar. Ele, o sentimento de culpa, sentia o triste alívio de alguém que compreende que havia um amor que já não o feria. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Já Serafim, é certo tipo de artista que personifica os mais lamentáveis defeitos: é meditativo e, no entanto, cego em relação a si próprio; original, porém horrivelmente familiar; bebe demais e está sempre procurando alguém que o aconselhe, embora não esteja disposto a segui-lo. E foi a busca pela personagem autêntica que deu início a essa discussão amigável entre seu sentimento de culpa e as personagens. Às vezes ficava assustado diante da maneira pela qual as personagens tomavam forma no escuro, sem o seu conhecimento. Outras vezes combinava o tom perfeito dos gestos com o mais afinado dos sentimentos. Esse momento, quando tudo dava certo, era para ele uma satisfação e não se sentia o peso do desperdício que quase sempre é sinônimo de mau gosto.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Os outros riam desabaladamente, achando que era safadeza da cabeça dele e que nenhuma personagem precisava de autor para dar frutos. Bandeei para o lado dele, mas, sempre muito falastrão na hora de defendê-lo, calei-me pasmo da minha profunda ignorância. Ele era o único que tinha certezas absolutas, eu era incapaz de perceber quais personagens eram impecáveis. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Hoje em dia, é preciso que tenhamos cuidado até mesmo com os nossos passatempos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-2336802291082042860?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/2336802291082042860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=2336802291082042860' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2336802291082042860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2336802291082042860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2011/09/serafim.html' title='Serafim'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-4039757025192217909</id><published>2011-07-05T15:09:00.001-07:00</published><updated>2011-07-05T15:09:51.314-07:00</updated><title type='text'>Cidade Silente.</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;O silêncio se apoderava da cidade, mas não era a quietude das noites estreladas dos trópicos, não se tratava do doce sossego de uma sinfonia cuja primeira estante comportava grilos, ao fundo a precisão percussiva dos sapos e o suave cântico da coruja em um mavioso contraponto. Era o mutismo impregnado de ruídos. Estertores macabros turvando a morada tranqüila – com trema – de mentes obtusas. O segredo que agora tomava conta da cidade era uma mudez de mordaça, camurça pusilânime e passiva.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Não me recordo ao certo como começou. Mas uma névoa densa deixa entrever, no início de tudo, a necessidade da felicidade, revelava de maneira sutil o advento da gentileza fácil e fútil. Depois as piadas foram se calando, sobretudo as que se referiam aos supostos homens de bem. Questionamentos foram sendo delicadamente, via jurisdição da ordem, trancafiados na solene expressão do desprezo, da mesma maneira que o sorriso fácil e a elegância da polêmica foram sendo escanteados sem direito à um levantamento de bola para a área.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;A cidade silente me lembrava tempos tenebrosos, mesmo aos meus olhos de criança. Só que dessa vez veio transmutada em consensos diversos. Me pego perguntando se certo dramaturgo e sua objetividade dos idiotas, não teria tido o vaticínio temporão de um profeta... O mais assustador é perceber que a total falta de som se harmoniza com o estardalhaço da comunicação. Nunca se falou tanto e nunca fomos tão surdos. Em nenhum momento da história humana se escutou tanto e tão pouco se conversa. Blocos sonoros superpostos bloqueiam a visão e aparam a língua. Esse é o tempo que me cabe. E parafraseando um velho mestre: tempo de homens calados.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Não me queixo. Afinal o que seria de mim sem um miojo no armário? Poderia sobreviver sem o sorriso branco que só Colgate dá? Teria eu condições de passar sem a dose diária de sabedoria do livro traduzido para milhares de idiomas? Seria ao menos capaz de existir sem asas? Estaria apto a dirigir meu belo Ford completo sem ao menos ter experimentado o suave sabor? Esse é o tempo que me cabe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-4039757025192217909?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/4039757025192217909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=4039757025192217909' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4039757025192217909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4039757025192217909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2011/07/cidade-silente.html' title='Cidade Silente.'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-7505710500620615485</id><published>2010-10-08T16:27:00.001-07:00</published><updated>2010-10-08T16:27:06.241-07:00</updated><title type='text'>A Seca.</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;No início da primavera, quando todos ansiavam por chuva, houve dias pesados. Sobre a terra, em um céu cinzento e nebuloso, estendia-se um silêncio implacavelmente tórrido. Por toda parte ardiam as queimadas do cerrado. De vez em quando um vento quente e seco, uivando e silvando feroz, arrancava as últimas folhas das árvores calcinadas e aos ipês arrebatava uma flor de seus galhos ressequidos; levantava nuvens de poeira, lançava-as no horizonte com a fumaça e refugiava-se na savana tupiniquim onde atiçava incêndios.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Quando levantei meus olhos tristes ao céu nublado, as pessoas em volta de mim imitaram-me, olhando com o mesmo ar suplicante o sol, descorado pela neblina, e acreditando talvez que eu divisava no firmamento alguém que me conhecia e me escutava. O silêncio que pairava sobre a cidade era ensurdecedor. Depois de mirar por alguns instantes o sol, semelhante a uma gota de gordura em água turva, encaminhei-me para debaixo do bloco. Perto, vários abanavam o corpo, à sombra cálida das árvores cobertas de pó. O ar tépido estava cheio de odores fúnebres e nada poderia apaziguar a fadiga que se apoderava dos moradores.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Quando, por instantes, consegui quebrar o aperto de minha garganta, graças a uma bela dose de água de coco, senti-me de novo envolto em espessa névoa de censura para com a natureza e de descontentamento para comigo mesmo. Olhava de soslaio, por assim dizer, o crescimento de uma impressão fora do vulgar, e que não fosse inevitável como o calor, a chuva. Depois de ter enchido o cerrado, a seca extinguiu-se rapidamente, dando lugar a um valente aguaceiro, cujos milhões de pesadas gotas tamborilavam nos galhos. Chapinhava os rostos, os corpos, a terra, enchendo a escuridão com seu frescor. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Eu achava-me timidamente sentado, como em um sonho, embaixo de um pequizeiro, na penumbra acolhedora de uma morada. Em meu semblante pálido brilhavam lindos olhos verdes. Sem me queixar, ao contrário, com muita euforia, contei aos demais a morte recente de um tamanduá e expliquei que desejava narrar mais essa potoca no poupadordeporra para ir instalar-me no litoral e abrir um restaurante. Fui.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-7505710500620615485?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/7505710500620615485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=7505710500620615485' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7505710500620615485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7505710500620615485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2010/10/seca.html' title='A Seca.'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-1297120826221425474</id><published>2010-09-24T17:53:00.001-07:00</published><updated>2010-09-24T17:53:18.147-07:00</updated><title type='text'>Pinico de Ouro</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;A minha mão inábil sempre quer dizer coisas inteligentes e não consegue; e eu sempre as transcrevo aqui, na suposição de que sua ignorância passe despercebida. No presente momento o país é assolado por uma fetidez que me causa engulhos. Porque, convenhamos, há pulhas em demasia. A mentira, o engodo e a hipocrisia reinam e os homens continuam os mesmos boçais, vociferam os mesmos miasmas e dizem amar as massas. Os intelectuais, os grandes escritores, os artistas mentem. Todo dia, ao ligar a televisão, vejo pessoas ensandecidas se esgoelando totalmente histéricas diante de políticos patetas, e só se ouve a gritaria, a cólera de atoleimados.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Daqui a nove dias é o dia 3 de outubro, data oficial para as eleições em terras de Pindorama, e nada me leva a crer que possamos mudar nossa situação caótica, miserável, assustadoramente vil. Menos aqueles que todo mundo sabe: Sarney, Temer, Serra, Dilma, Roriz, banqueiros, empresários corruptores, imprensa vendida, deputados com verbas astronômicas para tratar das hemorróidas – as minhas vivem à custa do INSS.  Ainda por cima somos assaltados por sábios argumentos demonstrando o novo, a sagacidade do detalhe inédito, inexplorado, um ponto de vista que escapou aos grandes mestres.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;E nossa mentecapta inteligência nacional, como já observado no início do século vinte por certo cachaceiro inválido, não admite que tratem de política senão os cientistas políticos; e de altas idéias os baluartes da raça; quando, em verdade, nem uns nem outros se preocupam com tais coisas. Apenas o convescote da partição do butim ocupa as mentes desses dementes. Na verdade incorro em um erro grave. Parvos somos nós que em nome da democracia os colocamos para arbitrarem a educação de nossos filhos, como a mais absurda lei sancionada nesse país recentemente. O Estado, que era para ser quase invisível, se imiscuiu de tal forma na vida dos indivíduos que já não passamos de marionetes nas mãos medíocres dos BBBs de plantão.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Mais não falo, pois minha ânsia de vômito é enorme e preciso urgentemente do meu pinico de barro. Já o deles é de ouro maciço.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-1297120826221425474?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/1297120826221425474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=1297120826221425474' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1297120826221425474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1297120826221425474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2010/09/pinico-de-ouro.html' title='Pinico de Ouro'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-8266554458170109559</id><published>2010-07-23T03:29:00.001-07:00</published><updated>2010-07-23T03:29:58.925-07:00</updated><title type='text'>Vale o que está escrito</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana'&gt;Depois de longo e tenebroso inverno, voltei. Fiquei até tentado a seguir os ditames da canção do "rei" e dizer que aqui é meu lugar. Na verdade, não sendo mais que uma miragem, só existo na mente corroída pelo álcool desse que se diz narrador. Ser na ficção de outro fantasma demonstra apenas o desatino de se ter um pretenso lugar. Seria o mesmo que tecer um labirinto onde a saída seria mera ilusão. Não vá imaginar, meu caríssimo leitor, que, em vez de cumprir minha obrigação, ou seja, escrever, estava a vagar, divagando para me livrar das dificuldades da escrita. O tortuoso caminho da metafísica não me foi destinado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana'&gt;Antes de ir mais longe, gostaria de deixar claro, sem concessões para dúvidas, que não desejo, como, aliás, nunca almejei, navegar em altas rodas da imaginação. E por que haveria eu de meter o bedelho em searas desconhecidas? Afinal, o conhecido não é o porto seguro de todo marinheiro de terra?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana'&gt;Na verdade é aquela sensação de solidão e abandono do jovem Törless. Aquela nítida percepção de que quanto mais me conheço, mais estranho e incompreensível me pareço. E a melhor maneira para isso é se sentir singular em mundos aparentemente distintos. Então voltar é mera figura embaçada, nada mais que pretexto para uma ida, sem volta, ao início. Bem sei que o solo é hostil e tudo não passa de reles figuras retóricas. Mas é preciso partir, vagar ao acaso. Como um indigente histrião perambular do prólogo ao ocaso. Eis a sina da mão inquieta. Tecer a urdidura mais pura, montar o paradoxo mais duro, eis ao que se resume o relato. E como no jogo do bicho, vale o que está escrito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-8266554458170109559?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/8266554458170109559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=8266554458170109559' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8266554458170109559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8266554458170109559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2010/07/vale-o-que-esta-escrito.html' title='Vale o que está escrito'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-6473666128456283098</id><published>2010-05-17T06:52:00.001-07:00</published><updated>2010-05-17T06:52:55.783-07:00</updated><title type='text'>Tamanduá</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Eu voltava para casa, anos atrás, através dos amplos espaços das quadras. Era bem no meio da seca. O capim esturricado e o ipê florido se moviam com estudada lentidão. Nessa época do ano há um colorido todo especial se misturando com a poeira e a fumaça das queimadas. O amarelo felpudo, tal como uma abertura de cena, descortinava um azul intenso ao sol. Observar o entardecer róseo azulado nos meses de maio e junho, era perceber a fauna invadindo o tempo suspenso no horizonte do cerrado. As árvores, em contraste, têm a copa ressequida, folhas duras, o tronco vigorosamente rugoso e cascudo. Contudo, se retorciam como bailarinas flutuando no horizonte da savana tupiniquim. Ontem, hoje de novo, amanhã outra vez, na verdade todos os dias não passam de prelúdio para ver o brilho metálico da lua refletida no lago. Longe, sempre lá, na lonjura.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;O caminho para casa me obrigava a passar em um grande campo, mais de quatro quadras, ainda sem blocos e com a vegetação nativa intacta. Eu caminhava ao léu, pelo caminho poeirento. A terra virgem era vasta; de ambos os lados e na frente, planalto ermo, via-se toda sorte de vida, ainda imaculada. O dia estava muito claro, de modo que em todo arrabalde se vislumbrava perfeitamente todo ritmo do final de tarde. Na minha frente, à direita, via-se um filhote de tamanduá-mirim. Chegando mais perto, pude ver uma carcaça, cópia perfeita da cria cuja dança tresloucada denunciava o parentesco maternal.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;O cadáver do animal estava com um profundo corte em sua cabeça afilada. Uma das patas fora cortada, e o resto de um formigueiro aparecia como lápide de um macabro ritual. A criatura assassinada revelou-me um estado de ânimo causado pelo cansaço. E essa fadiga devia-se ao fato de que, tendo estado na véspera em Itiquira, e passeando então nas trilhas, adornadas por uma infinidade de animais, por entre as milhares de árvores, encontrara mais de um tamanduá, que, na sua luta diária, despertara em mim uma curiosidade incomum.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- &lt;em&gt;Il y a quelqu'un&lt;/em&gt; – disse eu, gritando no deserto.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Quando, nesse dia, voltei para casa e me deitei em minha cama macia e larga, da qual me orgulhava, e me cobri com a coberta, levei muito tempo para conciliar o sono. Lembrava ora a expressão assustada do filhote, ora os restos da mãe. Não me vinha à mente a idéia, com acento, de que a morte de animais era o preço cobrado pela cidade que nascia. Eu estava em casa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-6473666128456283098?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/6473666128456283098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=6473666128456283098' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6473666128456283098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6473666128456283098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2010/05/tamandua.html' title='Tamanduá'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-444320858580488325</id><published>2010-01-26T15:02:00.001-08:00</published><updated>2010-01-26T15:02:12.901-08:00</updated><title type='text'>Caso de Polícia I</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Em razão de um medo atroz e uma coragem enfurecida, matei os três e não me lembro de mais nada. Os olhos de um deles em minhas mãos me trouxeram à realidade e não pude crer no que via ao meu redor. O destino, contudo, reteve seus passos e no silêncio da noite ouvi bem longe as sirenes soarem. A dúvida: me mandava ou esperava e teria uma encheção de saco do caralho para explicar que focinho de porco não é tomada, que foi legítima defesa e essas baboseiras. Me mandei.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Mal dormi. Fiquei a noite inteira procurando notícias. Até que finalmente ela apareceu com os primeiros jornais impressos. Em um box pequeno, à esquerda, dava o acontecido e a evasão do suspeito. Me chamou a atenção a omissão do texto sobre o fato de um deles estar sem os olhos. Acho até que os canas usaram para o trafico e abafaram. Os caras eram rodados nas manhas da bandidagem. Ninguém daria falta dos meliantes. Mas isto não foi motivo para eu me apaziguar, muito pelo contrário. Algo me dizia que era a trama de minha ruína. O destino, contudo, reteve em suas mãos a sorte que eu carecia e o golpe passou longe.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;É bem verdade nunca pude confiar em meus pressentimentos. Sempre se dava exatamente o contrário. Eu, de minha parte, receei por mim e confesso que fiquei confuso. Os meganhas podiam achar que era acerto de contas e vir atrás de mim. Passei a andar pelas ruas com a atenção redobrada, mesmo ela já sendo extremamente alerta. Só para lembrar meus tempos de escoteiro. Não podia ver uma viatura que já mudava meu rumo. Usava o fato de não dirigir para me misturar, estar sempre em aglomerados humanos para que a rota de fuga, em caso de estar sendo seguido, fosse do tipo questão múltipla escolha.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Mas os meses se passaram e nada mudou. O assunto, como era de se esperar, morreu e foi enterrado em alguma gaveta. Após dois anos, pensando eu ter esquecido, alguém toca o interfone e o porteiro me avisa que era a polícia e que queria falar comigo. Desnecessário dizer que estremeci nas bases. Um turbilhão de imagens passou em minha mente, tudo rodou e nem sei direito o que disse ao porteiro. Tremendo mais que vara verde, vermelho que nem pimentão, abri a porta para os homens da lei. Mas isso fica para a próxima. Fui.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-444320858580488325?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/444320858580488325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=444320858580488325' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/444320858580488325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/444320858580488325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2010/01/caso-de-policia-i.html' title='Caso de Polícia I'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-3704621417908055371</id><published>2010-01-20T03:03:00.001-08:00</published><updated>2010-01-20T03:03:47.305-08:00</updated><title type='text'>Estilete</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p style='text-align: right; margin-left: 65pt'&gt;&lt;span style='font-family:Verdana'&gt;&lt;em&gt;"Se alguém deseja realizar a arte com seriedade/ e aplica sua mente a causas importantes,/ primeiro, com o maior rigor, habitue-se à moderação".&lt;/em&gt; Petrônio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;O dia chegou, isto é, a tão esperada data de sua primeira individual. Entretanto, estava angustiada, sentia uma ferida a consumindo e não sabia ao menos o que a afligia. Afinal, não era esse o momento tão sonhado, aguardado como se fosse o instante supremo? Durante algum tempo, ainda se vestindo, ficou olhando o espelho e vendo surgir uma lápide com um mármore de um branco indescritível lembrando um antigo quadro seu. Seria demorado relembrar cada detalhe e agradeço, de antemão, a generosidade e a condescendência de meu caro e único leitor, em relevar esse desvio de percurso da narrativa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Se a escrita não está agradando, o escriba se vê na obrigação de trocar? Graças aos deuses, eu não sou bardo nenhum ou coisa que o valha. Sem argúcia tramo a representação das máscaras e traço mais um embaraço. Não se aborreça meu distinto leitor se eu lanço mão de dizer essas coisas. É que, riscando o bordado com a sonoridade fácil e frívola me vejo como um saltimbanco de calendas perdidas na história. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Tantas vezes já disse aqui nesse espaço que me ocupo de coisas miúdas, minudências totalmente destituídas de significação. Apenas a banalidade da fantasia. Causas importantes? As deixo para os doutores, pois meu caminho é mínimo. Rigor? Cabe melhor aos poetas e eu não passo de um mero cronista. Moderação? Sou filho de Dioniso e o excesso da desordem é minha cena.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Mas voltemos ao tema, se é que ele existe. Já na galeria, Pauline, sim, esse era seu nome, voltou a sentir o mesmo temor. Durante anos eu me lembrei desse dia, e o repassei, examinei minuciosamente em uma angustiada ruminação e não consegui novas interpretações para o fato. Aterrado, quis examinar novamente essa lembrança. O espelho e a lápide reapareceram. Só que agora em mim. E fico estacado no mesmo lugar. Sempre amei Pauline? O que a incomodava? Perguntas eternamente fadadas ao silêncio da ignorância.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Em um repentino acesso de fúria, coisa que eu já vislumbrara, Pauline saiu rasgando todos os quadros. Não deixou um único intacto e o estilete em sua mão era a prova do crime. Naturalmente a abertura da individual de Pauline K. fechou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-3704621417908055371?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/3704621417908055371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=3704621417908055371' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3704621417908055371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3704621417908055371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2010/01/estilete.html' title='Estilete'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-1405384632009725512</id><published>2010-01-14T04:57:00.001-08:00</published><updated>2010-01-14T04:57:34.979-08:00</updated><title type='text'>“Barulhos Constrangedores”</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;A propósito de certa notícia veiculada pela imprensa local, me lembrei de um episódio ocorrido comigo. Durante algum tempo morei no Edifício Jardim Tropical, em Brasília. Em minhas intermináveis mudanças por essas terras de Pindorama manhosa e cheia de mazelas, essa estadia na 516 sul me rendeu momentos insólitos. E é um deles que pretendo relatar nesse textículo mal alinhavado. Tinha como vizinhos um casal que ao transar provocava verdadeiro terremoto na vizinhança. Os caras gritavam, urravam, xingavam em altos brados. Isso chegou aos ouvidos da Delegacia de Costumes e Diversões Públicas, mas não deu em nada, pois a síndica ficou só e os gritos e "barulhos constrangedores", como dizia a mandatária daquela pequena cena urbana, continuaram não sei por quanto tempo, já que eu mudei logo após o caso que vou contar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Para mim o único inconveniente do casal era quando eu estava a perigo, se é que minha delicada e pudica leitora me entende. Quando o ruidoso amor começava, já estava pronto para iniciar mais uma covardia. Perdi a conta das vezes em que eu não poupavaporra nenhuma e no embalo da "perturbação da tranqüilidade" descascava mais uma banana em homenagem ao casal voraz. Cumpre esclarecer que, digamos assim, a atividade sexual dos dois era de maratonista. Mas vamos ao que interessa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;De certa feita arrumei uma namoradinha e não sei por que cargas d'água a levei para minha casa. Acho que eu estava meio enamorado. Estávamos lá no maior bem bom quando os maratonistas dos prazeres carnais começaram seu treinamento. A moça, Alcibilina, quando escutou os primeiros ruídos arregalou os olhos e foi na mesma balada. Iniciou uma gemedeira como se estivesse conversando com a colega ao lado. A vizinha aumentou os impulsos guturais e Alcibilina atrás. Até que minha companheira se levantou e disse de maneira peremptória.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Vamos lá chamar eles.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- O quê? É mesmo? – Disse eu com uma incredulidade causando espanto e fazendo aflorar um sorriso cínico nos lábios. Jamais poderia imaginar que aquela patricinha estava tomando uma atitude que pensei várias vezes em tomar: propor um ménage. Agora iria virar swing. Legal, vamos ver no que vai dar, pensei cá com meus botões.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Nada! Deixe de caretice e vamos entrar na festinha. Que por sinal parece estar muita animada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Dizendo isso, sem ao menos colocar uma roupa, foi bater na porta dos vizinhos. Mas isso já é outra estória. Fui!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-1405384632009725512?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/1405384632009725512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=1405384632009725512' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1405384632009725512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1405384632009725512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2010/01/barulhos-constrangedores.html' title='“Barulhos Constrangedores”'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-7087100646864202248</id><published>2010-01-11T15:00:00.001-08:00</published><updated>2010-01-11T15:00:02.703-08:00</updated><title type='text'>Memórias Rotas</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Durante muitos anos ele ficou sem abrir os álbuns de fotografia. Eram velhos papéis de um tempo distante. O instante onipresente em sua memória anciã e que lhe foi roubado em míseras horas. Nunca deixou de lamentar sua precipitação e agora ia folheando devagar inúmeros retratos de uma era que já era. Mesmo hoje, ao rever imagens antigas, percebeu que ainda persistia a sensação de que deixou escapar entre os dedos todas as alegrias de outrora. Por isso relutou tanto em limpar a poeira que cobria a capa dos arquivos, mesmo que inconscientemente. Tantas pessoas, longos sonhos, recordações dolorosas e tudo isso se resumia ao simples ato de dar mais uma volta no parafuso, revelando segredos inconfessáveis.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Quando se viu em uma foto não deixou de notar um sorriso com certo ar de escárnio e triunfo. O interessante é que ele quase nunca aparecia nas fotos, já que invariavelmente era o bardo das retinas fatigadas, como ele costumava dizer, citando alguém. Outra foto o fez navegar largamente naquela região onde tudo se dissolve. Aquele reino cujo tempo fica suspenso em lembranças insondáveis. E desse retrato nada sei. De certo, só a mágoa correndo o olhar e a memória.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Vários já tinham ido para outras plagas, esferas já próximas dele. Não quero parecer que me ocupo de coisas miúdas, rasteiras, mas é preciso deixar claro que seu perambular visual era a fonte de uma água salobra, chafariz de memórias rotas, como o vinco de seu rosto. Ouso até supor que ele se confundiu com uma personagem de sua novela nunca terminada, Iniciada em sua adolescência jamais foi terminada. Sempre o argumento infeliz da incapacidade para tal. Infelizmente para meu único leitor só eu e poucos amigos tivemos acesso aos originais. Era um belo início de novela. E Luiza, sua personagem, constantemente ocupou suas preocupações.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Fiquemos por aqui, já que o espaço vai se acabando e o poupador, esse imenso preguiçoso, assim como de outra feita, alertou-me para não ultrapassar uma página. Até nisso o cara é murrinha. Deixe estar! Eu volto. Fui.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-7087100646864202248?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/7087100646864202248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=7087100646864202248' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7087100646864202248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7087100646864202248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2010/01/memorias-rotas.html' title='Memórias Rotas'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-7081333467541523504</id><published>2009-12-28T03:16:00.001-08:00</published><updated>2009-12-28T03:16:57.090-08:00</updated><title type='text'>Balada de Baco</title><content type='html'>Suavemente a vista se acostumou com a escuridão do dia já claro. Pequenas gotas de luz penetram o quarto escuro sendo divisado ao poucos. Não gosto de levantar de supetão. Preciso ir me acostumando com o despertar. Um adágio preludiando o vivace que se anuncia. Assim se inicia o longo e penoso devir. Não que seja um fardo, uma coroa de espinho, mas hoje especialmente sinto que a jornada será longa. Também, depois da noitada de ontem. Onde já se viu. Em minha idade sair embevecido atrás de uma ninfetinha. &lt;br /&gt;A cabeça lateja e ela ali ao meu lado. Olho seu rosto e penso ter valido a pena. É uma gracinha. O frescor da idade em corpo perfeito. É... o dia será duro, mas a noite me deu forças para o embate. A lamentar somente a cabeça pesada e enevoada por largas doses insistindo em seus efeitos. A menina era profissional etílica e foi duro dar conta do recado. Minha sorte é que longos anos de treinamento não me deixaram fazer feio. Antigamente a teria chamado de amadora. Mas, hoje? Não passo de um coroa decadente no ofício da birita. Dioniso velho pensando ainda em chefiar as fêmeas. A loucura dionisíaca não impõe moderação. &lt;br /&gt;Mesmo na arte da camarística, digamos assim, se me falta vigor, sobra malandragem. Sem atinar que desatino, faço da flauta meu duo, apenas para servir Baco e sua folia, só para declarar, assim como Orfeu, à cítara, que escuto árvores com música. Não sendo eu filho de Semele e Zeus, nada sei de terras Lídias ou Frígias. Tão somente a tentativa de girar a linguagem. Bem sei que canhestra, longe de ser um ginasta. E ela dorme como uma ninfa. E o medo de que me roube a razão é imenso.&lt;br /&gt;É a loucura rondando o coração. “Viver o belo, fazer brilhar, sem mácula, noite e dia”. Eis aí o Touro mostrando sua máscara, seu escárnio. Eis aí a bruma dos significantes dedilhando uma harpa desafinada. Assim permanecemos: sem saber o que é ser sábio, um império regido pelo imprevisto. Eis aí a linguagem. E ela é bela e dorme. É! Realmente valeu a balada de ontem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-7081333467541523504?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/7081333467541523504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=7081333467541523504' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7081333467541523504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7081333467541523504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/12/balada-de-baco.html' title='Balada de Baco'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-5563203571442209578</id><published>2009-12-14T15:12:00.001-08:00</published><updated>2009-12-14T15:12:36.932-08:00</updated><title type='text'>Rabiscos Podres</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Um sentimento estranho, incompreensível para mim mesmo, se apodera de meu amplo deserto. Com um aspecto sombrio e abandonado à própria sorte aduba minha amarga solidão, povoa de sons ásperos meu tumulto silencioso. Um violino desafinado sola sua pena cinzenta, seu teclado obscuro e sua tela pouco simpática aos desígnios de uma escrita com abundância de pormenores. Meticulosamente anotado, o textículo engendra problemas complexos. Só mesmo a mesa de um bar, onde resolvemos uma chusma de problemas, para enriquecer o discurso, tornar a fala fluída, florir o riso. Mas aqui não é o bar do pingüim e traço um compasso composto, torto como a quimera do poeta mineiro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Longe, na lonjura inalcançável, bordo um desenho distinto, feito de traços toscos e tinta negra. Na penúria do isolamento componho um grito mudo, uma paixão violenta e mais uma ratazana é parida. O pútrido aroma de miasmas embala a seresta, acalanta o amor feito com restos de fezes. Note bem, meu desocupado leitor, a dificuldade para se achar um sinônimo para a palavra que norteia essa narrativa. E qual seria o rumo senão esse? Apenas roçar a roça, capinar o mato e plantar a semente da loucura. Semear a estranheza de um sentimento esquisito, eis ao que se propõem esses rabiscos podres.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Vamos finalizar logo esse textículo, pois não me sinto no direito de lhe impingir tantos destinos. Posto isto, lamentando ter despendido seu tempo e os seus recursos intelectuais em questões menores, elaboro mentalmente um projeto de final, que, mais uma vez, se mostra de forma pouco nítida, com nenhuma precisão e uma lógica de alienado. Assim, portanto, penso comigo mesmo, dou as questões por encerradas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-5563203571442209578?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/5563203571442209578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=5563203571442209578' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/5563203571442209578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/5563203571442209578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/12/rabiscos-podres.html' title='Rabiscos Podres'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-353015202444288940</id><published>2009-11-20T02:52:00.001-08:00</published><updated>2009-11-20T02:52:20.365-08:00</updated><title type='text'>Labirinto do Tempo</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Antigamente, já faz tempo, em minha adolescência distante, perdida para sempre, eu gostava de contar fanfarronadas com afetação e presunção. Hoje, já passado da meia idade, sem que nenhuma expressão assome em meu rosto, o ardor e o dom da eloqüência não passam de reflexo de uma índole sisuda e é mero retrato de um caráter frio e circunspecto. Parece até que neste corpo não existe alma nenhuma, ou, se existe, está fora do lugar, envolta em uma casca tão grossa, como a do pequizeiro, e o que quer que se mova em seu interior jamais produzirá qualquer comoção na superfície.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Desde sempre, ao menos o que diz a memória, em sua imperfeição de diamante puro, me vejo contador de lorotas e potocas quase sempre adornadas pela pedanteria dissimulada. Antes, na nascente da infância, com todas caretas possíveis de um bebê, sem a conspurcação das lembranças, o riso e o choro eram a imagem do silêncio e fotografia fiel de uma natureza quente e leviana.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Agora, é com indiferença que verto copiosas lágrimas sem saber mesmo das furtivas. Meus olhos gélidos não acham graça em nada, não se divertem mais com as curvas da imaginação e, sobretudo, meus lábios cerrados guardam um silêncio pouco curioso. Até receio por mim e confesso que a travessia é muito difícil. Muito mais fácil é pintar grossas camadas dispersas, colocar na tela a confusa combinação de formas, volumes e cores. Rabiscar então... o êxtase da preguiça. Ou não somos, de certo modo, todos macunaimas?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Não vou mais ocupar o tempo precioso de minha belíssima e única leitora. Escute minha boa amiga, esse textículo cínico e debochado, não é mais que mais um exemplo de um tipo de literatura onde a falta de criatividade se expõe em seu mais alto grau de inconsistência. Bem sabes que se me dou ao trabalho de escrevinhar essas mal traçadas linhas, é no único intuito de oferecer ao planeta minha mediocridade, que de tão grande, se perdeu no labirinto do tempo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-353015202444288940?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/353015202444288940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=353015202444288940' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/353015202444288940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/353015202444288940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/11/labirinto-do-tempo.html' title='Labirinto do Tempo'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-492984794176692300</id><published>2009-11-11T04:06:00.001-08:00</published><updated>2009-11-11T04:06:14.063-08:00</updated><title type='text'>A Vampira do ABC</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Aproveitando O gancho do meu amigo careca, me vejo quase que na obrigação de falar na vampira de vermelho do ABC. O rabo da moça detonou uma histeria coletiva. A hipocrisia humana desconhece limites e esse episódio não passa de mais um retoque cruel na falsa moralidade cristã. O mesmo punheteiro consumidor de revistas, revista não, coisa muito antiquada, sítios de putaria é o mesmo que chamou a personagem em questão de piranha. A mesma menina de família, invejosa das formas voluptuosas da vampira, que a xingou, vai chupar o caralho do namorada enquanto ele pensa na rabuda de vermelho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;E o vestido nem era tão curto assim. Um tubinho propício a devaneios inconfessáveis e maravilhosos. Aliás, até me lembrou um catecismo do Carlos Zéfiro. Alcides Caminha é um dos maiores intelectuais dessa terra de Pindorama. Foi o primeiro a dizer em alto e bom som: a mulher não só goza como gosta, e muito. Por falar nisso, nunca vi expressões tão fora de propósito como as famosas vou comer, já comi, nunca comi uma bucetinha tão gostosa e por aí vai. Afinal, quem engole quem? Parto do princípio que comer implica em engolir. Diante disso é indubitável que são as mulheres as comedoras. Ou não somos literalmente deglutidos por uma caverna que Platão jamais ousou pensou haver tantas coisas entre o céu e a terra, ou melhror, entre a entrada e a saída.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Tá legal que a dita é a maior Raimunda, feia de cara boa de bunda. Mas daí a suscitar tamanho ódio. Se as universidades, as faculdades, os colégios de ensino médio fossem expulsar as ninfetinhas desfilando seus corpos esculturais em apertados vestidinhos, creio que teríamos uma academia feita apenas para os "machos". Seria preciso também censurar a globo, o sbt, a record, a playboy, a sexy, colocar cadeado em oitenta por cento das páginas dessa rede virtual e, sobretudo, apaziguar as mãos de adolescente ávidos por sexo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Não me estendo mais, pois a página vai chegando ao final e é firme propósito do poupadordeporra, como ele me disse, manter o padrão de uma lauda para esses textículos. Sendo assim, rogo encarecidamente aos deuses que coloquem luz na cabeça desses obtusos senhores e senhoras da decência.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-492984794176692300?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/492984794176692300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=492984794176692300' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/492984794176692300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/492984794176692300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/11/vampira-do-abc.html' title='A Vampira do ABC'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-3028646103794918333</id><published>2009-11-09T16:41:00.001-08:00</published><updated>2009-11-09T16:41:34.292-08:00</updated><title type='text'>Pateta</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Acho que estou ficando velho. Vezes me pego naquela saudade do antanho, tão grande aos meus olhos infantis e tão pequena à minha vista míope. Fico pensando se não estou no time dos nostálgicos, daqueles que sonham com o passado de forma obsessiva.  As retinas fixaram o tênis conga, cujo chulé era terrível, a vila sésamo, o sítio do pica-pau, o Emerson Fittipaldi, os noventa milhões em ação, que no meu modo de entender estavam mais parados que criadouro de mosquito da dengue. A memória viu o surgimento da televisão que precisava esquentar para "pegar", a consciência aflorou ao ver carros queimando de rodas para o ar, ao mirar fardas iradas perseguindo moscas indóceis e, finalmente, tomou juízo de sua careca, já no final da adolescência.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Não estou dizendo que estou saudoso... Brasília era uma fazenda sem porteira, sem arames e se respirava o ar pesado das casernas. Ficaram gravados para sempre o descampado destes horizontes, a largura das pistas, os belíssimos crepúsculos, a enorme melancolia das paisagens, como diria certo poeta recifense a propósito de Belo Horizonte. Sexta-feira era dia de vasculhar a cidade, sair por aí procurando festas pelas quadras. Mais tarde fui saber que era dia de fechar a Rua do Beirute. A truculência mais uma vez invadia a avenida e saia distribuindo saraivadas a esmo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Sair atrás de uma festinha era o máximo. Nessa época não tinha interfone, muito menos vigias e as portarias viviam abertas. Era só ver umas luzes diferentes que já subíamos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Olha, é no quarto andar, na entrada do meio. Dizia um.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Que nada! É na segunda portaria. Olha só as luzes, naturalmente estão na sala e, portanto, é a segunda entrada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Lá íamos, sem nos importar em sermos mal recebidos, coisa que raramente acontecia. Foi em uma dessas festinhas de pré-adolescente que conheci aquela que eu poderia chamar de primeira namorada. Não obstante eu já ser meio escolado na putaria. Minha prima cuidou disso. Com dez anos já tinha o cabresto estourado. As punhetinhas que a safada me fazia eram indescritíveis. Acho que hoje ela seria processada por pedofilia. Ela nem sabe o bem que me fez. O pepino entortou desde cedo e é um de meus grandes companheiros até hoje. Graças ao chegado consegui mulheres que não me dariam a mínima em função de minha beleza. Cumpre dizer que sempre fui mais feio que mudança de pobre, mesmo no auge da adolescência.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Magro, tipo tuberculoso, careca, olhos embaçados, barriga sempre proeminente, mas senhor de um grande e robusto companheiro. Ágil nas curvas, pouco desgaste durante a viagem, profundo conhecedor dos caminhos e com certo ar abobalhado. Acho que isso inspirava confiança. Sabe como é... os patetas sempre são ignorados fora de sua função.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Isso ficou grande demais, melhor dar por terminada. Assim mesmo, repentinamente, contra todas regras da boa escrita. Fui.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-3028646103794918333?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/3028646103794918333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=3028646103794918333' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3028646103794918333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3028646103794918333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/11/pateta.html' title='Pateta'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-680825694030026425</id><published>2009-11-08T12:12:00.001-08:00</published><updated>2009-11-08T12:12:50.162-08:00</updated><title type='text'>O Convidado</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Expor a fratura que dilacera meu ser? Jamais! Contar lorotas sérias? Talvez!  Ocupar a mente em assuntos desinteressantes? Sempre! Os leitores do poupador hão de convir que a tarefa é ingrata. É como subir trinta andares de escada. Sempre chegaremos esbaforidos, doloridos e arrasados. Mas a gente tenta e lamenta o intuito não alcançado: o trigésimo andar. Apenas o cansaço por testemunha. Já o disse e repito: minha vida é destituída de qualquer curiosidade. Nada além do banal, do banalíssimo. Não tenho filhos nem amigos, moro só e meu cotidiano se repete como a pedra de Sísifo. Não há uma só novidade que possa ser dita.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Acordo todos os dias às cinco da manhã. Primeiro bato um papo cabeça com o celite boca larga, tomo um copo de água e os comprimidos impostos pela idade, molho as plantas, faço um café, fumo um cigarro e vou tomar banho. Higiene feita coloco a roupa surrada, fumo outro cigarro e vou para o ponto de ônibus. São sempre as mesmas pessoas, há quase trinta anos. Nunca falei com nenhuma delas. Aliás, minto. Uma única vez troquei sussurros com uma moça, até bonitinha. Note que são todos meus vizinhos, com a rotatividade que é inerente ao caso, todos me conheciam e eu conhecia todos. Éramos completos estranhos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Chegando ao Plano, ia direto para minha sala. Sempre era o primeiro. A repartição só enchia por volta de nove horas. O momento de que eu mais gostava: a solidão do horizonte se enchendo de luz. De minha sala eu podia avistar o lago e isso me bastava. Uma vez quiseram me transferir para o subsolo. Não aceitei. Procurei o sindicato e não mexeram comigo. Ameacei processo por desvio de função, abri mão de cargo comissionado, mas nem isso me tiraram. Afinal eu era um dos poucos para exercer a função. Os outros estavam em cargos melhores e viriam para esse ministério sem força, mero bibelô, pingüim de geladeira, como os políticos diziam.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Sempre almoço só e não gosto que sentem em minha mesa, por isso procuro uma atrás da pilastra. Ninguém gosta de sentar lá, então fica sendo minha. A tarde é mais movimentada e a parte que menos me agrada. Todos os dias, mesmo que não haja quórum, vou ao congresso para encontrar chefes de gabinete, ou até mesmo o deputado ou senador, conforme for o caso. Simpatizei-me com um paraibano. Sujeito engraçado, contador de causos. Nunca soube seu nome, apenas que era paraibano, de Catulé do Rocha. Aliás, a Paraíba só tem cidade com nome engraçado. É Catolé do Rocha, Remígio, Bananeiras, Boqueirão dos Dantas, Lagoa Tapada e por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Não vou mais torrar a paciência dos leitores, se é que eles existem, mas o poupador, de quem partiu o convite para esses rabiscos, me garantiu que são em número de milhares. Fico até envergonhado. Imagina... milhares de pessoas lendo o que eu escrevi.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-680825694030026425?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/680825694030026425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=680825694030026425' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/680825694030026425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/680825694030026425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/11/o-convidado.html' title='O Convidado'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-5946548985150235051</id><published>2009-11-07T11:10:00.001-08:00</published><updated>2009-11-07T11:10:05.059-08:00</updated><title type='text'>Indulgência Pós Moderna</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;A memória é um enigma e possui significados estranhos. Vários escritores fazem da infância sua fonte. Desnecessário dizer que primordial. Ao contrário do que sugere o senso comum, a primeira idade não é feita só de paraísos, de coisas a serem feitas, mas há o lado obscuro, negro de um desconhecido nem sempre simpático. A sensação de volumes imensos te oprimindo, a leve percepção dos passarinhos e o corcunda da esquina te espreitando, todos estão presentes no alvorecer do ser.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Eu particularmente sou um desmemoriado. Tudo se confunde em borrões não definidos, como se fosse um míope sem óculos. Até o que aconteceu ontem me é estranho. Não fixo absolutamente nada. Vivo o dia como se fosse um rio a me levar, sempre na espreita de mais uma cachoeira. Acho até estranho que os escribas tenham retido em suas mentes todas as impressões de coisas que aconteceram há tempos. Cada cena carrega uma série de odores, sensações táteis, visões, imprevistos, sutilezas que só uma memória prodigiosa poderia se lembrar. Por isso fico com o essencial, aquilo que não desgrudou mais de minha existência. Como, por exemplo, o hábito de estar sempre só.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Bem sei que sou benevolente, diria até indulgente com minha amnésia absoluta. Seria um completo fracasso como memorialista, até porque a digitação sai solta, sem revisão e sem pretensão. Ou como diria certo bruxo carioca: vão aqui reunidas narrativas escritas ao correr da pena, sem outra pretensão que não seja a de ocupar alguma sobra do precioso tempo do leitor.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Dessa maneira, bem ao sabor do tempo perdido, rasgo a lembrança e me lanço na aventura do desconhecido. Embarco em uma nau onde a surpresa é a onda, nada de panorâmicas em um passado que não há mais, a não ser na memória imprecisa e cabotina de um narrador qualquer. Tenho por mim a efemeridade como tal, ou não sou um sujeito do pós moderno? Praticamente nasci com o dito, sendo ele um pouquinho mais velho que eu.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Sendo assim, coloco ponto final em mais um textículo tosco, mal ajambrado e que certamente não irá agradar ao meu cioso leitor e minha adorável leitora.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-5946548985150235051?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/5946548985150235051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=5946548985150235051' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/5946548985150235051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/5946548985150235051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/11/indulgencia-pos-moderna.html' title='Indulgência Pós Moderna'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-4796079382176793286</id><published>2009-11-05T06:24:00.000-08:00</published><updated>2009-11-05T06:25:06.786-08:00</updated><title type='text'>Maratona Etílica I</title><content type='html'>Às três da madrugada, depois de longo périplo pelas quebradas dos botecos, deitei-me. Durante o dia estive na catrevagem, dando início a maratona etílica. Meu horário sempre foi o de um profissional cioso de seus afazeres. Os ponteiros não mostravam mais que nove horas e um quarto da manhã. Lá estava eu bravamente postado no balcão, já que os companheiros de jornada tardavam, conversando com o Afrosinésio, dono do estabelecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Afro, anda logo com essa porra aí que já estou com síndrome de abstinência. Ó pá cá, ó. Tudo tremendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convém deixar claro logo de cara que o capiau era mais negro que asa de tiziu e ostentava um corpanzil nada desprezível. Um verdadeiro armário de seis portas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma rapá! E afro é a puta que te pariu. Afrosinésio pra cabra safado como tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porra, já vi que brochou. A patroa não compareceu, né meu camarada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lasquera, hora dessa da manhã e já agüentando manguaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que isso Afro, cê sabe que você é meu e boi não lambe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mudando de pau pra cacete. Ontem teve a maior zica aqui no buteco. Neguinho tá a fim de pegar o professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Professor de merda nenhuma! O cara é uma anta e já tá mais que na hora de correr com ele daqui. Até jogo lenha na fogueira se preciso for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dessa vez o cara provocou o ceará e o bicho ficou danado. Jurou ele. Rapá, o cara é bruto que só a porra. Se eu fosse o professor caçava beco ligero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Afro deixa essa porra pra lá que isso não me diz respeito e me diz se aquela gata lembra? A de quinta-feira. Ela deu os ares daquela bunda maravilhosa por aqui de novo? Cê viu só? A puta me deu o maior mole, me agarrou, me beijou, pegou na minha pica e na hora do vamo vê deu na carreira. Porra fiquei puto. Nem o telefone quis me dar. De pau na mão, na maior covardia e sem telefone. Não me deu nada. Mas ela volta, eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, essa foi foda. A moçada já tava sacaneando, rolou até uma aposta se era pra viagem ou se ia comer aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem que eu tentei, mas ela não quis. Argumentei que a mesinha era ideal. Escondida, ninguém ia ver. E eu sabendo que todo mundo já tava de olho. Queria mesmo é ter dado um espetáculo pra esses punheteiros desses seus clientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meus clientes e seus amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nisso chegou o primeiro representante da trupe e nos sentamos. Mas isso já é outra estória.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-4796079382176793286?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/4796079382176793286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=4796079382176793286' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4796079382176793286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4796079382176793286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/11/maratona-etilica-i.html' title='Maratona Etílica I'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-3870925909940511359</id><published>2009-11-04T15:37:00.000-08:00</published><updated>2009-11-04T15:38:29.082-08:00</updated><title type='text'>Olhos de Lince</title><content type='html'>Morreu depois de cem anos um autor que foi fundamental em minha visão de mundo. Minha Vó quase alcançou seu feito, mas assim como você, me deixou lembranças e palavras doces. Foi-se o corpo Lévi-Strauss. Difícil defini-lo. Antropólogo? Filosofo? O que seria o esmiuçador da cultura humana? Algo indefinível como uma canção reverberando no ar. Não quero lembrar do acadêmico, recordo apenas do homem sensível aos outros, ao diferente humano. Compreensão é uma coisa que está faltando ao ser pós moderno. Nesse tempo difuso o próprio umbigo passou a ser referência de tudo. Também pudera. Com tantos compromissos já nos esquecemos dos familiares, dos amigos. O que dirá do desconhecido que passa por mim olhando o chão, como se eu fosse um alienígena e o pior é que nada fazemos para destinar um pouquinho só de atenção a quem quer que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não enxergar meu vizinho se tornou a própria visão. Eis que sua grande lição perde força no torvelinho de tempos imprecisos, indefinível em seu aspecto torpe, vil, não no sentido da impossibilidade de se estabelecer parâmetros para coisas tão vastas como é sua obra. Não tenho a intenção de tecer loas ao cosmopolita que foi você. Bélgica, França, São Paulo, Goiás são paisagens insuficientes diante do vasto mundo, como dizia certo poeta mineiro. Um século! Simbologia simpática das ironias históricas. Tanto ao seu gosto se crava um símbolo em sua vida. Afinal, trata-se de uma existência longa, de olhos que presenciaram mudanças substanciais, de tantas e tantas mudanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, vamos dando por terminada essas exéquias simplórias, sem o talento verdejante de sua escrita. Meus olhos míopes jamais seriam os de um lince e sou um péssimo jogador de xadrez. Minhas primeiras jogadas, da mesma maneira que as últimas são pobres de raciocínio e toscas em sua estrutura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-3870925909940511359?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/3870925909940511359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=3870925909940511359' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3870925909940511359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3870925909940511359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/11/olhos-de-lince.html' title='Olhos de Lince'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-2564974903418256051</id><published>2009-10-22T19:02:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T19:03:19.337-07:00</updated><title type='text'>Pinho Emudecido</title><content type='html'>Vivi sozinho os meus últimos dias. Não me lembro de quando nasci e não tenho a mínima idéia – com acento – de quando morri. Apenas lampejos brilhando no horizonte, eis aí minha memória, que de tão curta não passa de uma paca. Até acreditei em um sonho, daqueles bonitos e, mesmo que digam o contrário, coloridos. O último lamento do guerreiro é cantiga de aboio, cantilena da saudade, modinha serelepe no lombo dos olhos. O resto é silêncio. Viver o crepúsculo de uma existência nada mais é que sonhar acordado. Divisando perfeitamente os contornos da noite se ganha o horizonte, se navega na crista da lonjura e, sem remorsos, aderna lentamente para o poente.&lt;br /&gt;Vivi sozinho os meus último dias. Não me recordo da semente e tampouco diviso a podridão. Apenas restos de memória carcomida pelo vírus da discórdia. Eis aí minha louca cabeça, que de tão louca não passa de uma touca. Até pensei em ser feliz, bem do tipo receita feita para muitos e, mesmo que digam o contrário, saborosa. A derradeira lágrima do covarde é seca como o cerrado, casca grossa da vileza, galhos retorcidos no lombo dos olhos. O resto é ruído. Morrer a alvorada de uma inexistência nada mais é que dormir de olhos abertos. Confundindo até a mais clara manhã se perde o horizonte, se afunda no poço sombrio do presente e, cheio de vergonha, levanta rapidamente para a nascente.&lt;br /&gt;Meu epílogo foi banal, como simplórios são todos os finais. Como reminiscência apenas o sorriso maroto de um desconhecido. Vestido de verde se destacava dos demais. Nunca pensei que meu velório fosse dar tantos ilustres desconhecidos. Só os amigos, para ser mais exato três, não foram ao rito macabro. Eles sabiam que eu não queria nada daquilo. Isso foi coisa da minha ex-mulher. Até na morte ela me aporrinhou. Será que finalmente terei sossego. Duvido. A diaba tem pacto com o tinhoso e é bem capar dela me encontrar no purgatório. Aí faço como a piada: nem vem que não tem. Nossa promessa foi até que morte os separe. Portanto, estamos devidamente separados. Faça de conta que sou um estranho. Aliás, o que não seria novidade alguma.&lt;br /&gt;Vezes me pego perguntando como alguém pode viver com outro e não ter sequer a noção de quem seja seu parceiro. Toleimas teimosas de um tonto. Agora sim. A névoa se dissipa e vejo claramente o dia em que meu pinho emudeceu. Era uma bela tarde de maio, no tempo em que o conluio do céu com as cores se revela. Ela estava linda em seu vestido de alça. Parecia uma deusa grega, uma dessas imagens diáfanas, etéreas e destinadas ao mais puro prazer. A primeira vez que entrou em casa matou com um simples olhar todas minhas plantas. Infeliz o cego que não crê em seu próprio olhar. Foi nesse dia. Até as cordas do violão arrebentaram. Foi o início do fim. E é só, fui. Fim!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-2564974903418256051?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/2564974903418256051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=2564974903418256051' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2564974903418256051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2564974903418256051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/10/pinho-emudecido.html' title='Pinho Emudecido'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-8174469584166482091</id><published>2009-10-15T18:42:00.000-07:00</published><updated>2009-10-15T18:43:43.508-07:00</updated><title type='text'>Fábula Amoral</title><content type='html'>Aproveitando o gancho da crônica anterior, mudei a foto em homenagem à derradeira florada do ano. Que, aliás, foi pródiga e exuberante. Tendo deixado o arraial pintado de amarelo, rosa, branco, roxo e azul. Um oásis se abriu na seca do cerrado, como costume anual. É na estiagem que floresce a vida. Na pele terra-casca calcinada pelo sol o cerrado transborda cores.&lt;br /&gt;Depois de tudo isso só me resta uma explicação; eu, o narrador; afinal terminei a última crônica dizendo desconhecer a cidade e seus arrabaldes. Além disso, inicio essa com um textículo soando como loa à natureza ressequida de seu solo. Meu par de leitores certamente já não se incomoda mais com essa lenga lenga e ignora solenemente tais incongruências. Diante disso me furto a explicação, já que tenho apenas os citados leitores. Pensando melhor, cabe sim uma palavrinha. Vai que aparece um outro tresloucado para ler esses arrazoados. Reiteradas vezes foi dito aqui nesse espaço cibernético que a confusão habitual é uma tensão sem resolução, ou seja, uma cadência extendida de dominante reinando soberana nessas narrativas. Seja o poupador, o autor, o narrador, o dono da senha, os convidados, enfim, seja quem for a digitar, sempre estará presente a confusão. Vários exemplos estão disponíveis para o leitor arguto e cioso da ciência da escrita confirmar a veracidade do que digo.&lt;br /&gt;Um emaranhado de sandices prolifera rumorejando sua empáfia literária. Eis ao que se resume esse monte de rabiscos. Como até já notado pelo próprio autor. Creio ser ele o sujeito mais capacitado para esclarecer os pobres mortais que, tal qual a mim, arriscam um salto no escuro.&lt;br /&gt;Não querendo mais tomar o tempo precioso de meus dois únicos leitores, dou por finada mais essa fábula sem moral.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-8174469584166482091?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/8174469584166482091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=8174469584166482091' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8174469584166482091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8174469584166482091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/10/fabula-amoral.html' title='Fábula Amoral'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-4893947491606051236</id><published>2009-10-14T18:51:00.000-07:00</published><updated>2009-10-14T18:53:26.867-07:00</updated><title type='text'>Os Segredos da Cidade</title><content type='html'>Ele conhecia todos os esconderijos da cidade e voltava a eles como a um bar no qual se tem a certeza de encontrar os amigos de sempre. Antes de qualquer coisa, não se pense que o cara era um andarilho qualquer. Devido ao seu hábito de atravessar a cidade, todos os lugares secretos, em seus vazios misteriosos, da província lhe eram familiares. Tudo começava com o desfalecimento da tarde. Ao sair para a rua no início da noite, surgiam diante de seus olhos esquinas inexistentes e pontos luminosos pareciam fixar a cidade em uma grande tela.&lt;br /&gt;A cidade parecia sitiada, se entregando docilmente já nos primeiros focos dirigidos à ela. Quiosques, postes, quadras, blocos se cristalizavam tais como as nuvens. Figuras que nunca se repetiam em seus lúgubres passeios noturnos. O interessante, o que me chamava a atenção era justamente sua negação do dia. Como é do conhecimento de meu par de leitores, a luminosidade é uma das grandezas dessa povoação. Todos se admiram da grande angular clara do horizonte azul. É quase unânime a sensação causada pelo horizonte aberto, límpido e imponente do cerrado.&lt;br /&gt;Parafraseando certo pensador alemão da Escola de Frankfurt eu diria que é preciso aprender novamente a andar sobre o espesso vazio dessas quadras. E ele parecia estar tentando com denodo e afinco. No pouco que pude testemunhar, tive a impressão de que sua tarefa única nessa terra era essa: testemunhar o alvorecer de uma cidade. O que me causava certo mal estar.&lt;br /&gt;Contudo, nenhuma cidade pode revelar por completo sua singularidade. O tempo ainda há de deixar sua marca, assim como fez com Nápoles, com Praga, com Ouro Preto e tantas e tantas outras.&lt;br /&gt;Eu, por meu lado, sempre tive a sensação do estranhamento, de ser estrangeiro nessa urbe pouco conhecida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-4893947491606051236?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/4893947491606051236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=4893947491606051236' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4893947491606051236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4893947491606051236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/10/os-segredos-da-cidade.html' title='Os Segredos da Cidade'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-724958235273281132</id><published>2009-10-07T17:59:00.000-07:00</published><updated>2009-10-07T18:00:28.517-07:00</updated><title type='text'>Solo de Violoncelo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Depois de longo e  tenebroso inverno, voltei. Fiquei até tentado a seguir os ditames da canção do  “rei” e dizer que aqui é meu lugar. Coisa que não condiz com a realidade.  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Na verdade, não sendo mais  que uma miragem, só existo na mente corroída pelo álcool &lt;span class="GramE"&gt;desse&lt;/span&gt; que se diz narrador. Existir na ficção de um outro  fantasma demonstra apenas o desatino de se ter um pretenso lugar. Seria o mesmo  que tecer um longo labirinto onde a saída seria mera  ilusão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Voltar de onde nunca se  saiu. Eis o paradoxo supremo de uma falácia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Sendo assim, só provoco a  ausência, faço do trato um prato feito de trapo e desfio a ladainha das  carpideiras. Lágrimas envolvendo a chuva, desfilando a falta, o que não há. Noto  nesta retomada a parca criatividade, a coisa destituída de si, do outro, de mim.  Olhares lançados ao acaso não resolvem a pouca idéia – com acento – do &lt;span class="SpellE"&gt;textículo&lt;/span&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Causar o abandono não é  casual. É a confissão da inaptidão, da fúria inoperante de um artífice.  Portanto, nada mais lógico que a narrativa saia, assim, meio chinfrim. Penso que  juntamente com a falta de idéia, veio a mão fora de forma, sem a afinação  perfeita para o solo de um violoncelo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Mas o fato é que voltei.  Com a mesma opacidade de sempre, a mesma tela &lt;span class="SpellE"&gt;descolorida&lt;/span&gt;, não pelo tempo, mas em função de uma  mediocridade intensa, uma total carência de talento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Insisto, persisto e crio  mais uma inutilidade supostamente vestida de sentido. Poderia até dizer do  malandro que conheci no final de semana. De sua lábia de um falso carioca.  Pernambucano da gema dava aula de &lt;span class="SpellE"&gt;carioquês&lt;/span&gt;. O filho  morou um ano no Rio e por isso ele fala meio &lt;span class="SpellE"&gt;acariocado&lt;/span&gt;. Disse-me o atoleimado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Não o faço em respeito ao  filho. Fica esse &lt;span class="SpellE"&gt;textículo&lt;/span&gt; mal &lt;span class="SpellE"&gt;ajambrado&lt;/span&gt;, sem costura nem alinhavo. Apenas a coluna torta  do cerrado em dias de festa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-724958235273281132?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/724958235273281132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=724958235273281132' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/724958235273281132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/724958235273281132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/10/solo-de-violoncelo.html' title='Solo de Violoncelo'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-5495847958239987663</id><published>2009-09-02T20:03:00.001-07:00</published><updated>2009-09-02T20:03:01.232-07:00</updated><title type='text'>Baga Bandeirosa</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Não gostaria de ser o último a sair e ter que apagar a luz. Final de festa sempre me pareceu um ritual macabro, como os da família Manson. Toda vez que via um mundo de copos pela metade, cinzeiros cheios, marcas de pés pela parede recém pintada, restos de comida jogados no chão, corpos esparramados pela cozinha, pelos quartos, tudo isso me causava repulsa. Pior era saber que eu estava ali para presenciar a cena. Assistir de camarote seres amarrotados na névoa da loucura, eis o princípio básico de um Dioniso sem música.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;O mesmo asco me assalta ao perceber que onde quer que eu vá me deparo com música. Umberto Eco escreveu recentemente, acho que em julho, no &lt;em&gt;New York Times&lt;/em&gt;, um artigo interessante sobre essa questão. Assunto que me persegue já um bom tempo. A onipresença da música me oprime. É o cúmulo do absurdo a imposição de qualquer tipo de som que seja, sob qualquer forma que se apresente. O horror dos horrores é a &lt;em&gt;new age&lt;/em&gt; de consultórios e afins, seguidos de bem pertinho por &lt;em&gt;Fur Elise&lt;/em&gt; em serviços de atendimento ao consumidor. Mesmo considerando meus interesses regendo o parto da composição, operando o drama de nossa existência, não vejo como desvencilhar-me das senoides. O ser humano nunca escutou tanto e nunca foi tão surdo. Eis o axioma sonoro de um tempo solitário, perdido nas ondas do silêncio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;A linguagem das musas, coisa mais careta, não merece mais consideração que um adereço cênico. Um simples bibelô ornando os afazeres, pano de fundo de ações cotidianas, de gestos repetidos à exaustão. Sendo assim, mesmo não querendo, da mesma maneira que Umberto Eco, me rendo às palavras pejorativas de Kant: "As outras manifestações artística provocam impressões duradouras, a música apenas deixa impressões passageiras".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Na verdade é toco de cigarro, a baga bandeirosa, o suspiro de uma geração esquecida, quem disse isso mesmo? Teria sido Fitzgerald? Que sei eu de literatura... Bem que gostaria, mas os compromissos me chamam, clamam por minha presença preguiçosa. Sendo assim, digo adeus, aceno para os que ficam, faço sinais para os que partem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-5495847958239987663?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/5495847958239987663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=5495847958239987663' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/5495847958239987663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/5495847958239987663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/09/baga-bandeirosa.html' title='Baga Bandeirosa'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-8452224599331059344</id><published>2009-09-01T03:21:00.001-07:00</published><updated>2009-09-01T03:21:21.353-07:00</updated><title type='text'>Um Ano</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Eu, o dono da senha, me vejo na obrigação de tecer algumas linhas aqui nesse espaço. Fez um ano, em julho, que a página digital do poupadordeporra navega nas ondas cibernéticas. Mais de cem crônicas foram postadas, meia dúzia de leitores perdeu seu tempo com as bobagens aqui publicadas, e o mundo permaneceu exatamente onde sempre esteve. O que só comprova a inutilidade de escritos mal alinhavados. Não sei o que pensa o poupador, ou mesmo o autor, ou o editor, ou até o narrador. Eu, de minha parte, garanto que apenas empresto a chave de abertura, ou seja, a palavrinha mágica que abre essa porra.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Inclusive foi uma amiga desocupada; sim, pois para ficar lendo essas garatujas é preciso que seja um vagau de marca maior; que me alertou para a efeméride. Em princípio ironizei e disse que isso não merecia um peido. No entanto, pensando melhor, achei que deveria eu mesmo redigir algo comentando o feito, já que nunca passo aqui para ler ou escrever algo. Apenas abro o caminho, assim como Exu. E encarei a escrita como um ebó em minha homenagem. Não é fato que sou cúmplice desse monte de asneiras? Diante disso, caros leitores do poupador, confesso que os redatores dessa porra nada me devem, não só na orientação das idéias, mas em relação ao estilo, e não explico por que e de que maneira.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Há algumas explicações para esse vaivém de idéias e de impressões. Mas há uma que é talvez a única real. Simplesmente não passo de um &lt;em&gt;blind drunk&lt;/em&gt;. Ou como diríamos em terras tupiniquins: um bêbado. Esclareço: sou um melancólico. Segundo minha irmã, herdei essa disposição de nosso pai, já que nossa mãe era vivaz e alegre. A tristeza, em verdade, é minha única herança e dela faço meu porto seguro. A pinga é apenas um complemento avivando minhas dores e desassossegos, uma fonte perene de agitações e de misérias. Assim se passou um ano. O poupador começou a pensar o espaço como um ato de dedicação, o narrador sempre pronto para quando vier a inspiração, o escriba não precisa de animações, basta-lhe o talento que acha ter, o editor não está nem aí para nada e naturalmente seu projeto é financeiro e, finalmente, o narrador não passa de um pateta. Mas, como disse, sou conivente com esse arrazoado e não tenho muita noção dessas coisas. É só.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-8452224599331059344?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/8452224599331059344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=8452224599331059344' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8452224599331059344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8452224599331059344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/09/um-ano.html' title='Um Ano'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-8355325688434170702</id><published>2009-08-26T12:59:00.001-07:00</published><updated>2009-08-26T12:59:07.599-07:00</updated><title type='text'>Silente Sussurro.</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Era tarde.  Adolfo não se deu conta de seu devaneio e muito menos da falta de Pulquéria. Andou por mais de duas horas em torno de seu umbigo e não notou a despedida de sua velha. Ela carecia de descanso. Tinha subido fazia mais de meia hora e cuidou imediatamente de cerrar os olhos e dormir. Lembrava-se vagamente que na hora tentou levantar os olhos em sinal de despedida, mas não teve forças para o conseguir. Quando entrei na sala, não moveu um milímetro sequer de qualquer de seus membros, não esboçou nenhuma reação, embora eu soubesse muito bem que Adolfo havia me visto, ou melhor, tinha tido a sensação de minha presença. A visão que se abria diante de mim era cerimoniosa e com uma cortesia silenciosa. Tudo o mais estava calado. O antigo relógio de parede, a vitrola talhada em mogno maciço, o canário belga, nem mesmo o córrego no fundo da casa rumorejava. Silente sussurro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Duas semanas antes eles fizeram uma viagem para ver o único filho. Só depois de ter feito alguns quilômetros é que se lembrou de que não via o filho fazia mais de dez anos. "Quando foi mesmo a última vez? Acho que no enterro de Belarmino". Não se deu ao trabalho de perguntar para Pulquéria quando foi que viram Adamastor pela última vez. Nos últimos tempos andava mais calado que de costume. No dia seguinte, já rompendo a manhã, se achavam na cidadezinha que o filho resolvera morar. "Como pode? Parar num fim de mundo desses. Se ao menos houvesse perspectiva para ele crescer. Mas não, veio matar seu talento nessa pocilga infecta". A briga dos dois foi por causa dessa escolha. O filho pródigo resolvera casar e largar tudo, mudar de vida radicalmente. Abandonou uma promissora carreira para ir se enfiar no interior mais escondido.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Não que o desagradasse, mas ele já era um velho quando se mudou. Adamastor não. Era garoto, tinha o mundo pela frente. "O senhor também mora no fim do mundo". Foi o que ele disse. Agora, prestes a rever o filho, a frase badalava feito sino anunciando missa. Três horas depois, já quando o sol dissipara a neblina encobrindo o vale, estavam diante da fazenda, tendo visto os belos morros no final do vale e as esplêndidas plantações da fazenda do já agora coroa Adamastor. No fim de um quarto de hora estavam em frente à porta da sede. Pulquéria, coisas de mãe, não escondendo a ansiedade, adentrou a casa feito um furacão. Mas algo estacava Adolfo. Não demorou muito assomou à porta a figura de um homem robusto, com olhar austero e fixo, envolvendo a mente de um velho vendo diante de si a frutificação de seu trabalho. Morrer sem deixar de ver o filho era o sombrio receio que o assaltava.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Haettenschweiler; font-size:14pt'&gt;&lt;em&gt;Nota do poupador: continua.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-8355325688434170702?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/8355325688434170702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=8355325688434170702' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8355325688434170702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8355325688434170702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/08/silente-sussurro.html' title='Silente Sussurro.'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-3888111321980707742</id><published>2009-08-20T06:21:00.001-07:00</published><updated>2009-08-20T06:21:44.512-07:00</updated><title type='text'>Crítico Predileto.</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Não me peçam minúcias nem preliminares sobre o assunto. A escrita desdenha o texto fino e o acabado das personagens; contento-me com quatro linhas tortas, mas representativas. Minha imaginação é preguiçosa e logo encontra dificuldades na primeira palavra, por isso não me aventuro em ficções. Não venho a esse espaço por motivos de amores ou por razões confessionais, mas para ver se alguém, um parente ou um amigo, ou um pedreiro, possa ter a mesma reação que o escriba. Não eu, já que não existo subsistindo. Já o disse diversas vezes: a personagem, o narrador, o escriba, o poupadordeporra, o autor, o dono da senha, nenhum deles sequer roça em mim. Tudo não passa de ficção barata com ares de profundidade. A pretensa densidade de algumas crônicas é fruto de uma árvore torta, cascas grosas, folhas duras e calcinadas pelo sol. É mero espelho onde os vários escritores, que por aqui passam, desfilam suas frustrações. A leveza, por vezes tentadas, é de chumbo. E, finalmente, a pretensão é marca registrada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Não posso me furtar a esses comentários diante da tentativa tola de um tal Libório. De maneira pouco sutil, tenta nos envolver em um mistério totalmente destituído de interesse. Sim, a minha primeira impressão foi de asco; íamos ter uma narrativa longa e falaciosa. Depois, lembrei-me de famoso conto de certo literato estadunidense, e achei estranho o desenvolvimento do tema. Enfim, como é que ele, que tanto a queria, embora como um vulcão prestes a explodir, ia separar-se dela repentinamente, para reviver um passado banal?  Não que a vida de casado fosse original.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Após alguns minutos de silêncio, sincero, meio calculado, retomo a narrativa para persuadi-lo da minha crença de que deve ser posto ponto final nessa história do Libório. Digo-lhe que é melhor não dar curso ao barco desgovernado. Uso palavras rígidas, às vezes enfáticas. Noto que o par de leitores que acompanha essas sandices do poupador, ou do Libório, ou missivas malucas, traz nos olhos certo constrangimento. Bem sei que meus comentários são uma espécie de sopa fria em sua ânsia de algo bem escrito. Creio, ainda, que essa última frase é motivo suficiente para que eu termine essas considerações. Eu cá fico com meus remorsos e saudades.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Abraços, e não me leve a mal.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Seu crítico predileto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-3888111321980707742?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/3888111321980707742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=3888111321980707742' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3888111321980707742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3888111321980707742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/08/critico-predileto.html' title='Crítico Predileto.'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-7792128899378624676</id><published>2009-08-18T03:40:00.001-07:00</published><updated>2009-08-18T03:52:58.116-07:00</updated><title type='text'>Libório II</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;Graciosamente o dono do espaço cedeu-me mais algumas linhas para eu contar minha derrocada. Sem querer ser cabotino, já o sendo, me vejo na obrigação de falar um pouco sobre essa pessoa chamada Libório. Embora eu já tenha adiantado alguma coisa, não falei do essencial. Cresci entre mulheres. Tias e primas me rodeavam. Apenas meu irmão como companheiro. Daí que passei a compreender, embora sem o apreender, cada mínimo gesto das fêmeas, cada olhar furtivo, cada desejo escondido em cada suspiro enfastiado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;Isso me valeu muito em minhas caças. Sim! Era assim que me sentia ao abater mais um belo exemplar feminino, um verdadeiro Hemingway. Eu, Libório, era, de fato, um galã muito feliz. Possuía cabedal de longa monta e dele fazia uso indiscriminado em minhas mentiras elegantes. Bem sei de como eu era querido pelas moças, que tão bem eu sabia cativar. Agia sempre em um plano medíocre, de vaidade e pura ternura por tudo quanto se relacionasse ao sexo oposto. Ternura esta na mesma medida de meu desprezo, pois tudo que amo me é desprezível.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;Quando a vi, no mezanino da rodoviária, como narrei na primeira na primeira vez, senti bem que minha vida sofreria um destes danos que nada pode reparar. O fato é que me casei com a moça e me desfiz em mesuras no único intuito de esconder o que ia em meu íntimo. Meu grande e único erro. Durante todo tempo de nossa união, presumi estar a salvo do cântico da rodô. Ela não me fazia perguntas nem remexia em meu passado e, nos três anos que ficamos juntos, nunca a vi olhar para ninguém. Uma vez, cheia de rodeios, mencionou de passagem um de nossos inúmeros e inúteis convidados, já que os festejos eram a tônica, a sub dominante e a dominante de nossa cadência plagal.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;Era setembro, quase um ano atrás. A seca estava braba, uma época dura para mim, mesmo tendo passado praticamente toda minha vida no cerrado; era o começo do fim, de certa maneira. Não foi nada fácil para mim, confesso. Mas o canto da sereia tomou conta do meu espírito e retornei ao mezanino. Mas isso, caso haja outra oportunidade, fica para depois.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-7792128899378624676?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/7792128899378624676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=7792128899378624676' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7792128899378624676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7792128899378624676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/08/liborio-ii.html' title='Libório II'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-4115314176299772006</id><published>2009-08-13T04:41:00.001-07:00</published><updated>2009-08-13T04:41:41.157-07:00</updated><title type='text'>Missiva Alheia</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Anda carcomendo meus miolos, mais uma vez, a preocupação banal acerca da escritura domada, sob seu jugo, fazendo tudo que você deseja, como se faz com um cavalo xucro. Segue até uma epígrafe de um poeta empolado que não gosto e não lembro o nome. Na última crônica percebi querer domar o indomável. Diante disso, não me atemorizei, e de lança em punho segue mais uma tentativa, sempre canhestra, como já anotado em crônica anterior. Dessa vez, trata-se de uma adolescente do século passado apaixonada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: right'&gt;&lt;span style='font-size:10pt'&gt;&lt;em&gt;Tão somente só&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: right'&gt;&lt;span style='font-size:10pt'&gt;&lt;em&gt;No dorso do tempo.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: right'&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: right'&gt;&lt;span style='font-size:10pt'&gt;&lt;em&gt;Corcel indômito&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: right'&gt;&lt;span style='font-size:10pt'&gt;&lt;em&gt;Fugindo das amarras.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt; T... março de 19...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Oi amorzinho!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Ô barbadinho, a saudade já ta sufocando, já não estou achando graça. Sinto ver as flores secando dentro dos meus livros; sinto ver seu retrato na cabeceira; não posso tocá-lo, nem senti-lo; é papel. E a camisa sem corpo, lembra-me a todo momento que falta uma grande coisa dentro de mim, que só vou encontrar quando o navio dos meus olhos se aportarem nos seus. Você tão longe e eu aqui escutando músicas que gostaria que ouvisse, pois sei que iria gostar. (Paulinho Nogueira só no violão). Queria dividir com você este momento musical, sentados no chão em volta de minha velha vitrola. Aí eu ficaria vendo você de olhos fechados ouvindo a música, te daria um montão de beijinhos ou quem sabe um só, lento, leve e silencioso como um despertar...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Quem sabe até as rosas dos livros renascessem com nosso amor, se abrissem lentamente como a música que ouço agora e enfeitassem nosso canto, como meu jardim, e do restinho de céu que posso ver de minha janela, a estrelinha camaleão se acomodando mudaria de cor várias vezes deixando nosso beijo azul, amarelo, branco... Estou me perdendo aos poucos com a sua lembrança, acho que ouvi você falar meu nome, acho que te beijei mesmo sem você estar aqui, meus lábios ficaram molhados... Sinto meus dedos percorrendo seu rosto, vindos da testa e se perdendo em sua barba. Acho que te vi, acho que vi um gatinho, que você até me olhou; senti isto, sorri. Acho que você deitou comigo sem saber, acho que te amo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Como faz falta este coraçãozinho que eu roubei, que lindo, meu amor é potente e acertou o alvo que eu quis acertar, laçou seu coração bem como eu quero... Que bom! Eu amo esse presente, esse agora, este fevereiro-março-abril. Nasci porque esqueci da angústia e do medo que me manteve escondida da vida, do amor. Estou apaixonada pela lua, por uma estrela, pelos rios e "pedras", cachoeiras e "barracas". Estou apaixonada pelas flores, pela poesia e pelo violão. Estou apaixonada por você, por mim, por nós...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: center'&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Continua na outra página.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: center'&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Não deixe de ler.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: center'&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Agora 1 minuto p/ os comerciais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: center'&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Beba sempre um SORRISO!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;E assim foi a tentativa de uma missiva. Ainda me parece que não fui talhado para a escrita. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman'&gt;&lt;em&gt;Esclarecimentos finais: eu, o poupadordeporra, não tenho nada a ver com o textículo acima. O cara pediu para eu publicar... publiquei! Fazer o quê? Digo também que isso aí me parece coisa de boiola, e mais não digo.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style='font-family:Verdana'&gt;&lt;br /&gt;					&lt;/span&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman'&gt;&lt;em&gt;É só, fui.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style='font-family:Verdana'&gt;&lt;br /&gt;					&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman; font-size:12pt'&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;					&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-4115314176299772006?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/4115314176299772006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=4115314176299772006' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4115314176299772006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4115314176299772006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/08/missiva-alheia.html' title='Missiva Alheia'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-9123967334027829435</id><published>2009-08-12T03:27:00.001-07:00</published><updated>2009-08-12T03:27:45.735-07:00</updated><title type='text'>Libório</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Meu nome é Libório, sou proprietário de uma grande distribuidora e podia me dar ao luxo de ficar o dia inteiro na rodoviária do plano piloto. Tratava-se de um de meus velhos hábitos, quando não tinha o que fazer em casa nem no escritório, passava as horas admirando as mocinhas em seus trejeitos sensuais. Procurava abordar as mais humildes e bobinhas, pois elas estavam mais propensas a aceitarem meus galanteios. Há uns cinco anos atrás, no mezanino, entre as escadas rolantes, tive uma visão inesquecível, tal era a beleza da fêmea. Oh! As suas belas madeixas fizeram com que eu parasse para recuperar o fôlego! Era um regalo poder ver todos os olhos voltando-se para aquele belo exemplar da espécie feminina. Parecia uma odalisca devassa. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Passei a cercar a caça. Observei detalhadamente seus gestos, olhares e o que fazia. Após ter tomado todos os apontamentos necessários, não titubeei e me aproximei com uma conversa fiada de dar vergonha no conquistador mais vulgar. Como eu havia visto minha deusa comprar passes para a Ceilândia não tive dúvidas em perguntar onde se comprava passes para a cidade. No que fui pronta e graciosamente atendido. Para não perder o fio da meada lancei mais uma pergunta sobre o endereço para o qual eu estava indo. Desnecessário dizer que sou profundo conhecedor do Distrito Federal, não só de Ceilândia. As cidades satélites me eram bastante familiar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Não foi difícil iniciar uma conversa. Faz-se necessário dizer que o destino me foi favorável, já que o endereço que eu assuntei era próximo de sua casa, o que me facilitou e muito a vida. Fomos deliciosamente sentados juntos. Não perdi tempo e me fiz solícito, educado, engraçado, atencioso, enfim, um perfeito cavalheiro. Quando descemos a convidei para um lanche. Mais uma vez o destino veio me felicitar. Havia próximo um lugarzinho na medida para deixar a ninfeta deslumbrada. Aconchegante e bem simples, como seu belo sorriso sempre com um ar matinal. Eu sabia que ela ia gostar, e muito. Provavelmente nunca tinha ido lá, embora o conhecesse, pois os preços eram proibitivos, não obstante o aspecto simplório do lugar. A comida era de excelente qualidade e eu sabia disso. "Muito bacana do plano baixa aqui pra rangar. Alguns até com seguranças". Falou-me ao ver aonde iríamos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Foi o início de minha queda, mas isso fica para depois. O espaço narrativo que me foi concedido ficou pequeno. Quem sabe o poupadordeporra não deixe eu terminar amanhã, ou mesmo depois.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-9123967334027829435?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/9123967334027829435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=9123967334027829435' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/9123967334027829435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/9123967334027829435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/08/liborio.html' title='Libório'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-3579119569383263639</id><published>2009-08-11T04:09:00.001-07:00</published><updated>2009-08-11T04:09:02.270-07:00</updated><title type='text'>Epístola aos Evangélicos</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;A escrita nos reserva segredos insondáveis, meu par de leitores. Digo isso ao sentar e perceber que não tenho assunto e que irei acabar gerando espontaneamente o que se segue. Essa frase é confusa, mas, como já dito várias vezes, não estou aqui para emendas e correções. A água nascente do pensamento segue seu curso. Não faço aqui análises que não estou talhado para tal. Antes, porém, é necessária uma palavrinha de esclarecimento. No momento em que digito esse textículo, em que faço essas reflexões, uma ponta de dúvida assalta meu pensamento. Seria mesmo possível dominar o texto de tal forma que ele reflita exatamente o desejado? Diante disso insisto na circunstância pouco caprichosa do teclado e o que sair saiu. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Como último comentário, pois não quero fatigá-los com narração minuciosa, digo apenas se tratar de uma tentativa que procura ser o mais fiel possível, sem trocadilhos, ao discurso de um pastor evangélico, vazio ou não, como já dito, não me compete. Boa leitura e que os céus me protejam da ira dos deuses.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;"Senhor eu oro para que os trezentos guerreiros tragam a adoração. Meu Deus, hoje o lugar é agora e você tem uma saída, Deus tem um milagre para mim. Derramarei de meu espírito as tolas aparências para acolher sua benção, para receber sua nova unção. A minha vitória é grandiosa, pois glorifico seu nome. Minha glória é uma mensagem abençoada espalhando suas palavras. Meu ardor por ti ouve tua sabedoria. Senhor tem pessoa que só cuida da roupa terrena. Essa pessoa não sabe que estamos diante de ti todo sempre e sua mensagem cuida da roupa espiritual. Bendito seja os servos que estão diante de ti todo tempo. Senhor coloca na minha boca a palavra certa, o instrumento que me permita estar diante de ti e produzir coisas boas. Bendito são os servos de Deus que bebem de sua sabedoria, pois sua palavra é poderosa. E é em nome desse poder que invoco o nome de Jesus para ordenar que o mal, tanto faz se com ele ou u, saia, que o capeta e a macumba saiam e não voltem mais".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;O que me causa espanto não é tanto o texto, mas o ator. Quem já teve o privilégio de presenciar o espetáculo sabe do que falo. E mais não digo, pois já se alonga minha demência.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-3579119569383263639?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/3579119569383263639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=3579119569383263639' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3579119569383263639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3579119569383263639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/08/epistola-aos-evangelicos.html' title='Epístola aos Evangélicos'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-1807752471309594791</id><published>2009-07-24T05:11:00.001-07:00</published><updated>2009-07-24T05:11:12.883-07:00</updated><title type='text'>Os Excluídos.</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Ontem de manhã, caminhando pela quadra, como de costume, vi uma cena tão interessante como absurda, que determinei logo seria o começo dessa crônica. Agora, porém, no momento em que digito, receio que minha linda leitora e meu cioso leitor não terão a mesma sensibilidade que eu para um episódio que pode parecer vulgar, e talvez indigesto. Releve a falta de sensatez meu par de leitores; graças aos deuses os gostos não são iguais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Entre o bloco C e o bloco D estavam um ser e sua família acordando. O lugar não era próprio para o remanso de uma estirpe, e o frio estava de cortar a alma, donde concluí que eram excluídos. Dedução mais besta, ainda mais usando uma palavrinha tão na moda. Instante depois vi o patriarca, assim me pareceu, levantar a cabeça e meio corpo. Os ossos lhe furavam a pele, os olhos mortiços vagavam sem rumo e de quando em quando miravam o horizonte, destituídos de qualquer perspectiva e sem a mínima noção do que fazer. O infeliz estava mais perdido que cego em tiroteio e diante de si uma fogueira improvisada dava seus últimos suspiros. Em frente ao animal, logo lembrei o famoso poema de um pernambucano, havia uma lata, deduzi conter restos de comida, e um galão com cinco, talvez quatro, litros de água.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;O que me pareceu, é que o homem fazia exame de consciência. O que ia em sua cabeça não me foi permitido saber, nem ao menos supor, já que essa escritura está tão dedutiva. De certo apenas o relento como companheiro. Teria vindo da Bahia? Seria mais um agricultor expulso de sua terra pela miséria? Democracia, comunismo, oligarquia, nenhuma forma de governo, teve em conta seus interesses, como diria certo bruxo carioca. Percebo, pelas últimas publicações, certo viés social em meus textículos. Coisa que nunca foi minha preocupação e achava até enjoado, pensava ser assunto para jornalistas e sociólogos, não de escritores, como se fosse possível dissociar uma coisa da outra e como se eu fosse digno de ser chamado de escritor.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Não fiquei para ver o desenrolar, e fui andando, não menos tranqüilo – com trema – que triste. Aborrecido pelo espetáculo inicial do dia, não podia furtar-me de remoer o lauto café.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;No outro dia, ansioso como um adolescente, passando pelo mesmo local, não vi mais os excluídos. Pesaroso, verguei-me ao meu egoísmo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-1807752471309594791?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/1807752471309594791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=1807752471309594791' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1807752471309594791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1807752471309594791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/07/os-excluidos.html' title='Os Excluídos.'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-3200020323364372073</id><published>2009-07-23T15:26:00.001-07:00</published><updated>2009-07-23T15:26:25.338-07:00</updated><title type='text'>Textículo Canhestro.</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Mal convalescia o espírito público do abalo que lhe causou a notícia do afastamento do diretor-geral do Senado, surgiram os casos do atual presidente da Instituição; casos tristes, para ser educado, por qualquer lado que abordemos, e sobre o qual a última palavra deveria ser dada pela opinião pública. Mas estamos no Brasil e somos impingidos por declarações as mais estapafúrdias possíveis. A última pérola do Lácio nos diz que é normal sair indicando parentes e namorados de semelhantes, nos fala que é prática corriqueira desde a colônia. Aliás, para refrescar a memória, o primeiro Governador Geral foi indicado. Portanto, nada mais natural que colocar nos quadros o cunhado da prima da amiga do genro de minha concunhada, que, aliás, não é parente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;A concupiscência nacional desconhece limites e diuturnamente amealha o butim em nossos suores. Bem sei se tratar de tema requentado, como eles gostam de proferir, de razões estruturais, como os revolucionários do boteco da catrevagem enunciam, de uma antiga herança cultural, como nos asseguram os sociólogos, da pasmaceira da população, como é garantido pelos que se julgam fora da tribo de que fazem parte. Enfim, há algo de podre no reino de Pindorama e não é de hoje. As razões? As desconheço. Como praticamente tudo ao meu redor.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Que pouco se cultue a honestidade nesta terra é o que muita gente afirma, há longos anos; é o que acaba de pronunciar um de nossos digníssimos representantes. Veja, deliciosa leitora, não que eu tenha algo contra fulano ou beltrano, é meu costume, quando não tenho assunto, coisa corriqueira, ir por esse mundo das letras, se assim se pode chamar esse textículo, tecendo as coisas mais absurdas. Como você já percebeu inúmeras vezes. Naturalmente a vista cansa, a mão se aborrece e a mente vaga errante. Dessa maneira, termino mais uma tentativa canhestra de escrita.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-3200020323364372073?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/3200020323364372073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=3200020323364372073' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3200020323364372073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3200020323364372073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/07/texticulo-canhestro.html' title='Textículo Canhestro.'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-3585857235931318624</id><published>2009-07-19T04:19:00.001-07:00</published><updated>2009-07-19T04:19:48.062-07:00</updated><title type='text'>Supremo e Sublime Deleite.</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Morar sozinho tem inúmeras vantagens. Tem lá seus percalços também, mas fiquemos com os benefícios. Dentre jogar cueca na sala, deixar esparramado o jornal, mijar fora do vaso, deixar a toalha na cama e tantas outras, não há uma sequer que se compare ao prazer de devorar uma melancia da maneira que lhe convier. E a minha é do centro, a parte mais docinha, para fora. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Nunca consegui entender a mania das mulheres em quererem que tiremos uma fatia, uma mísera pontinha do meio. Acho até que é um traço típico da personalidade feminina. Em minha convivência com elas estabeleci um método infalível. Tiro metade para mim e engulo ao meu modo. Esclareço, ainda, que não há remédio melhor para uma ressaca que uma suculenta melancia sendo comida de dentro para fora. Imagina só: você numa puta ressaca deliciando-se com uma baita de uma polpa vermelha e sua mulher te aporrinhando:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Porra poupador, vê se tira uma fatia para você. Será que você não pensa que outros querem a parte mais doce? Vai deixar só o toco próximo da casca?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Até tiro o jornal da sala, mas deixar o remédio de um moribundo para satisfazer o andamento perfeito do convívio? Jamais! Declaro-me guerreiro de um direito divino: consumir o essencial da erva trepadeira. Se for sem caroço então... Supremo e sublime deleite. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Aparentemente é um assunto fora de propósito, mas se meu dedicado leitor observar com acuidade; é melhor não dirigir-me à minha leitora, pois creio que esse textículo não esteja ao seu gosto; verás que o tema é do mais profundo interesse. Veja bem você: a metafísica que há em se comer melancia é a mesma dos chocolates, desculpe-me Campos, mas lembrei-me da tabacaria. Foi bom, porque assim não perdemos a visão de nosso oposto. O que é curioso é que nós, os descasados, estejamos ocupado, eu em falar de melancia, você em ler sobre. Acho que ainda não disse que meu único leitor é mais um ex nas estatísticas. Acho que o melhor é acabar e te dizer adeus. Adeus, caro leitor; se aqui vieres uma dia, pode ser que não ache o texto tão limpo, mas o coração é.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-3585857235931318624?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/3585857235931318624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=3585857235931318624' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3585857235931318624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3585857235931318624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/07/supremo-e-sublime-deleite.html' title='Supremo e Sublime Deleite.'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-1313775158316546834</id><published>2009-07-18T04:10:00.001-07:00</published><updated>2009-07-18T04:10:04.669-07:00</updated><title type='text'>A Verdade</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p style='text-align: right'&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;&lt;em&gt;"A verdade é uma fêmea que só é bela quando nova"&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: right'&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;&lt;em&gt;(M. Gorki)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Lembro-me de haver dito, um dia, que a verdade era uma criança rejeitada. Naturalmente a epígrafe foi o mote para que eu, em minha santa inocência, me imaginasse um filósofo de alta monta com uma paráfrase tão sem vergonha. A citação em questão está no livro sobre os Artamonov, lido em minha adolescência, sendo retomado agora e que foi um dos últimos do escritor. Aliás, estou só relendo. Nos dois últimos anos não tenho feito outra coisa. É bem verdade que sempre deixo um espaço para alguma novidade. Mas vamos ao que importa, ou seja, nada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;O final dos anos setenta foi penoso para minha ânsia de liberdade. As patrulhas davam o ar de sua graça truculenta. Tanto de um lado como do outro. As de esquerdas tinham em Gorki um de seus interlocutores, embora eles nunca tivessem entendido o russo barbudo e seu grito de indignação e protesto. Por contraponto execravam Borges, Nelson e outros. Os de direita vociferavam seu discurso em longas viagens de pau de arara. E eu, que não tinha nada com isso, ia lendo Gorki, Babel, Nelson, Borges e tudo que caia em minha mão, sem olhar a origem ideológica.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Isso me valeu o olhar torto da esquerda empedernida e a bisbilhotagem dos serviços repressivos. Desnecessário dizer que fiquei mal com todos, não obstante minha militância pueril contra a dita dura. Arrumei brigas homéricas por defender o fascista Ezra Pound, tive dissabores terríveis por colocar Albert Camus no panteão dos grandes escritores, fui violentamente vilipendiado por confessar meu prazer em ler Martin Heidegger. Não! Era imperativo ler o realismo socialista. Só? Nunca! Desde sempre soube me posicionar segundo meu espírito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;A verdade é que uma fêmea é infinitamente mais bela ao nos mostrar a verdade de nossa ignorância. E isso... só o tempo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-1313775158316546834?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/1313775158316546834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=1313775158316546834' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1313775158316546834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1313775158316546834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/07/verdade.html' title='A Verdade'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-3387133306302672860</id><published>2009-07-17T10:03:00.001-07:00</published><updated>2009-07-17T10:07:09.038-07:00</updated><title type='text'>Epílogo</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;Tudo aconteceu de inopino. A discussão colocou fim a um casamento com mais de trinta anos, quase quarenta. Foi o que ele pensou ao perceber um raio de luz penetrando pela única fresta que havia por um dos lados da cortina. Então lembrou subitamente do motivo da discussão. Com um queixume admitiu, sincero consigo mesmo, como era de seu feitio, seu pecado. Sou culpado, mereço ser castigado e nada pode redimir meu delito, disse balbuciando e lembrando imediatamente do romance russo. O que o aborrecia, assim como Stiva, não era o fato da traição, mas a maneira como se comportou diante do filho, nesse sentido bastante diferente da personagem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;L. era o caçula de oito filhos, todos vivos – os tempos são outros meu caro Príncipe Stiepan, e, da mesma forma que Dária, sua mulher já não ostentava beleza e desejos. Enquanto ele, graças aos avanços da medicina, estava feito galo garnizé – e L. era o único que estava por perto. A raspa do tacho ainda se movia sob as asas da mãe e se encontrava presente. Sem dar a mínima atenção para o pré adolescente, desafiou impropérios impensáveis em uma situação normal. Ainda ressoava em sua cabeça a imagem dos olhos do garoto, ao testemunhar aquela que seria a única briga do casal, em um misto de cólera, horror e desalento.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;Esta atitude embaraçosa foi o suficiente para que seus passos resolutos buscassem a porta. A esposa calou-se, não porque nada tivesse que fazer, mas apenas por não querer desvendar seus pensamentos mais secretos, nem mesmo ao filho. O tempo pareceu suspenso e uma densa névoa de desconfiança pairava no ar. Subitamente a empregada despertou os dois com o anuncio da chegada de visitas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;Agora naquele quarto de hotel se via sem chão, rodopiando a esmo por pensamentos desconexos e sem sentidos, com uma clara sensação de derrota se perdia nos meandros de histórias antigas como a do nascimento de M., a primogênita. Não haveria volta, ele sabia e não faria nada para mudar os rumos dos acontecimentos. Um ciclo se fechou e o desconhecido se apresentava diante de seus olhos cheios de lágrimas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-3387133306302672860?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/3387133306302672860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=3387133306302672860' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3387133306302672860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3387133306302672860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/07/epilogo.html' title='Epílogo'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-6848651807276525074</id><published>2009-07-16T15:08:00.001-07:00</published><updated>2009-07-16T15:08:14.143-07:00</updated><title type='text'>A Igrejinha e o Galeno</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Mesmo com atraso vou meter o bedelho na conversa. Um painel, ou dois, como queiram, embora eu acredite que o nó da questão esteja mesmo no painel da santa, divide o mundo religioso e plástico, sem ironia. Rolou na imprensa uma grande controvérsia causada pelos painéis do Galeno, as mais recentes criações do pintor, que tem admiradores e detratores, na Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, em um debate sobre religiosidade e morfologia que sua obra jamais suscitou. Cumpre esclarecer duas coisas: passei grande parte de minha vida naquelas adjacências e conheci o pintor por volta de 1979, tendo nos tornado amigos, distantes, mas amigos. Morando na 108 sul, estudando na Escola Classe da mesma quadra e na Escola Parque da 308, é natural que minha infância tenha tido o cheiro das velas queimando as asas das pombas. Depois de surrupiadas as bandeiras de Volpi, agora o obscurantismo quer dar um tiro final em pipas, carretéis e que tais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Segundo a associação das senhoras, não tão velhas, o pundonor religioso não admite brincadeiras. Coisa que não vejo absolutamente. A liga dos bons costumes não dá trégua. Meu parco conhecimento de história talvez não me dê o direito de afirmar que a igreja cristã foi íntima das artes. Não por acaso temos um enorme acervo graças ao trabalho dessa instituição. Não obstante o domínio de almas e corpos. Toda nefasta e hipócrita manipulação das escrituras caminhou ao lado de uma arte refinada, sacramentada pelos desígnios dos clérigos. Será que podemos prescindir do afresco monumental de Michelangelo na Capela Sistina? O que não dizer especialmente da criação de adão? Onde um homem maduro aparece nu? Os tempos eram outros... Ou poderíamos dizer que seria a própria personificação da luxúria e viadagem reinante?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;O pintor nacional Francisco Galeno deixa crescer seu sentimento lúdico e com um azul profundo, meio céu de Brasília, sacia a sede das paredes e não altera seu antigo e peculiar traço. Não lhe assenta a santa? Deve essa assumir forma diversa da escolhida pelo artista plástico? Em face destas indagações, eu, com minha santa fé atéia – com acento – aceno com um adeus para esse textículo tão mal ajambrado. Contudo, mais uma palavrinha se faz necessária. Foi atrás do chapéu de freira que conheci os primeiros encantos das moças e desculpe-me, minha ciosa leitora e meu dedicado leitor, o tom confessional. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-6848651807276525074?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/6848651807276525074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=6848651807276525074' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6848651807276525074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6848651807276525074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/07/igrejinha-e-o-galeno.html' title='A Igrejinha e o Galeno'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-1750584152517009561</id><published>2009-07-15T13:53:00.001-07:00</published><updated>2009-07-15T13:53:54.382-07:00</updated><title type='text'>Poeira no Planalto.</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Quase sempre eu sumia no cerrado, o que deixava minha mãe em polvorosa. Era uma Brasília poeirenta, solitária, carregando em seu dorso as árvores tortas de cascas grossas e folhas duras, desconhecida e que, à luz de sol, se estendia diante de meus olhos atônitos. Morávamos na cento e oito sul, cujos blocos já estavam prontos. Fosse por falta de opção, fosse por causa da inexistência de mercados, aqueles passeios terminavam sendo uma farta feira, melhor que a única mercearia de um japonês em um raio de quilômetros. Pequis, cagaita, gueiroba, ou guariroba, como queiram, araticum, buriti, cajuzinho faziam parte do farnel. Além das retinas repletas de tatus, tamanduás, lobos, maritacas e uma vez, até vi um gato do mato bastante grande, achei que era uma jaguatirica. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Àquela hora o sol estava em todo seu esplendor e eu já não divisava com clareza os blocos se erguendo na quadra vizinha. E é desde essa época meu encanto com a luz dessa cidade. Não tinha, e não tem nada a ver com nada, a não ser comigo mesmo. Atraía-me, doía-me e deixava-me pensativo. Ainda hoje isso me acontece, a despeito de minhas sinusite e fotofobia. Se a &lt;em&gt;Ville Lumiére&lt;/em&gt; é a cidade dos livros, a Capital da Esperança é a da arquitetura. Não há nenhum monumento nesta cidade que não seja uma obra de arte. Esta urbe se inscreveu tão indelevelmente na arquitetura porque nela mesma há um espírito de argamassa. Não teria ela, a maneira de deuses benevolentes, forjado os motivos de sua edificação, de longa data, desde o Império, como uma paciente artífice do tempo? &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Hoje a jovem senhora, não obstante seu ar gracioso, já não ostenta o garbo de antigamente. Das veredas sobraram a confusão e o desatino. De uma fazenda sem cercas passou a síntese das mazelas. Verdadeiras aves de rapina promovem diuturnamente uma carnificina nas entranhas da cidade e não há nada que sacie sua sede. E, sem querer, levamos uma fama que não nos diz respeito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-1750584152517009561?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/1750584152517009561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=1750584152517009561' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1750584152517009561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1750584152517009561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/07/poeira-no-planalto.html' title='Poeira no Planalto.'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-7791247099960779809</id><published>2009-07-09T07:04:00.001-07:00</published><updated>2009-07-09T07:04:57.855-07:00</updated><title type='text'>Lume da Manhã</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Acordou noite alta, e, no primeiro momento, experimentou aquela terrível desorientação que o escuro provoca nos sentidos. Seria incapaz de definir qualquer coisa que fosse do quarto, as dimensões, o abajur lilás, o quadro, única sobra dos tempos idos, de E. R. L. Ela sempre se deitava tarde, pois herdara os hábitos notívagos de seu pai e com esse repentino despertar não dormiu nada, o que contribuiu ainda mais para seu aspecto sonambúlico. Pensava estar na fazenda, com as enormes chaves penduradas no pescoço e com afazeres ditados pela mãe.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Era no fim do verão, e ela recebera uma carta de seu pai dizendo-lhe que voltasse. Estava no quarto, não o da herdade, o mesmo que a avó Zefa usara antigamente e era, como os da fazenda, disposto ao longo da varanda, ornamentado apenas pela paisagem marítima de um porto pequeno. Além disso, uma estampa de certa virgem pendia sobre uma das cabeceiras. Encarava os espaços vazios como algo muito mais que saudades, davam-lhe a impressão de que alguma coisa acabou, e que ela era a única culpada pelo fim.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Vivia cercada de presságios, desejos e de tédio. Na verdade, ela, desde o início, dava continuidade em sua longa peregrinação ruma a uma densidade de idéias – com acento –, em uma obscuridade de pensamento que lhe esvaía os sentidos, que a deixava lúcida só para a insistente canção penosa do coração. Acabrunhava-se. Tentava encarar aquilo como um passatempo. Mas, aos poucos, começou a achar apenas fastidioso o fato de ter relações, para ela as relações entre criaturas era uma soma onde não havia fantasias. Ela pouco sabia do homem, de sua sedução quase cândida, de seus encantos fúteis, de sua petulância graciosa, de sua curiosidade desvairada, de sua circunscrição em determinada época, dos prazeres femininos, da euforia tirânica que exercem as mulheres sobre os homens apaixonados, dos trinados sutis dos amorosos. Enfim, sua aguçada capacidade selvagem de defesa, de astúcia, lhe conferia um ar sibilino.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Eis nossa personagem. Agora, na casa da cidade, apenas ela velava. As velas ardiam para o silêncio e a solidão, e suas chamas azuis estendiam-se nas profundezas de seus olhos. Assim decorreu o resto de noite, as velas reduziram-se, lambendo os estertores da língua de fogo e o lume da manhã abrindo o pano para mais um espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-7791247099960779809?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/7791247099960779809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=7791247099960779809' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7791247099960779809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7791247099960779809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/07/lume-da-manha.html' title='Lume da Manhã'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-4887045448068283987</id><published>2009-06-18T06:43:00.001-07:00</published><updated>2009-06-18T06:43:32.313-07:00</updated><title type='text'>Inícios</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Quantas vezes, sonhando acordado, não estive com o pensamento longe de mim. Felizmente para minha reputação de racionalista, uma imensa cortina de exotismo também me revestia e possibilitava que a altura de minhas muralhas jamais fosse escalada. Sendo assim minha soberba continuava inatingível, profundezas marítimas de uma personagem grave, de uma sisudez contida. Talvez fosse um início para esse escriba.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Era uma dessas pessoas que, a despeito de uma carreira brilhante, possuía uma vasta e ampla cultura, não servindo absolutamente nada para o exercício de seu ofício, mas era o fio condutor de sua conversa leve e repleta de sabedoria. Mais letrado que muitos ditos escritores – eu não sabia naquela época de sua reputação como literato – possuía o encanto da "ignorância" infantil. Poderia ser outro começo para certo francês.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;A cidadezinha de Santa Lagoa Tapada de Nossa Senhora é um desses brincos que se escondem no interior e pode ser considerada uma das mais bonitas da região. Suas casas coloridas perfilavam ao longo da larga rua central emoldurada ao fundo por uma igreja branca com duas torres pontiagudas em suas laterais. O riacho Sombrinha Boa correndo atrás e ao largo dava ao lugarejo o toque final do bucolismo. Seria princípio diverso para um grenobliano.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;A Catrevagem era um bar na quadra de nossa cidade. Era lá que nos encontrávamos todo final de tarde para jogar uma conversa fora em doses generosas, salpicadas de bolinhos, pastéis e toda sorte de quitutes feitos pelo proprietário. Era praticamente nossa segunda casa, para uns e outros a única. Cada canto, cada coisa, cada copo nos era bastante familiar e tínhamos um enorme prazer em estar ali. Salustiano, um cearense com pouco mais que trinta anos, era o dono. Talvez uma solução inicial para meu conterrâneo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Os inícios são muitos e o fim pouco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-4887045448068283987?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/4887045448068283987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=4887045448068283987' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4887045448068283987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4887045448068283987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/06/inicios.html' title='Inícios'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-7070141733289056184</id><published>2009-06-17T05:08:00.001-07:00</published><updated>2009-06-17T05:08:04.485-07:00</updated><title type='text'>O Mala Enganado</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;O cabra entrou ressabiado, como quem não confia nos próprios passos. Sujeito baixinho; pouco mais de um metro e cincoenta, magro, sombrancelhas arqueadas e um par de olhos abertos e esbugalhados; era um vaporzinho de bagulho em uma boca de pouco movimento. Estava muito mais para papagaio de pirata do que malandro. Mas se achava o tal. Pensava que fazia e acontecia. O escrivão, do alto de sua arrogância subalterna, aquela do tipo subserviente aos maiores e sonhando em ser o maioral, interpelou o camarada:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- O indíviduo tá querendo o quê?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Bem doutor, é que... sabe, fico meio sem jeito, aqui nesse lugar...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Desembucha ou desembesta, não fica de lorota não.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Sabe doutor, é que fui enrrolado por uns malas aí e tô a fim da caveira deles.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Você quer fazer uma queixa? É isso?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Isso Doutor, uma queixa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Entra, vai falar com o Doutor.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Sem resmungar o Mané entrou na sala. Mas, o delega, que andava bronqueado com a mixaria que ganhava, não estava a fim de suportar malandro chorando pitanga.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Qual é a parada?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Acanhado, o mala tremeu nas bases e ficou mais parado que poste. Não se mexeu, não pronunciou uma palavra, abaixou a cabeça e tentou sair. Não pôde. Todo ruim dentro da roupa, o delegado vociferou:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Que que há, pilantra? Perdeu a língua? Tá pensando que isso aqui é hotel? Que tu quer? &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Tudo aquilo enjoou o loque. Malandro manso e tinhoso como era, percebeu que tinha entrado na maior roubada. O jeito foi contar o caso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;-Bem doutor, tava eu lá na maior batalha, sabe como é, os bacuri prá criar, mulher pra sustentar, a gente se vira nos trinta, faz o que pode e o que não pode pra se ajeitar nas quebradas do mundaréu. Como ia dizendo pra vossa merítissima, tava na maior ralação, ganhando o leite da molecada e uns pilantras me deram a maior volta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Porra, diz logo o que aconteceu, não enrola.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Como eu tava dizendo, uns otários me engrupiram. Compraram e não pagaram.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- E o que eles compraram?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Maconha.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;A resposta foi um tremendo esculacho:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Vai prá puta que o pariu, seu desgraçado. Tou dormindo e tu vem aqui pra isso? Agora tu vai ver. É cana, vagau. Se tu se coçar, ta fudido.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;E, xingando, o delegado se afastou e foi tomar as providências para enjaular o otário.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;O escrivão, rindo da cara de surpresa do papagaio, até achou graça e deu a letra:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Trouxa tem que comer capim pela raiz.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;E assim mais um foi ver o sol nascer quadrado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-7070141733289056184?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/7070141733289056184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=7070141733289056184' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7070141733289056184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7070141733289056184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/06/o-mala-enganado.html' title='O Mala Enganado'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-2556579352050096576</id><published>2009-05-31T05:59:00.001-07:00</published><updated>2009-05-31T05:59:39.385-07:00</updated><title type='text'>O Cortejo</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Tiziu estava bastante indócil. Uma inquietação pela casa, um vaivém sem fim. Entrava e saia da sala, farejava em volta da mesa, deitava para logo em seguida levantar e sair. "Cachorro, por exemplo, vê o que gente não vê, ouve o que gente não ouve". Essa frase do conto "Na Estrada do Amanhece" de meu quase vizinho Corumbaense, me veio imediatamente à lembrança. Bela cidade com um rio lindo e perigoso, bem próxima daqui, a sede do poder. Em José J. Veiga há uma escolha por personagens infantis, ou melhor, aquela passagem da infância para a adolescência onde o imaginário mágico vai cedendo o palco para uma representação banal da realidade. O momento em que nossas fantasias vão sendo trocadas por sisudos trajes de uma ópera vazia, esmaecendo toda vivacidade do sonho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Voltemos ao nosso caso. Cansado de andar de um lado para outro, de entrar e sair da sala, Tiziu, em sua negritude angustiada, deitou-se embaixo da mesa e ficou olhando fixamente o quarto. Assim como no conto, não pude de deixar de notar como os animais pressentem a morte, adivinham quando ela está chegando, se aproximando inapelavelmente. Coisa que nossa pretensa racionalidade não descortina. Mesmo as pessoas predispostas ao vaticinio, não chegam perto. Os místicos chamariam a isso de predestinação ou premonição, os materialistas diriam intuição, percepção analógica, eu diria... que sei eu?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Minha deliciosa leitora poderá defender-se e dizer que os homens também adivinham a chegada da dama solerte. Um amigo nosso em comum, o poupadordeporra, já contou aqui sobre o pião da fazenda de seu avó que pressentiu a morte. Não creio que a senhora se lembre. Mas o fato é que quando se sente o hálito frio na nuca, imagenzinha mais gasta meus deus, as pessoas se amedrontam ou tentam ajeitar seu passado desarticulacado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Tiziu mais uma vez se levantou e saiu. Dessa vez tomou rumo determinado na direção do pé de jatóbá onde costumava ficar com seu dono, ao final da tarde, folgando idéia – com acento – na lonjura do horizonte. De lá não saiu mais e não viu o cortejo saindo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-2556579352050096576?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/2556579352050096576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=2556579352050096576' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2556579352050096576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2556579352050096576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/05/o-cortejo.html' title='O Cortejo'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-8620361083270762828</id><published>2009-05-29T05:14:00.001-07:00</published><updated>2009-05-29T05:14:13.826-07:00</updated><title type='text'>Raparigas de Vigário</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Tendo tido conhecimento das calúnias e das injúrias que seriam assacadas pelo Belarmino contra a nobre e valorosa esquadra tricolor, Amadeu mandou empastelar aquele folhetim marrom de merda. O Godofredo, delegado da localidade, logo que soube dos acontecimentos, foi meter a colher no angu de caroço – sem hífem. Na confa que se formou na sossegada Aperibé, o que é um pleonasmo, pois o nome já diz tudo, os motes principais do momento eram o jogo do time local com o rubro negro da cidade vizinha, se não me engano São Fidélis, e o atentado ao jornal. O vilarejo com pouco mais de nove mil habitantes no noroeste fluminense, estava eufórico com a subida do time local para a segunda divisão do estadual e andava acompanhando com fúria e denodo todos assuntos relacionados ao esporte bretão. E foi para o sobrinho do Belarmino que sobrou.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Godofredo, torcedor fanático da urubuzada, assim como Belarmino, tinha lá suas simpatias com o adversário, afinal as cores eram as mesmas. Era, por assim dizer, filhote do time da capital e além de tudo são nossos vizinhos, costumava dizer. Coisa inadmissível para os nativos e sua rixa com os habitantes dos arredores. Onde já se viu, a autoridade policial maior puxar sardinha para o inimigo? De certa maneira a cidade se viu ao lado do Amadeu e legitimou o empastelamento. Cioso de sua missão de homem da lei, o comissário, mais sério que porca mijando, mandou averiguar os fatos e cocluiu que o sobrinho foi o mandante. Basta cumprir a lei dos homens, porque a liberdade de expressão é parte do estado de direito em que vivemos, disse o representante dos preceitos legais. Foi então preso o sobrinho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;O que chamou minha atenção não foi tanto a escaramuça em si, mas a notícia involuntária da cornucópia. Um dos chifrudos, o Belarmino, já sabia de sua sina. E o mais curioso era que a galha lhe caia bem. Verdade que ninguém precisaria de um exercício profundo de observação para notar o cervo sendo cevado. Já o outro guampudo, o Godofredo, fazia o tipo último a saber. Todo mundo sabia que o sobrinho andava fazendo visitas naquelas duas casas. Na noite do ocorrido a cidade estava apreensiva, já que os rios Pomba e Paraíba do Sul estavam indóceis e cheios. Ningém reparou na ausência do sobrinhos e de duas personagens das mais influentes. Estavam mais escondidos que rapariga de vigário. Mas isto fica para depois.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-8620361083270762828?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/8620361083270762828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=8620361083270762828' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8620361083270762828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8620361083270762828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/05/raparigas-de-vigario.html' title='Raparigas de Vigário'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-8274456757384822609</id><published>2009-05-20T07:18:00.001-07:00</published><updated>2009-05-20T07:18:00.736-07:00</updated><title type='text'>Corrida de Rua</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Eu e meu amigo careca resolvemos participar de uma corrida de rua, meio por pilhéria e meio por sarcasmo um com o outro, coisas naturais desde o início de nossa longa amizade. Do alto de nossos bem vividos quarenta e cinco anos, já tomando a curva do Cabo das Tormentas, estabelecemos um rigoroso cronograma de treinamento. Cada vez que eu entrava na academia tinha calafrios. O ambiente parecia com uma daquelas câmaras de tortura da Idade Média. Um por um os aparelhos me fitavam ameaçadores, rosnando sua sede de sangue. Por eternos quatro meses me submeti a sessões diárias de duplo sacrifício. Explico: a música, do tipo bate estaca, ecoando naquele salão reveberador era a cereja no bolo do suplício.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Eis que finalmente chega o grande dia. Um belo e claro dia de seca no cerrado, mas isso fora previsto em nosso planejamento minucioso. O careca está ao meu lado e ao nosso redor um punhado de gente animada. Notei a barriga saliente de meu camarada e pensei: bem, do careca eu ganho... mais mole que mastigar água. No primeiro quilômetro estavámos juntos. Não resisti e soltei uma piadinha, o que me consumiu energias vitais. "Ei Careca,  com quantos quilos se afunda uma canoa?"  Com isso o danado abriu dois corpos na minha frente. Meus brios se estremeceram e saí em polvorosa atrás daquela barriga insolente. Não poderia perder, seria humilhação demais. Depois de um esforço supreno, consegui chegar junto e não resisti novamente. "Careca, você acha que o desprovimento de pelos capilares melhora seu rendimento?" Mais uma vez ele se distanciou, dessa vez abrindo grande vantagem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Nisso alguém me jogou um copo com água. Simbologia de minha ruína? Desejei a presença do cara que parou o Vanderlei Cordeiro por perto, assim ele poderia ser minha desculpa perfeita. As vistas escureceram e vi perfeitamente o retrato de minha capitulação. Decidamente nasci para jogar no máximo uma dama, talvez bocha. Não! A bola é muito pesada. Fiquemos com o halterocopismo, nesse sou imbatível. Assim termina minha única e última aventura no reino dos esportes. Hoje, depois de dobrado o cabo das tormentas e já chegando ao porto, no destino final da travessia, apenas contemplo as estripulias dos meninos de minha quadra.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-8274456757384822609?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/8274456757384822609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=8274456757384822609' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8274456757384822609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8274456757384822609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/05/corrida-de-rua.html' title='Corrida de Rua'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-5343449520484107826</id><published>2009-05-16T04:11:00.001-07:00</published><updated>2009-05-16T04:11:03.248-07:00</updated><title type='text'>Bruxos Sanguinários</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Eu estava muito cansado, recostei em uma árvore e não vi mais nada. Como última lembrança apenas as luzes amarelas do sol surgindo por cima dos morros. Sinal de que o dia estava chegando. Depois disso o escuro. Quando abri os olhos estranhei a imensidão do quarto simples em que me encontrava. O teto se colocava diante de meus olhos com todo esplendor de construção antiga. As longas vigas de andiroba, pintadas pela pátina do tempo, sustentavam uma daquelas casas de fazenda, sem forro e com os longos braços da estrutura se estendendo do centro para os lados. Logo senti um cheiro de café como há muito não via. Lembrei de minha mãe. Pela manhã, na fazenda, o cheiro exalava do bule e tomava conta de toda casa. Sem muita demora um alarido de gente começava a fervilhar no espaço. Era como se o aroma negro despertasse toda uma alegria adormecida, funcionando como um despertador pelas narinas. Éramos oito. Uma escadinha uniforme e exata distribuida em quatro meninos e quatro meninas. Como não pode deixar de ser, em uma família mineira como a nossa, havia também os agregados: meu tio paterno Claudionor, meu primo Adamastor, filho de meu tio, minha vó materna Adalgisa, o mala do meu cunhado e finalmente, porém não menos importante e imprescindível, a gostosa de minha prima, fonte de minhas primeiras sedes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;É preciso dizer que ao longo dos anos, como soube depois, a morada estranha foi tomando fermento para acomodar os novos moradores. Era, como já disse lá no início, uma vivenda imensa. Não sei qual foi a razão, mas me senti como se estivesse em minha infância. Tudo ali me lembrava a Cajuzinho Azedo. Desde as primeiras até as últimas, as impressões me levavam em um devaneio pelo tempo, um caminhar sem rumo em direção ao distante passado e cada vez mais longe do horizonte. Acho que já falei aqui nesse espaço sobre a indimensionável lonjura do horizonte. Deixemos de filosofice barata e tratemos de dar a pincelada final em relato tão absurdo. O fato é que o primogênito da simpática família achou-me desfalecido na estrada e trouxe-me para os cuidados de sua mãe. O médico mais próximo estava cerca de quinhentos quilometros e a faz tudo da região era exatamente D. Maria. Com muitas ervas a anciã retirou-me, palavras dela, dos braços do tinhoso. Fui uma luta danada. O sem nome não largava de jeito nenhum. Segundo ela meu olhar era frio que nem brasa adormecida. Sinal de que já houve vida nesse coração.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Devo admitir que a velha me atingiu a alma. Em um segundo toda minha vida se revelou dinte de minhas retinas atônitas. Finalmente me dei conta da mentira que forjei em torno de mim. Caiu a ficha e tomei consciência de minha palidez moral. Ao me enveredar na trama da cidade, soltei a rédea do alazão bravo nas mãos de bruxos sanguinários.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-5343449520484107826?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/5343449520484107826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=5343449520484107826' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/5343449520484107826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/5343449520484107826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/05/bruxos-sanguinarios.html' title='Bruxos Sanguinários'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-6316775700329416457</id><published>2009-04-16T07:32:00.001-07:00</published><updated>2009-04-16T07:32:04.529-07:00</updated><title type='text'>A Hiena</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;É um verdadeiro prazer, minha querida leitora, dedicar a você um textículo cujo assunto, mais uma vez, desconheço e cujos detalhes fogem aos meus olhos. Não se trata aqui, como já observado várias vezes, de examinar o fundo da temática, o que envolveria doutrinas nas quais não navego. Notemos apenas que sua sensível antena capta tudo que me escapa. E, ao perceber o que você realizou por força de sua vontade e como mudou a sua vida pelos poderes da imaginação e da análise, sinto-me menor, menos pronto a qualificar de escrita o que se segue. Bem sei de sua constante preocupação com os fenômenos artísticos aliada as inquietações metafísicas dos grandes romancistas. Para meus parcos leitores, essa coexistência, da observação e da fantasia, não aparece em meus rabiscos e é, precisamente, um dos segredos de minha medíocridade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Há pessoas, boas e pacientes como você, que passam pela vida com um pensamento doce no coração e a suave serenidade de um sorriso terno nos lábios. Há outras, como eu, sempre alertas para a ironia, que fazem do escárnio a grandeza de suas cenas.  A senhora já deve ter notado as desilusões e os dissabores marcando as rugas reflexivas de minha empáfia literátia. Acredito, por outro lado, que tenhas percebido, ao contrário da Clarice Lispector, que estas narrativas não passam de uma gralha crocitando. Antes de ir adiante lancemos o olhar um pouco mais adiante. É possível que minha meticulosa leitora goste de encontrar aqui, antecipadamente, uma espécie de opressão mascarando a delicada aurora, velando o estado fragilizado do autor.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Na verdade, minha extraordinária graça, as luzes sombrias da desgraça colorem meu rosto lívido e minha doce resignação não passa de uma câmara mortuária revelando a miséria suprema. É uma espécie de sinistro pressentimento, uma indefinível e confusa visão do futuro. Como uma hiena diante da carniça me debruço em um sentimento difuso, me contorço e experimento uma derrota íntima, daquelas profundas, essas profundezas com que os grandes pintores colocam em relevo a alma do objeto, ou pessoa, ou paisagem pintada. Como sempre é preciso aplicar as leis da arte narrativa, com essa última assertiva, cuja despropósito é óbvio nessa narrativa, termina aqui esse textículo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-6316775700329416457?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/6316775700329416457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=6316775700329416457' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6316775700329416457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6316775700329416457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/04/hiena.html' title='A Hiena'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-8192256837170919815</id><published>2009-04-10T03:02:00.001-07:00</published><updated>2009-04-10T03:02:14.868-07:00</updated><title type='text'>Bobagens sobre nada…</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Gostaria de escrever algo sobre o nada. Desejo muito estar em mim, mas não existo. Não sou de verdade, sou uma personagem projetada, uma mera ilusão. Um dia pensei em ser feliz. Tola ilusão, doce parcimônia de um espírito louco. Um dia, não faz muito, sonhei em ser alegre, tudo, mais uma vez, não obstanbte minha amargura, se tornou mera ilusão. Meu cioso leitor há de desculpar os devaneios dessa mente corroída pelo álcool, pela miséria humana  asssolando meu peito, vá lá, eu sei, é vulgar, tenho plena consciência de meu prosaismo, diria até pernoticismo. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Assim como você, minha sensual leitora; aliás me vejo obrigado a reparar que de todas as pessoas que vêm aqui, a senhora é de quem gosto mais, não que seja lá um elogio, porque não vem tanta gente assim; não tenho em mim a  pretensão de ser, apenas estou, meio deslocado, sem jeito, mas estou. As míseras estirpes do acaso e da aflição, eis aí minha condição. Não ter nascido, não ser, seria melhor ainda. Contudo, estou aí, vagando a esmo pelo mundo, copo na mão e cada vez mais parecido com meu pai. Então sobrevivo a mais um dia de perdas. As recentes, com feridas carcomendo a alma, exalam um cheiro pútrido, proveniente de pus infeccionada, revelam descaminhos antigos, agora ressuscitados pela esperança frenética da ventura. Um dia imaginei a satisfação como uma bela moça de olhos brilhantes, cuja sede de liberdade lhe fosse bastante cara.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Confesso que minha mente é errante e não emprego nenhum engenho na imposição de uma disciplina. Recuos, manobras, mesmo as mais simples, são desconhecidas de meu ritmo intelectual. A sensatez, o discernimento são coisas com as quais não me ocupo. Não vejo interesse algum na prudência. Ademais, não serei eu a cortar o elo da cadeia que prende o senso comum. Estou velho, cansado e acabado; sou tão interessante como o jornal da semana passada. Recordo-me do dia em que conheci a beleza e a injuriei, como diria certo herdeiro da ancestralidade de bardos gauleses. Foi um dia singular, uma sucessão de estranhos pressentimentos mostrando o fim. Trajetória já revelada de minha infâmia. Os caminhos sinuosos do destino já traçados na dura retina. Eu sempre soube que havia coisas erradas comigo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Para não me alongar agradeço a presença de meus dois leitores. Foi muito gentil terem vindo hoje – perdendo um tempo precioso com textículo tão mal alinhavado, tão longe de suas ocupações, e eu sou apenas um menino maluquinho, ainda. Sim, só me ocupo com bobagens. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-8192256837170919815?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/8192256837170919815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=8192256837170919815' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8192256837170919815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8192256837170919815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/04/bobagens-sobre-nada.html' title='Bobagens sobre nada…'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-2965264233188921426</id><published>2009-03-19T05:19:00.001-07:00</published><updated>2009-03-19T05:19:34.092-07:00</updated><title type='text'>Textículo Insolente</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Quando publiquei os primeiros textículos nesse espaço virtual, meu cioso leitor e minha sensual leitora acharam simplesmente detestável. Constatou-se ligações literárias indignas com Machado de Assis, Jean Paul Sartre, Xavier de Maistre, Dyonélio Machado e tantos outros. Sua escrita não tinha leveza nem colorido, afirmaram. A estrutura, quando havia, era pobre e mal ajustada. A temática era rebuscada, anacrônica e de um filosofismo duvidoso. Em resumo: acharam execrável. Seguiram-se críticas durante o trajeto. Foi salientado o absurdo, o vago, o emprego indiscriminado do diálogo direto, o sentimentalismo, muito a propósito, diga-se de passagem, em narrativas como essas, pretensamente eruditas, a especulação revela tão somente um narrador ignorante. Concordo em tudo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Como se sabe, a ostentação de palavras soberbas não passa de um textículo insolente. Eu, o editor, faço como Pilatos e não me envolvo em tais questões. Deixo a contenda para os sábios mais sagazes da cultura, do saber, da filosofia, enfim, os geradores de dúvidas. Já o disse anteriormente: assisto impassível a invenção da incredulidade. Se não me falha a memória, em sua última crônica o poupadordeporra, ao fim de um incrível esforço criativo, especulou sobre o real, dando, inclusive, como título uma citação de Goya. De seus propósitos insensatos restou apenas a impressão de que o narrador está cansado de si próprio. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Sucedeu, porém, que li, em uma das melhores publicações do mundo cibernético, uma crônica em tudo semelhante à do poupadordeporra. Meu primeiro impulso foi vociferar contra crime tão hediondo e denunciar ao mundo o plágio. Forçoso reconhecer, porém, que a máxima publicitária vigora e nada se cria, tudo se copia. Creio que as questões fundamentais da natureza humana já foram formuladas e não passamos de meros papagaios repetindo o velho bordão. Suponho que o que move essa maquinaria, tanto a do narrador como a do autor, é um destino tenebroso, cruel onde a ânsia funesta não é mais que uma frívola esperança. Acredito que ambos ficariam felizes se pudessem riscar da memória tudo que leram, viram ou ouviram, ou seja, o branco total.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Devo reconhecer, nesse ocaso, o louvabilíssimo empenho dos escribas em amortecerem a vaidade da escrita, quiça para nossa própria satisfação. Como último comentário, acrescento minhas desculpas por ser, digamos, um parvo nesses assuntos. Contudo, sem me promover, naturalmente já puxando sardinha para meu lado, assumo meus suspiros desprezíveis, confesso que meu olhos se enchem de prantos ao perceber minhas dores expostas, reconheço que me consumo em um mal que desconheço: o textículo insolente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-2965264233188921426?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/2965264233188921426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=2965264233188921426' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2965264233188921426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2965264233188921426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/03/texticulo-insolente.html' title='Textículo Insolente'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-7860552877960748345</id><published>2009-03-18T04:42:00.001-07:00</published><updated>2009-03-18T07:20:17.097-07:00</updated><title type='text'>“O Sonho da Razão Produz Monstros”</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/ScEC2sTv9YI/AAAAAAAAAAs/u5_okY_TpoI/s1600-h/200px-Le_songe_de_la_raison.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 297px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/ScEC2sTv9YI/AAAAAAAAAAs/u5_okY_TpoI/s320/200px-Le_songe_de_la_raison.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314532173904082306" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Está decidido, minha boa leitora, parto. Abandono a desolação das ruínas, deixo esse claustro sombrio e tomo o destino dos mortos. Rio Aqueronte será minha fonte, meu mergulho em terras mais felizes. Antes de ir adiante, talvez seja melhor, antecipadamente, inventariar, embora eu não seja propriamente um materialista pragmático, a razão pela qual insisto em tecer as insígnias de minha pobreza. Minha alma apodreceu sob a ação da realidade. Miseravelmente corro para uma perda inevitável, arrasto-me disfarçando o horror de olhar para mim mesmo. É meu desejo partir, o barco está pronto e o rio é sem terceira margem. Esse princípio de melancolia ousa revelar abertamente meus ardores insensatos, escancara os anos que fizeram vergar as tristezas de todos nós.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Eu, de bom grado, mudaria o curso das coisas, se estivesse em mim essa possibilidade. Modificaria meu caminhar lento, afastaria a tristeza, cuja causa reside na própria vida, e, decidamente, removeria esse ar diabólico de meus olhos. Contudo, meu estado aflito, acabrunhado não tem história, não conhece os limites da verdade e me é impossível alterar qualquer acontecimento que seja. Mas há de se reparar bem nessa coisa interessante, minha doce leitora: a razão é um embuste.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Goya, conforme minha leitora pode comprovar lá no início, vai nos dizer que o sonho da razão produz monstros. Já a idéia platônica nos diz que ela é inerente ao ser humano e ela só pode existir em contraposição ao mundo de nossas emoções, aos sentimentos, às paixões, que são cegas, caóticas e desordenadas. Você, minha linda leitora, como pessoa bem informada, eu diria uma intelectual, há de convir comigo que isso é aborrecido e não carece de maiores abordagens, já que a literatura especializada é farta e eu não passo de um especulador barato, um ignaro com rompantes de "sábio". Argumento com o qual concordo em número, grau e gênero. Portanto, deixemos de filosofices e vamos dar cabo nesse textículo. Eu, como um sensitivo, não faço questão de idéias.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;É certo que meus vizinhos não viram – não poderiam ver, ninguém seria capaz de ver – a comoção tomando conta de mim. O fato é que ninguém nunca mais me viu. Nunca mais! Parti rumo à torrente e assim me foi destinado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Acontece muitas vezes que um trecho mal escrito, mas digitado por mãos sob a influência de um sentimento profundo, com demonstrações de suplício e prazer, cause uma impressão maior que os grandes romances, aqueles urdidos por artíficies junto aos quais jamais chegarei.  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-7860552877960748345?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/7860552877960748345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=7860552877960748345' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7860552877960748345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7860552877960748345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/03/o-sonho-da-razao-produz-monstros.html' title='“O Sonho da Razão Produz Monstros”'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/ScEC2sTv9YI/AAAAAAAAAAs/u5_okY_TpoI/s72-c/200px-Le_songe_de_la_raison.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-8264094403741849872</id><published>2009-03-13T05:00:00.001-07:00</published><updated>2009-03-13T05:00:48.447-07:00</updated><title type='text'>Triângulo Estranho</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Havia já tempo que ela tinha ido embora. Assim, de inopino, rápido como um guepardo. O motivo pouco se me fazia.Lembro vagamente de como andava cansado daquela vidinha monótona, sem perspectivas, sossegada em demasia e sustentada na putaria. Chega uma hora em que me canso com tanta tranqüilidade, com trema, e tudo que quero é um rebuliço. Acho que foi o enredo final usado. Na verdade, foi um argumento desenvolvido com habilidade e denodo. Deliberadamente forjei uma desculpa para não ter que dizer a real. Eu estava sendo enterrado vivo junto dela. Já não produzia nada, ficava o dia inteiro olhando para o rabo daquela gostosa. Sim, devo confessar: era muito boa. Creio até que foram seus dotes sexuais que me seguraram durante três anos. De fato, era uma foda muito gostosa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;O tamanho de sua medíocridade era proporcional à bunda. A cada mostra dos dentes alvos disparates eram proferidos. Opiniões cheias de clichê, certezas repletas de cegueira, filosofia de quinta, sexta mão, enfim, uma representante típica de uma classe média desprezível e cheia de si. Mas a bunda, essa era esplendorosa. Devo dizer que a putinha não se fazia de rogada e gostava muito de trepar. Encanto dos encantos. Isso fazia com que eu ficasse o dia inteiro em casa, só labutando, sem pensar em mais nada além de labutar. O sexo ocupava completamente minhas cabeças. Cheguei a comprar o Kama Sutra e acabei por descobrir minha incapacidade para malabarista.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Evidentemente isso causou uma crise sem precedentes na economia do distinto que vos escreve. Essa bolha de hoje é fichinha perto da penúria em que fiquei. Acho que isso contribuiu e muito para sua partida. Depois que ela se foi caiu a ficha e percebi que teria uma luta grande para me recompor. Começei disparando desculpas para todos recados não atendidos, coisa que me ocupou por vários dias. Alguns ficaram ofendidos e aí eu me esmerava na vaselinagem. Foi um custo, mas arrumei alguns trabalhos e pude limpar a casa. Fico pensando se não estou velho demais para me dar a esses luxos de burguês folgado e seguro de si.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Eis que agora me surge a peça. Espalhafatosamente vestida, como sempre foi. A única mudança ficou para as etiquetas, bem mais dispendiosas que as de outrora. Mas sempre brega. Efusivamente veio em minha direção com a intimidade dos amantes. Não tardou muito para que patrocinador de tudo aquilo chegasse e me fosse apresentado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;- Ah, então é você...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Disse o sujeito baixo, de cavanhaque cuidadosamente circulado e com a caracteristica enfatuação da classe superior. Obviamente meu retrato havia sido pintado com grossas tintas. Agastei-me ligeiramente com essa promiscuidade, esse estar íntimo de uma relação que eu ignorava por completo. Minha sorte é que eu estava já na metade da terceira garrafa de um bom cabernet sauvignon, encorpado, seco e com um sabor marcante, como eu gosto. A vaporosidade tomava conta de minha mente e nesses momentos me torno o sujeito mais simpático do mundo. Ao contrário do autor que sucumbe ao terceiro copo de cerveja. Mas isso é outro assunto. "Sou eu mesmo", respondi com um baita de um sorriso no rosto, o que me franqueou uma conversa amena durante toda a noite. Como que pressentindo o devir, achei que aquilo não iria dar certo. Muita efusividade em um triângulo estranho. Isso fica para depois...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-8264094403741849872?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/8264094403741849872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=8264094403741849872' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8264094403741849872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8264094403741849872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/03/triangulo-estranho.html' title='Triângulo Estranho'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-6446498094718950914</id><published>2009-03-04T06:43:00.001-08:00</published><updated>2009-03-04T06:43:57.185-08:00</updated><title type='text'>Meu Caro Cronista..</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Conservo, há muito, em minha memória, a dádiva da dúvida. Era ainda menino, quando a recolhi em minhas caraminholas. Mediante um mecanismo simples, costumava dar corda em minha criança curiosa e pouco disposta a qualquer resposta. O sistema era acionado sempre por um olhar indiscreto. Foi pensando nisso, caro amigo, que a confiança nasceu para mais uma travessia, e parti a toda pressa para traçar esse textículo. Longe de mim supor saber fazer o que pretendo. Mas, para sabermos, é necessário agir. Contudo, atuar significa colocar luz nas ações que nos matam de vergonha. E, como é de conhecimento de meu dileto companheiro, Dejanira já havia nos alertado, em famosa narrativa, que as ações vergonhosas devem permanecer na sombra.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Assim sendo, pareceu-me de bom alvitre, não podendo furtar-me à escrita, para que não pense o senhor que se trata de patranhas, ou de meras palavras, e possa, quando for de seu gosto, deitar olhos nessas linhas, ordenar um pouco a bagunça que ora segue. Muito bem. Não acredito que meu camarada pense que vou mudar radicalmente o rumo da mão, tampouco penso em manter sempre o mesmo ritmo. E, a fim de fazer com que meu aliado acredite piamente no que narro, faço do risco o bordado. Faço da troça o troço. Outro dia, por volta da hora do almoço, me peguei urinando em um monte de areia enquanto fazia uns desenhos com o pincel líquido. Coisa natural para uma criança e vergonhosa para um adulto. Para o velhos, assim como os demais assuntos, apenas a indiferença.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Já o vejo dizendo: &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;&lt;em&gt;meu caro cronista, esse seu texto, que você insiste em chamar de textículo e com as lacunas próprias de um principiante, tem todas qualidades de um amanhecer. Com os anos domina-se a arte, ampliam-se os recursos e a busca da palavra certa no momento exato para os que tentam traduzir idéias –  com acento  –  e sensações, torna-se leve e não um fardo. Como já diria o maior de todos os mestres. Ainda me refererindo ao autor citado, lembro o perigo de se tornar o Vieirinha da literatura, regente de uma orquestra de gemidos. Na prosa, dizem alguns, o perigo é menor. Tolice. Frases amontoadas e incompreensíveis nos dão a exata medida do desalinho. Como você mesmo disse em crônica anterior: a incapacidade da originalidade confere um toque de impostura, ludibrio. Meu amigo, tinha planejado uma apreciação longa e minuciosa de sua escrita, havia até deixado um esboço pronto para nortear minhas reflexões, no entanto, compromissos de outra ordem me tomam a atenção e fico por aqui.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;&lt;br /&gt;				&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-6446498094718950914?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/6446498094718950914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=6446498094718950914' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6446498094718950914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6446498094718950914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/03/meu-caro-cronista.html' title='Meu Caro Cronista..'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-5068463479000370167</id><published>2009-02-27T03:17:00.001-08:00</published><updated>2009-02-27T03:17:46.954-08:00</updated><title type='text'>Agora fale o senhor…</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Minha intenção é narrar um pouco as burlas de nossa cidade, cujos bons hábitos se encontram manchados com nódoas estranhas e práticas vis. Contudo, na verdade, ela, a povoação, tem muito mais valor, já que, por grandeza de espírito e dispondo de estímulos próprios, é nosso horizonte, nosso farol em pleno cerrado, nossa verdadeira imagem. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Em nossa urbe, que, como já insinuei, está repleta de fraudes, não há muitos anos, existiu um nobre senhor, já falecido, dono de sesmarias e de calmarias. Não é minha idéia dizer o seu nome, assim como não indicarei nada que possa revelar identidades de possíveis personagens que por ventura apareçam nessa narrativa. O tal senhor nascera de alta linhagem e não conseguia esconder o desprezo que sentia pelo surgimento da maquete, porque ela era uma invasora em suas sesmarias. Além disso, mais tarde, notando o brotar de uma geração diferente, apesar de toda camisa de força imposta, ele não poderia, de nenhum modo, admitir que novas idéias, com acento, pudessem se imiscuir no discurso fechado em décadas de repetição.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Apaixonado por gado; e de tal maneira exercia seu amor que, se não comprasse um boi por dia, não conseguiria vencer o tédio do dia seguinte. Entretanto, o homem de grande valor não possuia um cabedal condizente com suas necessidades. Sendo ele muito precavido, não se arriscava a ficar sem o cacife suficiente para o lance seguinte, nem sem o lastro de futuros lances. Receava não dispor de recursos que permitissem assegurar sua velhice. Dessa maneira, procurou construir sua fama de caráter impoluto visando fazer daquela terra sua apólice para o devir. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Após refletir sobre o melhor modo de proceder, concluiu pela simpatia, a troca de favores e julgou ser momento propício para agir. O plano estava feito. Seria político.Desse modo, decidiu se aproximar de um bondoso religioso com fama de vida santa. O santo frade percebeu de pronto que o homem tinha uma atitude de bonomia e honradez. Não é novidade para ninguém, que essa união rendeu e rende bons frutos desde priscas eras.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Agora fale o senhor, que eu não tenho mais nada a dizer. Terminando Machadianamente esse textículo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-5068463479000370167?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/5068463479000370167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=5068463479000370167' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/5068463479000370167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/5068463479000370167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/02/agora-fale-o-senhor.html' title='Agora fale o senhor…'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-6954580733484558874</id><published>2009-02-21T03:20:00.001-08:00</published><updated>2009-02-21T03:20:39.153-08:00</updated><title type='text'>Petulância</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Graciosa leitora, tanto quanto Riobaldo, ao assuntar e mirar o sertão, também eu, da mesma maneira, ao vislumbrar o cerrado, me vejo induzido a narrar o acontecido. Necessário será dizer precisamente o teor da escrita, visto que você, minha amável amiga, já escutou bastante, desde o princípio, as supostas razões das garatujas aqui publicadas. Em várias outras oportunidades salguei o mesmo porco. Dei outra volta ao parafuso e, como sempre, me faltou a arte. Mal terminei a última crônica, em cuja feitura ri muito, me vi diante da total falta de assunto para a seguinte. Como você já pode ter percebido, escancarada por minha pobre escrita, freqüentemente, com trema, minha falta de criatividade se deixa notar, isso quando não assume ares de protagonista. Sendo você muito discreta não levantou a lebre e poupou-me do ridículo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Seja qual for o tema, mesmo que dele já se tenha mil vezes falado, a narrativa deve proporcionar senão prazer, o deleite sublime de tudo que possa dar alegria. Diante disto, ainda que na maioria das vezes meus textículos não suscitem senão pena, tento expor o que não pode ser relatado. Um grande malogro anunciado. Sempre acreditei ser de bom alvitre narrar amenidades, uma dança trevisana, um livre novelar. Sempre tive a opinião de que escolher uma entre milhares de histórias que poderiam ser narradas era de uma arbitrariedade imensa. É pouco provável que eu tenha arrancado suspiros de minha belíssima leitora, É bastante verossímel que minha fábula não arranque senão queixumes. Pondo-se, contudo, de lado essas ruminações, digo que rir ainda é o melhor remédio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Infinito e vasto é o reino da fantasia. Desse modo, escolhendo arbitrariamente a história, tento apresentar uma. Afirmo, portanto, que não passo de um ludibriador. Bem sei que sua generosidade irá se compadecer desse pobre escriba e irá lhe dar o perdão solicitado. A tenho como uma mulher de infinita bondade. Entre outros pecados, tenho o maior de todos: a presunção da escrita. E é a natureza dessa presunção que me leva a desistir de narrar o que ia em meu espírito, para contar coisa diversa. A isto me conduz a estupidez. Viajando pelo mundo, e comprzendo-me ora com este, ora com aquele lugar, supuz saber algo da alma humana. Tolice. Existiu, e ainda existe em mim, a petulância dos ignaros, dos tão tolos que chegam a crer com firmeza em si próprio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Pondo-se, contudo, de lado essas ruminações, digo que rir ainda é o melhor remédio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-6954580733484558874?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/6954580733484558874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=6954580733484558874' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6954580733484558874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6954580733484558874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/02/petulancia.html' title='Petulância'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-3564757571444670357</id><published>2009-02-06T10:11:00.001-08:00</published><updated>2009-02-06T10:11:36.262-08:00</updated><title type='text'>A Idade sem Razão.</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Acordei com uma sobra de sonho grudada em meus grandes, duros e cansados olhos. Erguendo seu rosto largo, a ilusão ainda me ofereceu, em um último aceno, um sorriso luminoso, com gestos suaves e lentos. Uma pequena volúpia escondendo o longo declive, acentuando o gosto de catástrofe na boca. No fundo, mesmo que eu não queira, trata-se da visão de uma amizade retesada e agonizante. Da minha afeição pela vida, essa criatura soberba, escapou apenas o coração cheio de cinzas. Estou ficando velho, não acredito em nada e trago apenas palavras vazias e pomposas, como um intelectual de araque vomitando com ênfase filosófica sua estultícia. Há cincoenta e oito anos existo como o poeta francês: bebendo a mim mesmo sem sede. Fugir de mim mesmo se tornou obsessão e farol nessa desenfreada busca do nada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Quando me levantei hoje, senti que havia perdido o risco do bordado, a trama da maquinaria e nada seria capaz de me devolver a doçura das novidades. Ao me desembaraçar dos lencóis de manhã, revelou-se-me a cruel impossibilidade da singularidade. Idade da razão ou não, o fato é que o tempo passou inexorável e nada foi plantado no jardim do imprevisto. Apenas a rosa da mesmice exalando cheiros insuportáveis, miasmas trazendo a notícia do fim. Ao contrário de Mathieu, nunca desejei Espanhas escondidas em um selo, antes o sétimo selo, o jogo sutil com a dama mórbida.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Quisera eu ter uma vaga lembrança de uma coisa que tenha valido algo, um cuidado peculiar que fosse ao me dirigir ao balconista. Nada! Apenas o deserto. Grandes são os desertos, e tudo é deserto meu caro Pessoa, minha cara pessoa, minha amável leitora. Todo mundo tem uma recordação, ignóbil que seja. Não o destino sinistro, a vida inerte. Essa... desconhece paisagens férteis, delicadezas ternas. A arrogância e a solidão lhe botaram abaixo a alma. E é assim que vou me destruindo, roçando imperceptivelmente uma pobre criatura pedindo perdão. Mas é preciso abrir as janelas para que o dia entre na sala, para que a beleza esquiva não seja só a fuga desesperada de si. A idade da razão veio tarde.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-3564757571444670357?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/3564757571444670357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=3564757571444670357' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3564757571444670357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3564757571444670357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/02/idade-sem-razao.html' title='A Idade sem Razão.'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-6901247102623152992</id><published>2009-02-04T09:22:00.001-08:00</published><updated>2009-02-04T09:22:21.877-08:00</updated><title type='text'>O Filho Pródigo</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;Minha garbosa e feminina leitora, caríssimo e único leitor, eis que estamos de volta. Depois de um merecido banho nos seios nordestinos de Anfitrite estamos aí na área. Vacilou é gol, derrubou é penalti. Após estar deitado na cama verde da Deusa poderíamos recomeçar fazendo como nos primeiros anos escolares. "As minhas férias foram muito boas. A vovó fez ambrosia e ela bem sabe que é um docinho que gosto bastante. Notícia boa: o chato do meu primo não estava na fazenda. Além disso nasceram muitos bezerrinhos. Vovô disse que o malhadinho era meu. Como ele é bonitinho! Todo cheio de manchas pretas. O único pintado no meio de tantos branquinhos, marronzinhos e cinzas".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não acredito ser um início propício. Não cairia bem em meu rosto vincado pelo tempo. Além disso, parafraseando a narrativa acima, não fui para nenhuma fazenda. Na verdade, ao sentar-me diante do computador, achei que a sala, a casa e a página em branco eram coisas estranhas, realidades que não me diziam respeito. Pensei muito sobre isso, examinei com acuidade e não pude descobrir a razão. Achei que, caso solucionasse a questão, eu poderia restringir todas sensações a termos bem explícitos. Tolice! Uma versão expurgada nunca representa. É uma imagem pálida, desbotada pelo tempo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Escutem, minha boa amiga e meu dileto companheiro, qual o prazer de se ter a resposta? Antes a procura desenfreada da mesma. Os limites da verdade embaçam minha fantasia, emudecem o solo do pinho. Não nego que um pouco de cartesianismo possa ter sua serventia, contanto que seja leve e risível. As realidades podem ser analisadas e contadas, se não cansarem as orelhas dos ouvintes mais exigentes de sensações. Não me diga, leitor esperto, que a coisa em si é de origem obscura e se trata de um enigma. Bem vejo que o atinado leitor não gosta de filosofia barata e censuras injustas. Sejamos justos. Minha belíssima leitora haverá de concordar comigo que, quanto ao exemplo, a narrativa é falha. É certo que me embaralho em memórias escorregadias. Ademais, como bem observou nosso perspicaz amigo, há erros imperdoáveis na escrita.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É verdade, mas cumpre observar que em toda retomada falta ritmo. A mão fica meio pesada, o assunto não aparece, a gente tenta apelar para os jornais e apenas descobre que um morador de rua aprovado no vestibular, depois de dezenove tentativas, não pode fazer sua matrícula em função da falta de um certificado, diploma, ou o que valha, do primeiro grau. Apresso a dizer que o rapaz tinha o certificado do segundo grau. Coisa de maluco. Nota com enfado o mesmo no lugar de sempre. Refiro-me novos donos das casas. Enfim, as folhas não andam ajudando em nada. E somos obrigados a recorrer ao parafuso. Dar uma volta mais. Mas estamos na área. Vacilou é gol derrubou é penalti e vamos nessa que atrás vem gente. Fui.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-6901247102623152992?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/6901247102623152992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=6901247102623152992' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6901247102623152992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6901247102623152992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/02/o-filho-prodigo.html' title='O Filho Pródigo'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-3183123938456358480</id><published>2009-01-16T23:57:00.000-08:00</published><updated>2009-01-16T23:58:16.818-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;O Poupador sai de férias.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-3183123938456358480?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/3183123938456358480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=3183123938456358480' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3183123938456358480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3183123938456358480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/01/o-poupador-sai-de-frias.html' title=''/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-7190143305896454094</id><published>2009-01-08T01:21:00.001-08:00</published><updated>2009-01-08T01:26:43.155-08:00</updated><title type='text'>Sem Título</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;É com grande tristeza que venho hoje a esse encontro que era para ser diário, querido &lt;em&gt;blog.&lt;/em&gt; Na verdade, mal consigo dominar a melancolia nesse início lírico demais para um final de tarde. Mas o caso é que de manhã eu já havia decidido dotar minha personagem com um olhar vago e distante. Ser personagem é bem mais interessante que ser narrador ou autor, pois não necessito de caminhos firmes, veredas assentadas na lógica. Meu narrador, ou autor, não sei ao certo, define tudo por mim e eu fico esperando placidamente a próxima volta do parafuso. Ciosos de seus menores gestos eles decidem o que é bom ou não; o que pode ser dito e o que não pode, e o resto todo. Minha leitora há de ter paciência; mas, se pensas que o textículo hoje é de quem o assina, engana-se. A redação é de um defunto. Aviso antes para que não me acuse ao final, se é que você me entende, doce leitora.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;Assim como Brás Cubas, teço essa renda cá no outro mundo. E, por que não confessar, tenho que me contentar em não ter nenhuma expectiva com relação a possíveis respostas, boas ou más. E isso é apenas o começo, minha sensual leitora. O que desejo, nesse princípio, não se trata de questão filosófica, é estabelecer a porta fechada, é salientar o cubículo enjaulando a fera solitária e ferida, e que talvez nunca mais se recupere dos golpes sofridos. Toda minha existência foi feita de violentas chibatadas. Vi de um lado o calvário, e do outro lado o purgatório. Assim vivia e não achava mal. A prova de que estava bem, é que não me acontecia nada, salvo a perda de mim mesmo. Mas isso é de somenos importância. O mais corria naturalmente, como um rio em direção ao mar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;Hoje peço licença para rasgar a cortina que me cobre e lançar gritos lancinantes, urros iridescentes e descoloridos. Como um lobo quero uivar desbragadamente, largar minha máscara, laçar minha solidão e jogá-la em um sotão sórdido, daqueles que guardam segredos inconfessáveis. Mas sou tão só. Morbidamente ermo e isso é uma doença incurável. Uma chaga carcomendo lentamente toda possibilidade de vida. O que não faz o mínimo sentido, já que não passo de um monte de ossos. Prá que tanta pose doutor? Se no final estaremos todos na horizontal e cobertos de terra, já dizia uma canção não tão antiga assim.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;Finalizando, peço desculpa por ostentar esse sorriso cínico e debochado revelando o paroxismo da imbecilidade humana. No meu caso é inútil. Não pertencendo mais à essa turba posso me dar ao luxo, inclusive, de fornecer conselhos valiosos sobre a arte da literatura. Noto bem o desprezo que me devota o autor, da mesma maneira que o narrador me olhando de soslaio deixa divisar sua enorme repugnância. Eles não podem dizer nada! Sempre que os dois faltam tantos dias ao nosso compromisso eu me coloco em cena e não assino a direção. Afinal isso não passa da confissão de uma personagem finada. Fim!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-7190143305896454094?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/7190143305896454094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=7190143305896454094' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7190143305896454094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7190143305896454094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/01/sem-ttulo.html' title='Sem Título'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-9063575979177894329</id><published>2009-01-05T11:17:00.001-08:00</published><updated>2009-01-05T11:17:34.588-08:00</updated><title type='text'>A Reforma Ortográfica</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;Os primeiros indícios de minha sandice surgiram no dia em que resolvi me tornar personagem. Uma confissão de Ralfo que nasce não da primeira morte, mas do enésimo parto. Em comum, já falado aqui tantas vezes, a busca do real na fantasia, pois de certa maneira a verdade não passa de uma quimera, assim como o real é condicionado pelo tangível.  O diante de seus olhos nada mais é que a mísera conjectura. Eu sempre quis usar essa palavra. Achei! Mesmo sendo um vocábulo "enjuado". &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Adianto o seguinte: a reforma ortográfica que chegou com o ano novo serve apenas para as editoras, não altera absolutamente nada na língua. Até mesmo o sumiço do antipático trema me incomoda. Já não posso mais ficar tranqüilo, terei que ser "trankilo", não obstante minha magreza. O hífem, sempre um grande problema, continua com suas idiossincrasias. E ainda: que fazer com a decantada iguaria Estadunidense? Seria um cachorro ardendo em febre? Contudo, como vou fazer para você cessar o movimento e não estabelecer um destino, um fim, um objetivo. E o fim dos acentos nos ditongos abertos em paroxítonas?  Meu vôo perde a leveza da borboleta. Ao lhe arrancarem as asas se torna um "voo" cego, uma "ideia" sem juízo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Perfeitamente natural que as reformas aconteçam. A língua muda constantemente e é preciso que a acompanhemos. Mas essa reforma é exatamente aquilo que não preciso: chá para paciente terminal, paliativo acadêmico reforçando interesses escusos. Afinal, temos problemas mais sérios na língua que meia dúzia de alterações, creio ser menor que 0,5%, forçando a compra de milhares de dicionários, gramáticas, livros didáticos e afins. Se posso não estou podendo, já que minha mísera conjectura , agora vou abusar da palavra, não respeita o fim. Colocar no limite da trave meu desejo? Pára. Não é para você minha querida leitora. Trata-se de uma pequena embaixadinha, um toque ligeiro na direção do nada, apenas um lance sem gol. Um malabarismo inútil.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não que eu queira a desilusão, a imutabilidade da língua, mesmo porque seria de uma bobagem indescrítivel. Apenas observo a ganância de uma luta em busca do vazio, um horizonte perscrutando um coração tosco. Pára. Não, meu incrédulo leitor. Não se trata de obstaculizar, "eita palavra bunita", nada. Só, tão somente só, como dizia uma canção antiga, a descolorida sensação do nada. Admito: não sou guerrilheiro de Eldorado, tampouco abraço a cena ou a causa. Apenas isso: uma personagem sem saber se é autor, ou se sou um autor sem saber se é personagem, ou, ainda, se a narração não passa de mera autoria, ou o contrário, ou o que quer que seja. Ou mesmo se sei ao menos escrever... E ainda por cima me aparece mais uma reforma ortográfica inserida naquela velha e gasta frase: mudar para tudo ficar onde está. O limite ansiando por atores medíocres, falas ralas de uma emoção insípida. Eis aí o dilema humano.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-9063575979177894329?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/9063575979177894329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=9063575979177894329' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/9063575979177894329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/9063575979177894329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2009/01/reforma-ortogrfica.html' title='A Reforma Ortográfica'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-3093516833477150147</id><published>2008-12-17T10:12:00.001-08:00</published><updated>2009-01-08T01:34:28.128-08:00</updated><title type='text'>Toque</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;Conhece a arguta leitora um livro do célebre David Zimmer, romancista estadunidense, intitulado &lt;em&gt;The Silent World of Hector Mann? &lt;/em&gt;Machadianamente vou supor que não, pois só assim posso deitar tecla ação; separado mesmo, mas poderia ser junto, ou nega ação, ou, quem sabe, negação, ou outra coisa qualquer; nesse teclado. Eu, se tivesse crédito na praça, como se dizia antigamente, teria feito um filme mudo. Temo errar, mas creio ter o tema e o conhecimento necessários para as formalidades do estilo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda ontem, lendo no jornal; ainda sujo minhas mãos com tinta; o assassinato de mais uma ex-esposa, pensei nas distinções e interações entre a passionalidade irracional e a deliberada passionalidade. O que separa essa última da primeira, onde a fronteira entre o bandido e o animal? Eu, de minha parte, não tenho posicionamento. Não por indiferença ou desinformação. Veja minha única leitora, a diferença entre um homem excessivo, tomado pela fúria da sensualidade, inconsciente de seu estado e o mísero e ignóbil ser de um reino obscuro, não é a mesma de um Dimitri para um Smerdiakov. Rogarei, todavia, à minha delicada leitora que não se apresse em tirar conclusões.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No momento o interesse é ocupar-me em assuntos que necessitam de olhos sagazes. Não que eu os tenha, mas preciso exercitar a pouca visão. O que não chego a compreender é como a indústria de horrores do espetáculo humano consegue banalizar o banal. Não é novidade para ninguém, que esses crimes se avolumam, sobretudo na capital. Contudo, em São Paulo dá-se o mesmo, porém com um aspecto peculiar: a indiferença. Seria diferente em Salvador? A mesma coisa em Belém? Pensas, então, que, se eu tivesse de explicar-me, defenderia alguma posição? Já o disse: não tenho posicionamento. Em ocasiões anteriores já afirmei que não procuro razões, não clarifico. Está bem, então lá vai uma ou mais palavras.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Penosamente carrego uma pálida imagem de mim mesmo. Ao sentir como o ser humano é capaz das mais baixas vilezas, tomo consciência de minha ingenuidade e me vergo ao destino cruel. Vagarosamente passo em caminhos difusos, voláteis demais para um café, um chá, uma prosa. A rapidez da lebre e a cupidez da ignorância, eis aí a semente do tempo presente. Não se faça de rogada. Pode sair. Afinal, nada mais simples que um toque.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-3093516833477150147?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/3093516833477150147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=3093516833477150147' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3093516833477150147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3093516833477150147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/12/toque.html' title='Toque'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-7783884775213657072</id><published>2008-12-15T10:42:00.001-08:00</published><updated>2008-12-15T10:42:03.465-08:00</updated><title type='text'>Leituras</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Na crônica anterior, já lá se vai um bom tempo, rocei em um livro que é parte de mim, grudou feito baba de moça. Faço questão de assegurar que não há na temática nenhuma novidade e o calhamaço é difícil de ser transposto impunemente. Como já disse reiteradas vezes, não tenho a intenção de escrever sobre mim. Ao me auto referenciar e deixar a conhecer minhas leituras, antes de iniciar meu textículo, nada mais faço que suscitar dúvidas no espírito de meu par de leitores, que já sabe que não está em boas mãos. Quer dizer, se eu, em função de ser o moinho desse parafuso, sou a única pessoa, mesmo considerando não ser a mais indicada para tal tarefa, a manter o giro do parafuso, me é lícito cantar o que quer que seja.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;A lenda usada remonta de priscas eras e sua origem se perde nos meandros irônicos da história. Alguns a dão como da baixa Idade Média, outros não ousam afirmar nada, o que é definitivamente meu caso, e tantos outros a dão como do período micênico. Aliás, arrisco a dizer que a ânsia da criação é movida por personagens como Urutú-Branco, Fausto, Adrian Leverkühn e uma míriade mais. Qual criador não deseja a obra perfeita? A musa irretocada, iluminada pelo belo? Seja lá isso o que for. Indubitavelmente, o artista corre atrás do que confere sentido ao mundo difuso da realidade, da parca rama de luz clareando caminhos. Forjando bronze, lascando pedra, amassando barro, esculpindo sons, tecendo bordados vai delineando seu louco imaginário.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;As profundezas da alma... essas são impenetráveis aos olhos alheios. Então falo do miúdo, do comezinho diário de nosso labirinto humano. Permita-me ilustre leitor, que eu, um de seus admiradores mais humilde, chame sua atenção para um fato ao qual já me referi aqui. Dá-se que o ser que ama o belo e aprecia as grandes vozes "não tem orelhas para crônicas, nem outras cousas ínfimas". Como diria nosso sempre citado bruxo. O que me leva a constatar um grande esquecimento. Sequer uma única vez rocei nossa bruxa ucraniana. Fico em falta, devendo um sopro de vida em minha cidade sitiada. Mas, de toda forma, minha única leitora há de reconhecer que sou um servo fiel de Santa Clarice.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;"Quando a gente lê por olhos estranhos, entende mal as cousas". É disto que falo: da segunda mão, a informação via terceiros, a leitura da leitura, o engravidar pelo ouvido. A construção enfadonha de um saber amassado pelo vício, pela vegetação rasteira. Sejamos justos. Nada mais faço que dar voltas em parafuso espanado, não há nada mais falho. É certo que assumo, confesso mesmo, minha falta de criatividade.  Mas no meio destes senões, entendam bem, resta ainda um fato importante: o textículo saiu e ejaculou profusamente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-7783884775213657072?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/7783884775213657072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=7783884775213657072' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7783884775213657072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7783884775213657072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/12/leituras.html' title='Leituras'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-4739625946269494690</id><published>2008-12-02T01:42:00.001-08:00</published><updated>2008-12-02T01:42:54.480-08:00</updated><title type='text'>O Diabo Veste Dior</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt; Minha gentileza pertubadora fez com que eu entrasse no inferno. Fui eu mesmo que decidi me apartar da vida e enclausurar-me no além, no reino das sombras e da morte. De certa maneira invoquei e desejei essa solidão. Essas frases possuem seu prestígio, infundem mesmo um certo toque filosófico, meio Eurídice. Em geral o destino dessa personagem depende de sua contrafeição: Orfeu. No meu caso não. Apenas me apego à mãe das Musas. A memória, ao me proteger do esquecimento e do nada, torna-se minha guardiã, minha doce cidadela onde repousar os medos. Em particular aquele que traz uma certa satisfação, ficando, ainda por um tempo, suspenso em nossas retinas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Não que eu seja um tipo insensível ao amor, minha encantadora leitora, mas sinto um certo rebuliço histérico na busca desenfreada, seja do que for. À primeira vista, isso pode parecer radical, mas como se sabe, o nosso tempo está envolvido pela qualidade de vida. É o jargão do momento. Felicidade, satisfação própria, culto da juventude, velhice sadia, alimentação saudável, nada de drogas, de qualquer tipo que seja, enfim, estamos submetidos ao mais variado cardápio de normas idiotas metendo o bedelho em nossas vidas. Nosso bom baiano, na qualidade de residente, contibuinte e eleitor da inigualável cidade do Rio de Janeiro, como ele nos diz, sente na pele o que é ser coroa municipal, acrescento, me lembrando de Chico, federal.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Bem, voltemos ao caso da morte dupla. Meu canto, embora parecido com o de Orfeu, ao tanger acordes tristonhos e banhar as faces divinas de lágrimas, não busca absolutamente nada. Não há uma Dulcinéia, ou Eurídice, ou Beatriz. Decidamente não há um objetivo claro, um ponto de vista ou algo que o valha. De certa maneira levo vantagem, já que não ter impossibilita a perda e olhar para trás é mais que natural. Já disse que a memória é minha guardiã, portanto, vivo virando os olhos. A miragem de Eurídice não se impõe e posso continuar indo por aí, cantando a tristeza inútil de um ambiente devastado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Ouço o rufar constante de um tímpano a dizer:&lt;em&gt; Lasciate ogne speranza, voi ch´intrate.&lt;/em&gt; Badalos seculares de uma ladainha antiga e viciada. O parafuso dá muitas voltas. Nem sei ao menos como fui parar em Dante. Caminhos sinuosos de uma mente vadia, vazia de cartesianismo. Com efeito, os manuais de redação não servem para minha louca peregrinação em torno do nada. Faço tudo ao contrário e tenho plena convicção que serei reprovado em qualquer concurso. A receita de bolo fala em simplicidade e naturalidade. Eu crio densas névoas e estou escrevendo, não falando. Prefira frases curtas e em ordem direta, reza a cartilha da norma culta. Mas eu continuo me atrapalhando com a pontuação. Escreva parágrafos com tópico frasal e desenvolvimento, mais um axioma da bela escrita. Prefiro a frase inicial áspera, cortante e nada de atraente. Afinal, não sou jornalista.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt; Arre! Estou farto da medíocridade. As pílulas do êxito, da felicidade imemorial estão à venda nas melhores lojas do ramo, diria um reclame publicitário de antanho. E nem é mais preciso um Adrian Leverkühn. O diabo veste Dior em belas luzes coloridas hipnotizando a patuléia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-4739625946269494690?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/4739625946269494690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=4739625946269494690' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4739625946269494690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4739625946269494690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/12/o-diabo-veste-dior.html' title='O Diabo Veste Dior'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-6713407282478149179</id><published>2008-11-29T13:31:00.001-08:00</published><updated>2008-11-29T13:31:20.754-08:00</updated><title type='text'>Inundação</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Fazia cinco dias que chovia sem parar. A velha começou a se preocupar. Lembrava nitidamente da grande cheia de...  foi no dia de seu casamento, andava com a memória fraca. "Tempos que já lá se vão. E essa chuva... parece a mesma. Naquela época morava mais embaixo, lá no sítio do pai". Filha única, Gabi, ao atingir os dezoitos anos, casara-se com Damião, e viera para cá sem que, na casa paterna,onde vivera todo esse tempo, houvesse uma imagem sequer para substituí-la. Com efeito, ao pai não havia sido concedida uma segunda prole, pois a esposa mesmo, só a tivera ao tempo justo de uma gravidez. Certamente minha única leitora ficaria satisfeita se eu apenas mencionasse a data, ou se era tarde, noite ou de manhã. Basta saber que foi um dia de um aguaçeiro danado. A água invadiu tudinho. Lembrou nitidamente como ficara triste no dia mais feliz de sua vida. De inopino se sentiu desolada com a direção que tomavam seus pensamentos. "E essa chuva... parece a mesma".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;O velho se inquietava por seu lado. O rio não parava de subir, mas a água nunca tinha chegado até a casa, pensava ele apaziguando um pouco a apreenssão. Dessa vez a coisa tava mais brava, o céu abriu mil torneiras. Bem que ele já tinha pensado em construir outra casa no topo do vale. O pior é que a encosta não está com cara boa não. Pode ceder a qualquer momento. "E esse rio que não pára de crescer... parece que tomou fermento. Eh, aguão!...". Os baixios já estavam completamente inundados e o dilúvio não dava fim. "A enchente tá aumentando muito rápido e não estou gostando da enconsta, acho que teremos que ir". Falou quase imperceptivelmente. Olhou para a velha e a encontrou mirando o vale com um olhar distante, perdido, alheio e meio alucinado. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;"Mulher, temos que ir". "As coisas estão prontas, eu já sabia", disse automaticamente. A chuva dera uma estiada o que facilitou a subida para o alto do vale. . "E se o riacho estiver muito cheio?", perguntou Gabi. "Já pensei nisso, vamos dar a volta pela cabeça do veado, andamos mais e não cruzamos o riacho que, com certeza, está cheio".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;"Nunca vi isso em toda minha vida, nem no dia de nosso casamento", disse o velho. Gabi abriu um sorriso largo e silencioso e adiantou os passos. "Vamos logo velho preguiçoso, parece até que não conhece os caminhos de sua terra". E saiu lépida, com a brejeirice da juventude. Damião não entendeu nada e foi, fagueiro, atrás de seu raio de sol.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-6713407282478149179?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/6713407282478149179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=6713407282478149179' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6713407282478149179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6713407282478149179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/11/inundao.html' title='Inundação'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-652536401422497685</id><published>2008-11-28T12:25:00.001-08:00</published><updated>2008-11-28T12:25:03.413-08:00</updated><title type='text'>Pôr-do-sol</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Minha única leitora não ignora que a troça comigo mesmo move esse parafuso. Por outro lado, leitor amigo, não é despropositado imaginar que escapo a mim mesmo. Nem eu, nem você, nem ela, niguém pode, exceto o transcorrer da cena, esclarecer essa relação estranha entre o autor, o narrador e o leitor. Porventura julgas que sou obrigado a escrever? Não está de todo errado, tampouco estais certo. Outrossim, você percebe que esse estado da alma, que vê no entardecer as minudências da vida, não passa de desavenças íntimas. Uma ponta de Iago nas convicções.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;É bem provável que vocês tenham tido conflitos parecidos e, como meus leitores são só vocês dois, mínimas as tentativas de solução. Contudo, o mundo não é claro e obscura a narrativa. Meus pequenos olhos são ingênuos e vivem perscrutando a escuridão abafada, sem indícios de suavidade e sem o perfume das manhãs. Já encaro como normal a incompreensão nos olhares temerosos de meus vizinhos e não ligo a mínima para essas pessoas que lutam tenazmente para manter as aparências. Minha melacolia moral dispensa muletas e não admite Pilates. Lavar as mãos para a vida é o mesmo que confessar minha covardia e escancarar um sentimento de culpa que definitivamente não tenho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Não serei eu a me submeter à uma vida com a qual nada tenho a ver. Já passei do tempo de flertes com pessoas que nada significam e minha repugnância, ao ver uma ferida da alma latejando, não passa de um gesto defensivo, uma bem arquitetada obra da razão. Quando, porém, o asco se vai, verifico que, afinal de contas, as coisas não são assim como o diabo pinta. Malgrado toda minha indisposição para com a vida, não me furto a vivê-la. Dessa maneira ainda alimento um desejo, ínfimo que seja, de fumar um cachimbo sentado na varanda, ao cair da tarde, e ver surgir por entre o crepúsculo uma noite radiosa depois de um dia melancólico.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Só que o destino é uma força real e maligna. A derrocada é inevitável e cavalga lépida, malogro após malogro, rumo ao baixio dos maus augúrios. No momento apenas cultivo o fracassado que todos testemunham em mim. Seria difícil dizer exatamente o que temo, mas me sinto como um equilibrista no gume da faca, pois vou tecendo minha inquietude interior brincando bem-humoradamente, como se o riso gostoso da exuberância infantil de minha face viesse do íntimo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;À hora do pôr-do-sol, outra vez tomado pela depressão, lágrimas vagarosas descem de minhas retinas e me volto novamente para a parede. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-652536401422497685?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/652536401422497685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=652536401422497685' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/652536401422497685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/652536401422497685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/11/pr-do-sol.html' title='Pôr-do-sol'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-862791045315695434</id><published>2008-11-26T22:19:00.001-08:00</published><updated>2008-11-26T22:19:18.547-08:00</updated><title type='text'>Outros Mares</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;O avião partiu pontualmente às três horas. A noite anterior havia sido mágica, suave, estrelada e repleta de relatos. Não me aborreci em nenhum momento, muito pelo contrário, foi lá que ouvi de uns lábios ressequidos, pele enrugada, pernas vacilantes e olhos ainda vivos a estória que se segue.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;O dia amanhecera cinzento, o vento soprava curvando os coqueiros, chuva armada no horizonte e deixei o continente às escuras. "Assim como eu nesse avião. Esclareço que estou escrevendo nesse exato momento". Certamente cairia um temporal e eu não estaria presente para ver essa chuva de verão tão conhecida minha.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Ela estava linda. Seus olhos azuis resplandeciam de felicidade e eu me encantava com isso. Bastava vê-la feliz, rodopiando na pista e me lançando olhares lânguidos. Sabíamos muito bem que não nos veríamos mais. Inexplicavelmente eu sentia uma placidez, uma calma até certo ponto assustadora. Amanhã deixaria para trás a promessa de felicidade, desataria uma bela história de quinze anos e não me sentia nem um pouco preocupada com perdas. Era minha chance e éramos jovens. Eu fui chamada, não tentei nada. Mas ela... Nunca mais acharia alguém como ela, tinha certeza disso. O que se comprovou.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Durante trinta e cinco anos não tive notícias, apesar de minhas insistentes cartas. É moço... antes se escrevia cartas. Hoje não, só essas coisas curtas da rede. O moço não me leve a mal, mas não me dou com essas coisas eletrônicas. Sou de um tempo em que se lavava a própria roupa suja. Mas veja o senhor como o destino é irônico. Um belo dia compromissos profissionais me levaram direto de Paris para Brasília. Da cidade sabia apenas que era algo perdido no meio do nada. Realmente, quando cheguei a desolação era total. Muitos homens, poeira muita e uma precariedade de dar dó. Acho que era por volta de sessenta e dois ou três, não lembro bem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Mas dela me lembro muito bem. Ao chegar ao ministério dei de cara com a secretária do ministro: Ela, linda como da última vez. Fiquei sem voz, apavorada. Ela, com o mesmo jeito infantil de nossa juventude, me abraçou, pediu notícias e, finalmente, me encaminhou para a reunião onde só havia uma mulher na mesa de negociação: eu. Tempos duros meu rapaz. Nenhuma palavra sobre minhas cartas. Durante toda reunião isso martelou minha cabeça. Estava dando motivo para os machistas, quase todos, taxarem as mulheres de incompetentes, pois eu estava meio longe, dispersa e alheia ao andamento das negociações. Resolutamente retomei a rédea de meus pensamentos e rapidamente fechei as discussões com bom saldo para todos. Não seria eu a dar argumentos para esses engomadinhos do terceiro mundo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Minhas cartas foram um erro&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-862791045315695434?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/862791045315695434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=862791045315695434' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/862791045315695434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/862791045315695434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/11/outros-mares.html' title='Outros Mares'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-2341618803367682472</id><published>2008-11-25T04:47:00.001-08:00</published><updated>2008-11-27T02:23:36.044-08:00</updated><title type='text'>Alguns Mestres</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;Já muito falei, ou insinuei, ou citei alguns de meus mestres. Apresso a dizer de sua profusão, de maneira que são de vários feitios, tamanhos e situados em universos díspares. No entanto há três fascinantes. Os relatos de Borges, Kafka e James me são caríssimos, não só por haver uma certa unidade temática, mas pela maestria com que a pena desliza no papel. A angústia labiríntica de profundos conhecedores do ofício me embriaga.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;Assim como Borges, procuro situar minha escrita na lonjura do tempo e do espaço onde a imaginação encontra a liberdade necessária. Não me atrevo sequer a aspirar ter a grandeza do ancião ancestral dos pampas. Como já disse em diversos escritos anteriores, não desejo compreender ou persuadir. Contento-me em distrair ou comover. O que me coloca ao menos próximo das Mil e Uma Noites, tão querida para o bardo &lt;em&gt;hermano. &lt;/em&gt;Afinal, como diz nosso argentino, a literatura nada mais é que um sonho dirigido.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;O leitor curioso e perspicaz perceberá certas incongruências de minhas narrativas. Outro dirá de minha monotonia; decididamente a mesmice é tema principal; um outro notará, ao contrário do portenho, um certo barroquismo, também haverá o leitor esperando o imprevisto, assim como o refratário às novidades nas regras da arte. Na realidade, leitores e atores são vários, há mil possibilidades escapando à observação do cronista mais sutil. Dir-se-ia, minha única leitora, que há aqui algo de inexprimido, de inacabado. Tem-se de novo a impressão de um enigma. Mas não há mistério, talvez a luz se faça. Não antecipemos. Eu poderia, enquanto espero, apresentar algumas considerações sobre minha narrativa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;Eventualmente, ou melhor, constantemente me sinto o agregado José Dias, um amante dos superlativos. Segundo o morador da Rua Mata-cavalos, voz que nos apresenta a personagem, o uso de superlativos só serve para alongar a falta de idéias. Mas é tempo de voltar aos três mestres anteriores e não colocar um outro. A verdade é que só vim a aprender escrever, se é que sei, com a leitura compulsiva de todos eles. Da mesma maneira que o bruxo, na literatura brasileira só há um e não é o retardado da contracultura, busquei nos vermes a minha resposta. Assim como eles não sei absolutamente nada dos textos, nem escolho o que escrevo, nem os amo ou detesto; apenas escrevo e nada mais arranquei das larvas. Ademais, admitir minha ignorância é deixar de ser ator para ser personagem, é o testemunho corrompido pelo narrador.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:12;"  &gt;Relendo essas linhas pressinto, do mesmo modo que o cego portenho, que já não escreverei mais. &lt;em&gt;"Mon siège est fait".&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-2341618803367682472?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/2341618803367682472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=2341618803367682472' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2341618803367682472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2341618803367682472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/11/alguns-mestres.html' title='Alguns Mestres'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-2660459133911539282</id><published>2008-11-22T02:07:00.001-08:00</published><updated>2008-11-22T02:23:35.044-08:00</updated><title type='text'>Passado Pesado</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Fazia cinco anos que ele não a via. Foi uma separação traumática, porém silenciosa, sem um gemido e com urros estrondosos, nos íntimos. Nem sequer se falaram nessa meia década, apenas um último olhar restou daqueles anos. Lembrou nitidamente o dia em que tudo acabou. Parecia que alguém havia retirado um tapete sob seus pés. Tudo rodopiou e ele nunca entendera a razão do fim. Os três filhos choravam compulsivamente e ela contribuia com reclamações inúteis e bastante conhecidas. Só ele silencioso. Um vulcão prestes a vomitar toda sua fúria.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Agora ela ali, na sua frente, com a boca travada e olhar fixo no pai de seus filhos. Aturdido ele não conseguia articular balbucio algum, apenas o silêncio se aprofundando. Olhava com indiferença e um certo desprezo aquela mulher envelhecida, com um sorriso opaco e olhos esmaecidos. Sensação estranha devem ter sentido nossas personagens. De inopino se perguntou como pôde ter amado tanto aquela estranha. A olhava e via uma estrangeira, uma imagem da qual não se lembrava de ter visto.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Só que a memória é traiçoeira e implacável com os sentimentos, o coração o reino da incerteza e a razão uma única lança certeira. Em um minuto todo um passado esquecido no fundo mais escuro do porão se iluminou. Subitamente quinze anos &lt;/span&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;deliberadamente &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;apagados se revelaram límpidos. Toda cena se desenrolou em um piscar de olhos. Como era apegado aos filhos. Os passeios todo final de tarde. Iam olhando e identificando as árvores. Olha papai, pitanga. Mais na frente várias mangueiras. Tinha até dois pés de graviola, sem se falar no monte de sucupira, cajuzinho do cerrado, cagaita e tantas outras árvores, com ou sem frutos. Perdera tudo e tudo abandonou. Não, agora já não têm nem árvore nem passeios, e tudo por culpa minha. Agora já não têm sonhos. Ele era a desgraça; nada lhes dei, tudo lhes tirei. Obrigado mais uma vez mestre Fuentes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Perguntou pelos filhos automaticamente, como um balconista se dirigindo ao cliente. Estavam bem e com saudades do pai. Explicou que esteve fora durante esse tempo. Nem uma notícia para seus filhos? Foi tudo muito rápido, passaporte, cartas de recomendação, arrumar lugar para deixar os livros, os quadros, os discos. Nada justifica sua falta de notícias. Parecia que tudo ia recomeçar. As cobranças, a tentativa de rédea curta, aporrinhação. Espere aí, já não somos mais casados. Estou falando de seus filhos e não de nós. Sou responsável pelas atitudes que tomo. Fiz o que achei que deveria ter feito. Foi excelente e, aliás, estou só de passagem. Volto amanhã e acho que nunca mais ponho os pés no Brasil novamente. Você sempre foi um egoísta mesmo, não vai nem ao menos ver seus filhos? Acho que não, eles não precisam de mim e eu não tenho família, sou só no mundo e assim me convém.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Dito isto, se afastou célere, sem olhar para trás, sem remorso e com um passado começando a se tornar pesado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-2660459133911539282?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/2660459133911539282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=2660459133911539282' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2660459133911539282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2660459133911539282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/11/passado-pesado.html' title='Passado Pesado'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-3864052286422157199</id><published>2008-11-19T04:44:00.001-08:00</published><updated>2008-11-19T04:44:25.530-08:00</updated><title type='text'>Sintomas</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Estava a fim de escrever uma crônica engraçada, mas as idéias andam escassas. Do meu mundinho nada falo, já que sou uma pessoa bastante desinteressante. Eis o impasse, príncipe do Cerrado. O jeito é fazer o parafuso dar uma volta ao redor do quarto. Aproveitando-me desses três grandes escribas esmiuço a casca pendendo da parede. Como se fosse escamação de pele queimada pelo sol, lascas grandes procuram a gravidade de sua queda e trombetas anunciam que é hora de partir, de procurar outro canto, outra morada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Mas a morada é em mim. O espaço apenas reflete o desleixo, a falta de sensibilidade e a ampla gaiola da servidão. Nada que revele a antiga reverência ao destino solto, sem rédeas, procurando a pradaria sem cercas. Corcel indômito fugindo das amarras, como já disse há muito tempo em um poema. Com uma ponta de desdém noto que muinto do que fui se perdeu em pouco tempo, em coisa de minutos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;E esse não sou eu. Surrupio da memória os dias em que guardava baganas embaixo de pedras, em buracos nas árvores, em cima do elevador, enfim, em várias quadras e lugares havia um reservatório para os momentos difíceis. Tamborilava o tempo em vastas camadas, em finas fatias de lassidão. Ali sim, a disposição para o embate, a luta diária do cavalo chucro dando pinotes em direção à lonjura. Hoje o palco é pequeno e a Cena Dramática vazia, sem representação e eu não sou Henry James, nem Shakespeare e muito menos Xavier de Maistre.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;As grandes indagações, as controvérsias, o discernimento entre a ilusão e o real, sugerir o que se oculta por trás das palavras, construir narrativas labirínticas, a ficção e o texto, são coisas que desconheço. Não passo de um apontador, escrivão de repartição com cheiro de mofo. Eis ao que se resume minha escrita. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;E minha metamorfose é simbólica! Toma o barco do desencanto, fenece em um instante e a terceira margem é um fantasma real. As coisas mais abomináveis de mim mesmo são apenas sintomas de meu mal-estar e doença, como me diz a volta do parafuso ao redor do quarto.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;E a crônica engraçada não saiu.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;&lt;br /&gt;				&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-3864052286422157199?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/3864052286422157199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=3864052286422157199' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3864052286422157199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3864052286422157199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/11/sintomas.html' title='Sintomas'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-8251274333745734971</id><published>2008-11-17T15:22:00.001-08:00</published><updated>2008-11-17T15:24:57.704-08:00</updated><title type='text'>Ópio e Ócio</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;O políticamente correto, a ditadura da saúde, o antitabagismo, tudo isso me aborrece profundamente. Ter que ser o que eles querem, se comportar segundo um preceito preestabelecido, pautar seu cotidiano por regras nocivas ao bom viver me parece a mais absurda das bisbilhotices. Não as quero. Jamais farei isso com meu fígado. Água seria um choque insuportável, Quincas desavisado não me pega. Esse pessoal e suas perspectivas ligeiras não suporta a felicidade alheia regada a doses generosas do mais fino destilado escocês.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Imagine só, euzinho caminhando todo dia, perdendo um tempo precioso com ruminações de um coroa chato, solitário e mal-humorado. Só de pensar já fico cansado e agastado. Antes o folgazão da mesa, o cultivo da pilhéria se esvanecendo na fumaça do cachimbo, a refrescante bobagem fresca, molhada e sorvida, gota após gota. Não me queira mal, comportado leitor, apenas a desafinação nesse acorde perfeito. O pingo para manchar, a mácula necessária. Afinal, como já disse, não falo de mim, nem do narrador. Apenas a personagem em cena.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Atravessar o oceano Atlântico de avião tornou-se uma tarefa impossível para os fumantes de plantão. Ficar horas sem um traguinho, uma barrufadazinha, um tapinha sequer. Martírio total e absoluto. O pior de tudo é ter que aguentar o ar de reprovação de um contigente cada vez maior. O cara se sente perante um tribunal do Santo Ofício. Ovelha em oferenda. Para aumentar o tormento a turba ruge, arreganha seus dentes em franca hostilidade aos que ainda ousam acender um. Pelo direito irrefutável de se regular o nível de nicotina.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os vícios são a prova inconteste do prazer humano. Desde priscas eras que há algum tipo de entorpecente nos grupos sociais. A variante está na relação desenvolvida. Uns incorporam os usos rituais, outros assumem uma postura coercitiva, algumas radicais e há, ainda, a liberação geral. Essa histéria é hipócrita e resume bem a miopia política do homem contemporâneo. Ao tomar a padronização como referência de uma política pública nego toda e qualquer diversidade, as diferenças, o diálogo. Não que eu queira ser arauto de algo, apenas o reconhecimento e o direito de minha cirrose cultivada por anos, de meu enfisema pulmonar de meu distúrbio neurológico.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sim, só sendo louco para proferir tantas bobagens, deve estar pensando meu leitor de conduta irrepreensível. Só posso lamentar. Eu, de minha parte, vou vivendo assim, nos vapores do ópio e do ócio.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-8251274333745734971?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/8251274333745734971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=8251274333745734971' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8251274333745734971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8251274333745734971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/11/pio-e-cio.html' title='Ópio e Ócio'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-2488320663305791659</id><published>2008-11-11T01:14:00.001-08:00</published><updated>2008-11-11T01:14:08.253-08:00</updated><title type='text'>Cumpleaños</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p style='text-align: right'&gt;&lt;span style='font-size:10pt'&gt;Antes de mais nada, senhor cavalheiro, lhe direi o seguinte: longos anos de preconceito nos ensinaram que podemos nos fiar somente em nossos cinco sentidos. A idéias florescem e murcham rapidamente, as recordações perdem-se, as esperanças nunca são realizadas, os sentimentos são inconstantes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: right'&gt;&lt;span style='font-size:10pt'&gt;Carlos Fuentes – &lt;strong&gt;Terra Nostra.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: right'&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman; font-size:12pt'&gt;O panamenho cosmopolita naturalizado mexicano faz oitenta anos hoje. Toda geração hispano-americana que ganhou o mundo com o chamado "realismo fantástico" a partir dos anos cincoenta foi fundamental em minha formação literária. Primeiro Borges e seus duplos labirintos me encantaram. Depois vieram muitos outros: Sarduy, Carpentier, Bioy Casares, Lezama Lima, Cabrera Infante, Paz, Juan Rulfo e o aniversariante Carlos Fuentes foi um deles. Com sua atmosfera insólita de lendas, sonhos e História o autor é tão realista que a complexidade do drama humano se despreende da razão e se torna puro fantasma, magia em seu estado mais bruto.&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;					&lt;/strong&gt;É provável que o equivocado termo realismo fantástico tenha encontrado aqui seu berço. Não simplifiquemos, senhor cavalheiro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman; font-size:12pt'&gt;A árdua batalha de usurpadores é mera revelação do que não foi dito. Longos anos de preconceitos em nossa também longa história feita de silêncio, retórica e cumplicidades. Ao desvendar o novo mundo o escriba aciona o teatro da memória, da gente da selva e aos pés do senhor recusa a racionalidade do velho mundo. Sendo assim a América é mera miragem, fantasma arrastando seus grilhões, até porque a representação da realidade nada mais é que os cinco sentidos nos dando a única prova segura de nossa existência. Somente os sentidos podem nos dotar de identidade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman; font-size:12pt'&gt;Entre a História e a ficção, a lenda. Sei que, depois de toda essa pretensa erudição, o senhor deve estar se perguntando quais as novidades em tudo isso. Por favor não me julgue com indulgência, não a mereço e a repasso para os humildes. Reconheço que trago notícias requentadas, mas não vamos brigar em dia tão nobre, já basta nossa guerra íntima. Quanto a mim, tenho cá com meus botões que não passo de um tolo pretensioso. Não creio poder sair por aí dizendo o que acho do que não conheço. Aliás, não perdi nada para ficar achando algo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman; font-size:12pt'&gt;Fuentes furta cor e sempre o mesmo. Sempre o mesmo camaleão errante na temática obsessiva explorando os limites da linguagem. As sensações mais diretas são fundamentais nessa narrativa do corpo, dos sentidos. Não por acaso o erotismo ocupa lugar nobre no universo poético de Fuentes. Como bem observado por outro mexicano, em Fuentes e Bioy Casares os fantasmas não são menos reais que o corpo. Dessa maneira a identidade se dispersa e eu me despeço desejando um FELIZ CUMPLEAÑOS, GEORGE.&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;					&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-2488320663305791659?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/2488320663305791659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=2488320663305791659' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2488320663305791659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2488320663305791659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/11/cumpleaos.html' title='Cumpleaños'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-1413779451053052842</id><published>2008-11-09T20:26:00.001-08:00</published><updated>2008-11-09T20:26:19.734-08:00</updated><title type='text'>O Dito Dito</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p style='text-align: justify'&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Pretendo contar um pedaço da história de um cabra que conheci em um butiquim pé-sujo que costumava freqüentar. Nome incerto e com uma malemolência tupiniquim bastante temperada com a cultura universal. Deixemos logo de cara registrado que o referido era de uma erudição invejável. De Bach a Elomar, o sujeito não só conhecia tudo, como cantava com uma afinação de dar inveja a Fischer-Diskau, além disso, tocava um belo violão. Aqui se faz necessário abrir um pequeno comentário:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: justify'&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Este violão foi a única coisa, fora a minha vil presença, que sobrou de minha inimiga. Ele deverá ser guardado como troféu de minha vitória.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: justify'&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Em princípio achei apenas uma peça de retórica barata e não dei muita atenção. Mas após nossa convivência íntima, mais de cinco anos, acabei por achar que entendi. Terminei por descobrir que o violão era de luthier e custava uma pequena fortuna. Não era o valor que importava. Para ele ali se escondia vinte anos de sua vida, a eterna inimiga. Segundo ele, foi o momento em que se deu a única trégua em sua luta com a inimiga.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: justify'&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Do que sua memória registrou, – primeira contradição: sabia de cor uma infinidade de músicas, textos, mapas, poemas, até artigos inteiros ele já me citou, enfim, uma memória prodigiosa – ficou uma janela aberta mostrado todo interior da casa. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: justify'&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Sabe, qual é mesmo sua graça?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: justify'&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Odaízio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: justify'&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;- Ah, sim! Odaízio na sala está todo meu resumo, a parte essencial de minha existência. E ela foi pintada com o pincel do fracasso desde o início. Bate nítido o dia, qual foi mesmo? Tinha sete anos? Seis? Cinco... em que se manifestou minha sina de sempre quebrar a obra, destruir o que construí, desfolhar a rosa cultivada com afinco e denodo durante tempos. Depois: o pavor. A sensação eterna de ter o malogro como companheiro. Graças ao meu temperamento irracional sempre consigo acabar com a mais dura armadura, aniquilo de um golpe toda sorte de salvação. Deliberadamente corro rumo ao fim, como se buscasse o bálsamo redentor de minha miséria: a morte. Pois não é exatamente a vida minha maior inimiga? &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: justify'&gt;&lt;span style='font-family:Verdana; font-size:12pt'&gt;Conforme o grau de alcoolismo, este ponto de vista sofria algumas alterações interessantes. Uma delas, talvez a mais significativa, era o fato de ele sempre fazer uma confusão, buscando uma polissemia qualquer, entre vida, Aída e ávida. Convém esclarecer que a ex-mulher dele chamava Aída, sim, com acento no i. Deste triângulo vocabular, surgia uma curiosa dialética anárquica, digamos assim, pois a cada segundo as premissas, assim como a síntese, quando havia, tomavam contornos cada vez mais imprecisos e doloridos. Agora, isso não é nada diante dos longos discursos produzidos – essa arenga, deixemos claro mais uma vez, era de uma lucidez e erudição que dificilmente se acha por aí, mesmo nos melhores salões – por sua mente corroída em um coquetel de álcool, todo tipo de tabaco, noites insones, livros, música, solidão e loucura.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-1413779451053052842?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/1413779451053052842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=1413779451053052842' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1413779451053052842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1413779451053052842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/11/o-dito-dito.html' title='O Dito Dito'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-7576764392812518237</id><published>2008-11-09T00:17:00.001-08:00</published><updated>2008-11-09T00:17:30.211-08:00</updated><title type='text'>Vir Ver a Vida</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;Houve uma ocasião, uma boa época, em que eu perambulava pelas calçadas da cidade como quem procura algo ignorado. Passado tanto tempo, continuo não sabendo o que procuro, assim como não me sinto em busca de nada. Meu escaravelho dourado jaz inerte em minha memória. Eu bem poderia encontrá-lo de novo, mas falta-me agora, mais que nunca, o ânimo de outrora, a força de antanho. É... eu poderia, mas prefiro o silêncio das profundezas marítimas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hoje tenho uma idéia fixa alagada por uma torrente de sangue esguinchando de meu coração. Sutilmente se apoderou de mim e agora me consome. Por um breve instante pensei perceber o quanto estava enganado. Mas me enganei e continuei caminhando cuidadosamente enquanto recolhia rumores vagos de minha insânia. É, é isso mesmo. Estou ficando louco. Já não jogo cueca na sala, não fumo mais, bebida nem pensar, leio meu jornal de maneira civilizada e, suprema glória, não mijo fora do vaso.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aqui, meu amigo, onde vejo alucinações, meu temperamento se excita, por muitas e nenhuma razão. Mas ainda há um outro estraho motivo para que eu creia em minha sandice. No presente caso a questão é considerar as minhas faculdades e impulsos destituidas de juizo. Os fenomenologistas podem até dizer se tratar de um sentimento irredutível e moralista. Não creio em tal leitura. Acredito que vivemos como náufragos agarrados na boía arrogante da razão.&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;				&lt;/strong&gt;A fatura das mentes analíticas é, por si mesma, mais fácil de ser protestada.&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;				&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Me viro abruptamente. Esquivo e escorregadio saio ligeiro e não noto o mecanismo sendo acionado. Meu erro! Um jogador de xadrez, por exemplo, nunca faz um lance sem saber das próximas jogadas. Nesta tarde, quando as peças estavam diferentes, com bizarras formações, notei a lenta agonia revestindo o dia e não havia variáveis. Apenas o mate se anunciando esmagador. Não há um só instante  em que não o diviso pronto e é muito possível que o intervalo entre o movimento das brancas e os poucos segundos de meu delírio, seja apenas meu senso me deixando.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estou doente, terrivelmente enfermo. Vi, com horror, a barca humana naufragar. Vi, com um sorriso cínico, o amor ser violentado. Vi, não sem comiseração, o assassinato do carinho. Não! Definitivamente não vi a vida.&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;				&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-7576764392812518237?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/7576764392812518237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=7576764392812518237' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7576764392812518237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7576764392812518237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/11/vir-ver-vida.html' title='Vir Ver a Vida'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-1500138693228348847</id><published>2008-11-05T15:12:00.001-08:00</published><updated>2008-11-05T15:12:58.363-08:00</updated><title type='text'>Pipa Voando na Maré</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;Alguns anos atrás conheci um certo médico, Dr. Plácido Barreto. Era de uma tradicional família paulista e crescera com bastante mordomia. Mas uma série de infortúnios o reduziu à miséria. Para minimizar as consequências de sua falência, deixou a cidade dos bandeirantes, terra de seus antepassados, e foi se aventurar no nordeste, fixando residência em Pipa, próximo de Natal.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pipa é bastante singular. Longas praias emolduradas por falésias imensas, escondem uma maré traiçoeira e alta, bastante alta. Com o pouco que restou de sua fortuna, comprou um belo de um terreno, construiu uma casa confortável, montou um consultório na beira da praia e ainda sobrou algum. Atendia de bermuda, camiseta leve e chinelo. Sendo uma pessoa extremamente simpática, além do fato de ser médico em um fim de mundo, apresso a esclarecer que quando ele foi para lá, Pipa não passava de um lugarejo de nativos, não essa loucura turística de hoje, não lhe foi difícil granjear uma certa popularidade. Contribuia também o fato de nunca cobrar consultas e remédios.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Passado uns dez anos após sua chegada, surge na cidade um &lt;em&gt;playboy&lt;/em&gt; conterrâneo de nosso doutor. Tendo a patroa do mesmo se sentido mal procurou o único médico existente: Dr. Plácido. Como sempre o nosso herói se encontrava em trajes pouco compatíveis para o exercício da profissão, segundo asseverou o paulista. Placidamente; não se trata de trocadilho barato, minha única leitora, o sujeito é de uma mansidão de dar sono em pé de maracujá, faz juz ao nome; o doutor disse "como queira" e foi atender a paciente.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Entretanto, o buraco era mais embaixo. O rapaz começou a dar escândalo. Não iria permitir isso, aliás onde estava o diploma, deveria estar pendurado na parede, emoldurado e passado. Com o alvoroço a pequena população da vila foi se apinhando em frente ao hospital do doutor. O consultório virou hospital e a curiosidade acirrou os ânimos de nosso ator canastrão acostumado com dramas baratos. Se vendo protagonista da cena não titubeou em carregar nas tintas. Isso aqui é caso para o Conselho de Medicina. Onde já se viu um charlatão exercendo tão nobre profissão. Será que os senhores se deixariam cuidar por alguém que nem diploma ostenta? O que diabo é isso? É de comer? Perguntou um. Deixa de ser leso homem, é de beber. Você os tenta comer mas só bebe, o homem é fino, da capital. Respondeu outro mais sabichão ainda.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Barreto, como o povo acostumou a chamá-lo, não ligou a mínima e continuou a atender a moça. Bonita, elegante e perfumosa, observou um mais galanteador, a jovem já demonstrava irritação com a atitudes de seu noivo, como se soube mais tarde. Enquanto o profissional cumpria seu juramento, o jumento continuava seu espetáculo sob os olhares curisos e atônitos dos nativos. Constatou-se uma indisposição estomacal que foi logo resolvida. Ao se restabelecer a linda moça se aproximou do rapaz e, na frente de todo mundo, tirou, sem uma palavra sequer, sua alinça da mão direita e entregou ao embasbacado paulista.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Voltando-se para o médico perguntou se não havia um quarto para alugar. Para alugar não tinha, mas teria imenso prazer em hospedar uma conterrânea. Isso seria outra estória ou o início do fim?&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-1500138693228348847?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/1500138693228348847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=1500138693228348847' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1500138693228348847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1500138693228348847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/11/pipa-voando-na-mar.html' title='Pipa Voando na Maré'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-7398494018659504522</id><published>2008-10-30T06:53:00.001-07:00</published><updated>2008-10-30T06:53:42.877-07:00</updated><title type='text'>Sereia da Tarde</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Eu, apaixonado que sou pelo belo sexo, não compactuo com essa estória de poupar. Vamos gastar que o tempo é curto. Inclusive dizem que você pode ficar maluco se não colocar para fora. Sobe prá cabeça e você fica pinel. Mesmo porque considero as mulheres, assim como certo médico de um estupendo romance, criaturas ideais e superiores. Embora eu seja um obtuso no tocante a sua natureza, esclareço que as percebo como uma encarnação do belo em sua atitude de entrega, obrigado Neruda, no fino labirinto formando imagens e na força bruta de uma tromba d´água.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Ontem estava um calor infernal, a porta do purgatório aberta e eu com uma reunião marcada no centro da cidade. Cheguei pontualmente, como é de meu feitio. Ao entrar em uma sala minúscula, sem ar condicionado e com seis mulheres, desnecessário dizer que todas belas, quase desmaiei. O cheiro de fêmea suada pairava absoluto no ar, reinava imponente em minhas narinas e um tesão louco tomou conta de minha cabeça não pensante, embevecida que estava com o aroma.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Tinha uma, pude olfatar, com uma característica própria, um timbre peculiar que lhe conferia uma animalidade toda especial. Esbelta, olhos verdes, com uma longa cabeleira loira amarrada acima da nuca, dotava o ambiente de um odor delicado, sensual e meio amadeirado. Quantos mundos não se escondiam atrás daquele sorriso, perguntei meio sem jeito, pois meu semblante denunciava todo desejo de meus poros abertos, atento ao mais insignificante gesto. "Só desbravando para saber", me disse em um quase convite. Relaxei e esqueci a filha da mãe que me deu um bolo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-size:12pt'&gt;Fiquei por ali, esperando a outra ligar para a furona. Sem perder um espaço sequer fui cercando a dona de olores imperscrutáveis. Logo combinamos um chopp ao final do expediente: o calor tava de lascar e nada melhor que um bom gole de colarinho, daqueles que deixam bigode. Finalmente consegui falar com a fonte pagadora. É foda trabalhar com amadores, a falta de compromisso me causa engulhos. Na verdade, devo gratidão à ela, pois me fez esperar e conhecer uma sereia que seria, dentre as inúmeras, mais uma grande paixão. Explico: nunca fui de ficar chorando o que passou. Paixões rodopiam em um interminável novelinho e a fila anda.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-7398494018659504522?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/7398494018659504522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=7398494018659504522' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7398494018659504522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7398494018659504522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/10/sereia-da-tarde.html' title='Sereia da Tarde'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-2608755792350249503</id><published>2008-10-28T05:51:00.001-07:00</published><updated>2008-10-28T05:51:31.468-07:00</updated><title type='text'>Genro Gringo</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;O império ruiu. O leão da metro perdeu os dentes e está com adenóides. Não passa de um gatinho manco. Minha cisma agora é outra: seu sucessor será mais perverso ainda. Na história humana os impérios se sucedem em uma lenta agonia. Façam suas apostas. Mas cuidado, a bolsa não anda nada confiável. Por outro lado, assumindo todos os riscos, coloco minhas fichas na China. Poderia até assumir um tom acadêmico e tecer considerações teoricamente fundamentadas sobre o caso. Mas deixemos de lado essas viadagens e vamos navegar na crista de meus preconceitos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nunca fui simpatizante do &lt;em&gt;American way of life&lt;/em&gt;. Me rendo ao jazz, ao cinema até meados dos anos cincoenta e poucos, pouquíssimos escritores. Ella Fitzgerald cantado Cole Porter me arrepia até a medula, Jonh Ford e sua narrativa cara-pálida faz com que me sinta uma criança encantada e Poe dispensa comentários. Essa antipatia acabou por me colocar em uma saia justíssima. Para minha desilusão tenho uma prima que se alojou na terra do tio sam e por lá casou com um ianque. Essa minha prima eu vi crescer, costumava chamá-la de filhota ou de pequerrucha e a tenho como realmente minha filha. Deixemos de delongas e vamos ao assunto.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O rapaz aportou em terras de pindorama para conhecer a família. Naturalmente fui intimado a comparecer para conhecer meu "genro". Assim que cheguei, antes mesmo de me dar um beijo e abraço para matar minha saudade, pequerrucha me puxou e disse: "olha lá, veja o que você vai falar". Naturalmente em português, respondi com um ar cínico. Ela percebeu e riu. "Não mudou nada, sempre a mesma ironia" e para minha felicidade me cobriu de beijos. Estava com saudades, eu também, enfim, as praxes costumeiras e só nós dois, o que deixou minha tia com cíumes. Só que ela não sabia se era de mim, dela ou dos dois. Gosto muito da minha tia e ela também me adora.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O fato é que ao ser apresentado ao moço não pude deixar de demonstrar um sorriso de canto de boca que toda minha família conhece muito bem. Se prepararam para o pior. A figura, grande, de um branco vermelho, pernas arqueadas e compridas era o símbolo exato do caipira estadunidense. Conversamos amenidades para desanuviar o ambiente que eu percebera procupante. Um alívio aflorou nos lábios de minha mãe e minha tia veio se intrometer em nossa conversa, estava preocupadíssima, segundo me contou mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Contudo, mais tarde, quando ele falou sobre a amazônia não pude me conter. Em perfeito inglês, para o seu espanto, pois até então estava falando um inglês sofrível, misturando gestos, frases erradas e tudo que eu tinha direito, fiz ver minha opinião sobre o assunto. Me furtarei a narrar, pois é insignificante. O gringo ficou lívido, engoliu a seco todo meu arrazoado a respeito da empáfia estadunidense. Meu irmão foi o salvador da pátria. Contou uma piada, ele sabia que eu iria rir. Era uma que eu gostava muito. Com o tempo me aproximei de meu "genro gringo", como passei a chamá-lo. Acabamos nos tornando grandes amigos e nutro uma alegria muito grande ao ver o belo casal.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-2608755792350249503?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/2608755792350249503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=2608755792350249503' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2608755792350249503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2608755792350249503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/10/genro-gringo.html' title='Genro Gringo'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-4735317415015226282</id><published>2008-10-27T03:23:00.001-07:00</published><updated>2008-10-27T03:23:43.900-07:00</updated><title type='text'>Mensagem</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Hoje vou me permitir falar do cara que coloca esse parafuso para voltear. Não, é preciso que eu me explique em primeiro lugar. Como já foi dito várias vezes, não digo de mim, nem do narrador, tampouco do autor e muito menos do poupardor, isso é lá com ele, comigo é o contrário, mas daquele que vejo: o escriba. Há em ti uma fibra romântica que você insiste em negar. Que fazer, rapaz? Ainda há pouco, ao lembrar-me de você, pensei, não sem ironia, que o momento seria bom para um bate papo. Não se assuste, sou meio como o diabo do Ivã Fiodorovitch, uma incógnita.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Você, assim como os demais, leva essa comédia muito a sério. Acaba que o sabor do humor se vai, se perde em sentimentalismos baratos e cai sempre na esparrela de malandro descolado nas artes, com regrinhas feitas e assuntos requentados. Não que eu queira me intrometer, mas escuta, desculpa-me, quero somente ajudar, não era para ser essencialmente chalaça? Aonde a veia do buteco? Faz tempo que não me deparo com um troço chamado troça. Cadê a zombaria chula de um final de domingo engarrafado? É isso mesmo, depois de horas ali sentado você olha para o lado e vé um monte de garrafa vazia na sua frente e está todo mijado de tanto rir.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Embora eu não queira, sou obrigado a confessar que ando de saco cheio dessa sua narrativa de meia pataca, dessa sua pose de literato almofadinha. Meu amigo, quero, no entanto, lhe dizer que, malgrado toda série de senões, sua escrita leva um certo futuro. Trabalhe, persevere que um dia, quem sabe, você produzirá algo grande, talvez belo. Não se amofine, até os maiores só deram o que podiam. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Veja bem o caso dessa famosa assertiva:  &lt;em&gt;Je pensee, donc je suis&lt;/em&gt;. Sempre vi a tradução como sendo Penso, logo existo. Nunca entedi. Não seria melhor, em belo brasileiro, Penso, donde sou? Mas o que isso tem a ver com minha missiva? Pois é isso meu caro, a gente vai enrolando, vai bebendo uma braminha e fuçando assunto. Não pense, absolutamente, você que o critico. Torço muito por seu teclado e tenho fé inquebrantável que irás prosseguir em sua jornada. Afinal sou seu único leitor, o que me vale ao menos uma mísera atenção.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Só para terminar gostaria de lhe dizer que você é um usuário muito fraco. Foi fácil demais te achar. Vê se cuida melhor do seu computador. Coloque ao menos um sistema de segurança. Abraços e tenha fé.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-4735317415015226282?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/4735317415015226282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=4735317415015226282' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4735317415015226282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4735317415015226282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/10/mensagem.html' title='Mensagem'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-8228012795714102501</id><published>2008-10-24T01:34:00.001-07:00</published><updated>2008-10-24T01:34:34.810-07:00</updated><title type='text'>Semeador de Brisa</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Tudo é deserto, já disse o bardo luso. Não pense, caríssima, que eu esteja angustiado, pois não estou. Apenas olho a janela e não me vejo na paisagem. O horizonte distante apenas amplia meu cubículo, masmorra construida com minhas próprias mãos. Longe, perto do horizonte, vejo uma torre de comunicação e não entendo esse mundo tão exacerbado. Quanto mais se escuta, menos se ouve. A profusão de mensagens, amores, amizades é a própria ausência de tudo. Náufrago de mim, vago a esmo em águas torrenciais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Gostaria muito de ter um amor, mas isso não foi feito para mim. O amor não é coisa que se ache por aí, distraidamente plantado em nossa frente. Acredito até, que não tive a honra de conhecê-lo. Muito se diz sobre essa entidade. Sim, algo que não se materialize não passa de um espectro, uma alucinação. Vejo loucuras sendo perpetradas em seu nome. Não creio na enxurrada de propaganda dirigida aos enamorados, não acredito nas marcas deixadas em almas tão sensíveis, em romantismo eivado de subjetividade. Senhor, dai-nos hoje a abstração imemorial de suas paixões. Náufrago de mim, vago a esmo em um mar tumultuoso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Quando muito, vislumbro uma incapacidade de se ficar só. A eterna necessidade do outro. O homem da multidão. Uma criatura singular. Vivendo no meio do turbilhão recusa-se a estar só. Eu padeço de mal contrário. Não aceito estar vadiando de lá para cá. Ruas tortuosas, gente... Tudo isso me parece melancólico demais, me aborrece e sinto engulhos. Essa terra foi um achado. Perdida no meio do nada me reconforta. Meu único elo com o burburinho humano é a antena, lá na lonjura. Náufrago de mim, vago a esmo em um rio corrente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Faz vinte anos que a única pessoa que vejo é o entregador de meus pedidos, que não é lá muita coisa, só o que não consigo produzir. Infelizmente ainda necessito do mundo para algumas coisas. Na vilazinha mais próxima, cerca de 50 léguas, me chamam de velho maluco. Talvez eu seja. Pense um pouco: qual a razão pela qual alguém se enterra vivo? Uma ânsia de solidão, um atroz sentimento de não pertencimento? Não faço a mínima idéia. O fato é que vim e fiquei. Constato que não possuo mais aquele olhar opaco, meus gestos não denotam mais uma humildade abjeta e não me vejo desolado, inexpressivo. Já não tão náufrago, vago firme em águas mansas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;O avanço dos anos... vou suportando estoicamente, até melhorei de saúde. Nunca mais tive dores no corpo. Tenho os livros fundamentais, na verdade, acabei descobrindo que a gente lê poucos livros. O essencial cabe em uma estante e só releio, sempre a mesma meia dúzia. Acho que a urbe nunca me comportou, foi um desvario do destino. Não volto mais. Apenas lamento não ter me despedido de parcas pessoas, pouquíssimas mesmo. Já em terra firme, semeio brisa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Fim.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-8228012795714102501?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/8228012795714102501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=8228012795714102501' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8228012795714102501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8228012795714102501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/10/semeador-de-brisa.html' title='Semeador de Brisa'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-8985140329921728582</id><published>2008-10-23T02:49:00.001-07:00</published><updated>2008-10-23T02:49:55.829-07:00</updated><title type='text'>A Ligeireza do Felino</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Sonho com o dia em que teremos o renascimento dos primitivos, dos românticos, dos artistas da bola. Desencantar o espírito livre do felino negro, da criação imprevista, do toque sutil desconcertando meio time adversário. O esporte bretão em terras de pindorama perdeu o encanto, o canto e o violão. Logo ele, que em um genial lance de apropriação, tornou o ludopédio o mais brasileiro dos esportes. Minha única leitora poderá arguir, aproveitando mais uma reforma na língua oficial, que os tempos eram outros, outros carnavais e outros Angenores. Mas sempre fica uma pontinha de nostalgia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Enquanto Braguinha anunciava ao mundo que tínhamos bananas, o escrete brasileiro, futuro canarinho, abria o pano do espetáculo que se anunciava ao mundo. Nascia o futebol arte. Aquele feito de lampejos impensáveis, geniais e torturantes, para o inimigo, lógico. No ano de 1938, em campos franceses, a seleção é recebida com desdém por uma Europa prestes a entrar em guerra e ciosa de sua superioridade racial. Mandamos para o velho mundo dois representantes da raça, afinal a superioridade nos esportes refletia a supremacia: o defensor e o diamante negros. Domingos da Guia, teríamos outro da Guia, e Leônidas da Silva mostraram ao tapete verde a canção malemolente do divino Cartola.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Com a argúcia da malandragem velada por bordões cheios de malícia, de uma ligeireza felina, feita de inopinos nossa alma lasciva reclama  o drible curto e dispensa os espartilhos vitorianos. Pela centésima vez, pergunto-me como, no início, com Lazaroni, quando a brisa ainda era violentamente açoitada pelos fantasistas da redonda, deixamos a arte para nos contentar com a eficiência do mercado. Bem sei que meu único leitor deitado na rede torcerá o nariz para esse textículo desbragadamente saudosista e ufanista, mas o que fazer se ando carente de samba e de futebol.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;O desenvolvimento racional, previsto, matemático do conjunto pertence ao continente da cultura e da civilização. Nós, os primitivos, circulamos em outra esfera. Transitamos em uma região onde os meios naturais, que são grandes, dispensam o método, a direção e a educação. Passes curtos e no chão revelam nossa preguiça, aumentam nossas saúvas, também loucas correndo atrás da pelota.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Assim o berço da civilização conhecia a criança da criação e os bugres dos tristes trópicos se deleitavam com uma época de ouro. Surfava-se nas ondas do rádio. Longos tubos do sambista lírico nos diziam que o baile encerrou. Nossa canção deu um lançamento digno de Gérson e fez definitivamente uma linda linha de passe, daquelas onde uma pintura não passa de uma tosca garatuja, não tanajura.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Se em 38 tivemos nossa noite de gala, vinte depois nosso candango, na copa seguinte o oscar, em 70 a coroação definitiva, em 82 os aplausos embriagados, mesmo com a derrota para a eficiência, em 90 tivemos nossa noite dos cristais. Já com Parreira, como demonstra a obra pictórica do mesmo, em 94, nos despimos da fantasia e nos travestimos com uma máscara para um carnaval que não era nosso. A final da ciência foi para a penalidade máxima. Finalmente os ímpios entenderam a matemática e nos sagramos tetra, sem nenhum brilho e com uma caricatura. Parafraseando nosso comentarista cego: os idiotas da objetividade venceram.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;O resto... bem, o resto é um rosto pálido. Uma quarta-feira cinzenta, não de cinzas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-8985140329921728582?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/8985140329921728582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=8985140329921728582' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8985140329921728582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8985140329921728582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/10/ligeireza-do-felino.html' title='A Ligeireza do Felino'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-3396213426070993056</id><published>2008-10-22T04:34:00.001-07:00</published><updated>2008-10-22T04:38:11.159-07:00</updated><title type='text'>Simião Fortunato</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;Na manhã quase sem luz Simião Fortunato percorria um longo trajeto solitário. Lembrava-se de como acordara todos esses anos feito sonâmbulo, flanando pela vida tal qual a queda calma de um folha seca. Quando acordou, Simião Fortunato notou a longa passagem do tempo, descolorindo o que acabara de ser pintado. No momento não soube perceber o significante de símbolos nunca antes vistos. Ao se olhar no espelho viu um rosto aparentemente manso, sempre com uma pontinha de sorriso. "Adoro você por causa de seu sorriso". As últimas palavras de sua mulher.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;Lembrou-se da noite em que conheceu Maia Guacamayal. Ficara deslumbrado. Dando a maior bandeira de sua adolescência desbundada. Maia, embora não fosse sequer parecida, conseguiu fazer com que Simião Fortunato despencasse de sua arrogância e a desejasse como sempre desejou Natassia Kinski, ou seria Tess? Nunca soube direito a distinção. A melhor atuação de Klaus Kinski foi na cama, gerando aquele monumento que é sua filha, costumava dizer.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;Maia não escondeu seu interesse, sua curiosidade em penetrar uma fortaleza aparentando palácios. Simião fortunato, tranquilo, estudava sua atitude dissimulada, encenando a farsa de não dar muita pelota ao fato de ter Maia ao seu lado. Olhava com indiferença a rotina do bar. Aquela vagabunda ali já comi, pensou com rancor quando viu Edwirgens passando agarrada com um jornalista que Simião Fortunato conhecia de vista. Isto fora há muito tempo! Para ser mais exato faz trinta anos. Envelheceu muito. E o que fez nestes quarenta e sete anos? Quatro filhos, como sempre desejou, um emprego ordinário que lhe rendia um salário extremamente generoso, um reconhecimento que lhe parecia excessivo e uma viuvez nunca abalada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;Todos seus amores, inclusive o curto casamento, um filho para cada ano, foram conquistados através de artíficios. É certo que artimanhas só dizem que ela é imbecil e você idiota. Assim seu passado começou a se acomodar. Uma narrativa linear, com regras elementares, personagem principal, secundários, sujeito, verbo, complemento, um mistério estrutural, enfim, uma escrita seguindo as regras da arte&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;Com Maia não foi diferente. Mas algo começou a se mover dentro, como uma esfinge com fígado de Prometeu e o seu estômago dóia terrivelmente. Assim se consumou seu casamento com Maia. Mas isso é para depois.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-3396213426070993056?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/3396213426070993056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=3396213426070993056' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3396213426070993056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3396213426070993056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/10/simio-fortunato.html' title='Simião Fortunato'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-1268163898464248639</id><published>2008-10-21T04:45:00.001-07:00</published><updated>2008-10-21T04:45:19.842-07:00</updated><title type='text'>O Vinho e a Dança</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Nos olhos dela ele redescobriu o mundo. Estava ali sua redenção, sua volta à vida. Com ela o compasso deixava de ser quadrado, se tornava mágico. Em sua companhia sentia uma malemolência rítmica que o transportava para uma dança antiga, daquelas onde o rodopio era puro prazer. De certa maneira sentiu novamente a sensação de se atirar na vida, sem pudor de ser feliz, embora com centenas, milhares de receios. Durante anos sua vida fora uma sucessão de atos prevísiveis e estivera submetido de tal modo à vida familiar que se esquecera do ritmo frenético das ruas. Havia esquecido de si. Não passava de uma pálida imagem dos outros.De um momento para outro se viu desamparado, perdido em sua estupidez pretensiosa que o havia jogado inapelavelmente nos braços da solidão. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Ela apareceu e agora, enquanto caminhava pelas quadras, só pensava em beijá-la. Sentiu também que tudo que fizesse seria bom. Ouviu com olhos de ontem o canto de uma sabiá laranjeira. Viu a fêmea no chão com dois filhotes e instintivamente procurou pelo macho. Estava no alto de um galho seco assuntando a área. O horizonte, mesmo encoberto por uma névoa seca feita de poeira e fumaça, se mostrou límpido. Tudo envolto em uma doce contemplação, um alheamento inebriante, como se tivesse fumado unzinho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Mas a fumaça se dissolveu em uma vergonha esmagadora. Lembrou-se do velho padre de sua catequese: você é um bom garoto, humilde, andando longe das tentações, evitando as más companhias. "Puta que pariu. Isso é hora para me lembrar daquele velho? Não, o mundo é outro. Procurei ser um bom garoto e só me fudi". Ou não era nítida a lembrança das porradas que tomou seguindo os preceitos dos mandamentos? "A bondade só se reconhece na base da paulada, do chicote. Mas tudo isso mudou e não vou ficar lamentando ou mesmo me indispondo com coisas inúteis, que só servem para me fuder". Concluiu enfáticamente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Ele ainda não sabia que para ela era apenas uma aventura regada a sexo. Você me ama? A pergunta saiu de sopetão e ficou perdida no ar. Ela nunca respondia, mas havia algo no beijo dela que o levava a crer em uma resposta positiva. Havia no jeito dela olhar, com um certo ar de Capitu da Prais da Glória, um amor estranho, inseguro, mas isto lhe bastava e não seria ele a "ficar como uma flor lívida e solitária". Isso já havia sido estabelecido anteriormente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;O Astro Rei ia descendo sobre a cidade que se oferecia, ao fundo, como uma fera na selva espreitando, com suas garras, o destino, quando suas hostes guerreiras se postaram para a defesa. O negócio dela era o velho mundo na veia. Você precisa ir para a Europa, ela disse uma vez. Ele indefeso, sozinho, a sentiu escapar por seus dedos. Ela nem percebeu uma lágrima escorrendo. Ela se afastava. Nada mais restava a ele senão pensar no vasto mundo, se ele se chamasse Raimundo e fosse barão, bem mais que uma rima seria uma solução.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;O principal era a certeza de que ela nunca lhe pertencera. Verbo que, em última hipótese, era a sentença escancarada de sua espada de Demócrito. Fazendo um enorme esforço reuniu o que lhe restava de razão para ordenar uma retirada célere, para, assim, salvar a fortaleza inexpugnável de sua posição. Resolução que lhe recobrou o ânimo. Muito embora às vezes a tivesse sob domínio, subjugada pelo prazer não seria bom correr o risco de uma derrota. Não foi ele que, afinal, decretou o fim da bondade?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;De resto, apenas a intuição que não pode ser confirmada: se ele soubesse esperar com humildade e contrição, talvez ela lhe viesse. É... de nada adiantaram as aulas do velho padre. No fundo ele não passa de um cristão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-1268163898464248639?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/1268163898464248639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=1268163898464248639' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1268163898464248639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1268163898464248639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/10/o-vinho-e-dana.html' title='O Vinho e a Dança'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-6354626972179976739</id><published>2008-10-20T05:42:00.001-07:00</published><updated>2008-10-20T05:42:21.297-07:00</updated><title type='text'>Servo da Morte.</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p style='text-align: right'&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman; font-size:14pt'&gt;&lt;em&gt;Como ele tem algum poder sobre vós, senão por vós? Como ousaria&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: right'&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman; font-size:14pt'&gt;&lt;em&gt;atacar-vos se não fôsseis receptadores do ladrão que vos pilha, cúmplices do assassino que vos mata, e&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: right'&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman; font-size:14pt'&gt;&lt;em&gt;traidores de vós mesmos?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: right'&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman; font-size:14pt'&gt;&lt;em&gt;Etiene de La Boitié.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: right'&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:9pt'&gt;&lt;strong&gt;Discurso da Servidão Voluntária&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style='text-align: right'&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Há várias espécies de coitadinhos. Todas me causam náuseas. No entanto, há um tipo pernicioso: o coitadinho bonzinho. Essa eterna vítima vive em uma servidão voluntária que me causa repugnância. Apenas um capacho em uma porta na qual ninguém entrará. Em sua cegueira há uma luz branca ofuscando todo desejo, há um negrume iluminando as vilanias que o tornam feliz. Com uma auto-estima baixa o pobre diabo só é feliz se alguém o achincalha.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Ao instituir uma só rainha, ou rei, o infortúnio do sujeito reside no fato de se colocar à mercê de uma senhora, ou senhor, a qual nunca será vedada a tirania. Não tento compreender, isso foge de minha alçada, mas gostaria de entender como suportar quem lhe prejudica? Enfeitiçado pelo pensamento único o servo se prosta miseralvelmente diante de seu verdugo e pede perdão. A natureza desse indíviduo é invariavelmente no sentido de diminuir seu bem-estar para aumentar o da amada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Sua falta de fibra não permitiria jamais que fosse pegar na corda do Círio de Nazaré. Note-se que, geralmente, esse ser é dúbio. Sustentar a força do mar, como os gregos, ou mesmo, a força da corda, como os fiéis nortistas, lhe é sufocante, pois o sisal é sem cio. Geralmente é dotado de uma bondade quase ilimitada, prefere não discutir, pois lhe é simpática a idéia de que o interlocutor sempre tenha razão. Dessa maneira se furta a qualquer polêmica e abraça opiniões discutíveis. A aquiescência é sua quinta essência. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;E finalmente, resta dizer uma única coisa, a liberdade lhe é estranha e confusa. Corrompidos pela obstinada vontade de servir são presas fáceis dessa doença mortal: a necessidade de uma gaiola.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-6354626972179976739?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/6354626972179976739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=6354626972179976739' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6354626972179976739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6354626972179976739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/10/servo-da-morte.html' title='Servo da Morte.'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-5314788811561882862</id><published>2008-10-10T11:50:00.001-07:00</published><updated>2008-10-10T11:53:01.805-07:00</updated><title type='text'>Último gesto</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;Ele gostava de abusar do lirismo. Frases derramando subjetividade era com ele mesmo. Não se fiava nessas novidades truncadas, fragmentadas e obscuras. Para sua pena, ainda a usa, a clareza da estória bem contada era o que contava. No fundo era um grande romântico. Sempre achei interessante sua teoria de que escritor era quem escrevia livros e não quem publicava. Por outro lado, sempre me assaltou a desconfiança de uma justificativa barata, uma desculpa de escritor fracassado. Não largava seu bloquinho de anotações.Rabiscando ditos, tecendo lacrimosas falas ia de pito em pito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;Li seu primeiro livro, "Jardins do Enlevo", em uma noite chuvosa e fria. Um caderno tosco e amarfanhado contando as agruras de um casal até seu desenlace feliz, bem no estilo novela da rede globo. Devo dizer, embora não me agrade, que sua escrita é rigorosa, poucos erros e é evidente um bom domínio da ferramenta. Bem ao contrário de certos magos charlatões. Prefiro uma literatura honesta e bem cuidada à uma cheia de promessas, receitas para o cidadão feliz, íntegro e com atentados à lingua materna.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;Por falar nisso, as garatujas do mago falastrão apontaram para o ministro da cultura, Juca Ferreira. Irritado o escrevinhador, entre irônico e sarcástico, pediu de volta o convite ao saber que o sucessor de Gil, segundo o parceiro do maluco beleza, seu amigo íntimo, não iria comparecer na feira alemã que vai homenageá-lo. Com a marca de cem milhões de livros vendidos pelo mundo, diz que "já não me interessa mais sua presença e de seus convidados. Quero apenas que me devolva o convite; será entregue ao primeiro mendigo ou desempregado que passar na porta". Palmas para o alquimista. Ao menos a ralé comerá. Atente, minha única leitora, para o tom desdenhoso e preconceituoso embutido na assertiva. A comparação é simbólica e se pode ver claramente o desdém do bicho grilo com o bicho rato.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;Voltemos ao nosso herói. Seu passado era uma incógnita e eu não ousava tocar no assunto, pois ele tinha horror do passado. Só fui entender mais tarde a razão de sua fuga. Havia abandonado sua mulher e único filho há mais de trinta anos. Em nome da liberdade, do aqui e agora, rompeu laços e não deu mais notícias. Um pouco antes de sua morte seu filho o achou. Tudo que fora minuciosamente mascarado aflorou como um vulcão em erupção. Creio até que isso tenha contribuido para seu passamento.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;O último gesto fez honra ao que fora aos meus olhos. Alegria desbragada, descompromisso com tudo, apenas o lápis frenético anotando o olhar mais vulgar. Vivera como quis: solto como um passarinho. Não morreu como viveu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-5314788811561882862?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/5314788811561882862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=5314788811561882862' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/5314788811561882862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/5314788811561882862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/10/ultimo-gesto.html' title='Último gesto'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-7822636644599013507</id><published>2008-10-08T04:54:00.001-07:00</published><updated>2008-10-08T04:54:08.194-07:00</updated><title type='text'>Outra Carta.</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Colinas do Oeste, 8 de outubro de 2008.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Meu caríssimo Gildo,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Estava discutindo com Maria as entrelinhas da Sibila, livro de uma escritora portuguesa chamada Agustina Bessa Luis e que eu detestei, quando sua carta me pegou de surpresa. Literalmente de calças na mão. Isso era lá hora de carteiro bater em sua porta? Sacanagem. Você sabe que as moças, ou musas, como queiras, que visitam esse tugúrio perdido no meio do nada são de outras artes, outras manhas. Deves ter percebido também que a feiticeira de meu interesse atende por outro nome. Desculpe-me a demora em responder, mas havia outras pelejas para o momento e você mais que ninguém sabe que jamais traio a confiança de meus companheiros de batalha. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Fiquei satisfeito ao ver que andas escrevendo. Mas que putaria é essa? Eu?  Escrever prefácio? Ficou maluco meu irmão... você é sabedor de que não escrevo uma linha sequer. Aliás, responder sua carta está sendo mais que um martírio, é, verdadeiramente, uma tarefa de Sísifo. Minha escrita, depois dessa onda de cartão, não assina mais nem cheque, não manda mais cartão com flores, pois isso é besteira e perda de tempo. Já lhe detalhei minha teoria. Poesia? Nunca imaginei... Mas taí, acho que você é mais cronista que poeta e teria um futuro promissor em nosso balcão de negócios. Não foi à toa que o convidei para vir se juntar aos inescrupulosos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;É bem verdade que em nome de nossa velha amizade curtida em cerveja, mesas fétidas, mulheres, farras, futebol, viagens e vadiagens, botei a caraminhola para trabalhar. Como não saía nada e a garrrafa de whisky já estava pela metade, resolvi te escrever essa missiva para dizer que, não me leve a mal, declino do convite e passo a bola adiante. Sugiro o Perneta, além de gostar de seus escritos ele anda com um cartaz danado com o manda-chuva. Não me leve a mal novamente, mas sabe como é... no nosso ramo a vaselinagem come solta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Percebo que me desculpo em demasia. Não lembro de ter lhe pedido uma desculpa sequer em nossa longa convivência, agora em um único parágrafo me sai duas vezes. É, meu camarada, os tempos são bicudos e outros ares sopram. Há quanto tempo não nos vemos? Quinze anos, mais... Muita coisa mudou e já não sou mais aquele moleque que curtia a vida com a ânsia de um desbravador e muito menos o adulto tolo de nossos últimos encontros. Não lhe dei ouvidos e deu no que deu. Você fez bem em se mandar. Lembro muito bem do dia em que lhe deixei no aeroporto.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;    - Meu irmão, meu brother não cometa essa loucura. Vamos nessa, lá está nosso sonho e você sabe muito bem que a Michelle tá babando por você.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;    - Não dá. Tenho que ficar. Muita gente depende de mim.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;    - Que nada, manda todo mundo prá puta que o pariu.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;    - Não posso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;    - Então é isso. Até mais, um dia a gente se vê. Não é você que vive dizendo que até as pedras se encontram? Você é um brother de fé.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;    - Valeu, você também é meu irmão &lt;em&gt;and have a nice trip&lt;/em&gt;, vai treinando viu sua anta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Lembra? Seu inglês era uma merda, agora tá até escrevendo, publicando.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Meu erro. De nada valeu a atenção e muito cara ficou minha solidão.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Abração e tenho certeza do sucesso do livro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;K.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-7822636644599013507?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/7822636644599013507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=7822636644599013507' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7822636644599013507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7822636644599013507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/10/outra-carta.html' title='Outra Carta.'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-6025642894009849587</id><published>2008-10-07T02:51:00.001-07:00</published><updated>2008-10-07T02:51:35.606-07:00</updated><title type='text'>Tabaco</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Tive como senhorias um trio de senhoras altamente sintonizadas com as coisas do mundo contemporâneo. D. Tertúlia tinha lá seus quase oitenta, D. Maricotinha uns setenta e pouco e a ninfetinha, como se autodenominava D. Emerenciana, algo por volta de sessenta e pouco. Viviam me dizendo: "Meu filho o santo das causas perdidas já não é santo Expedito, é a internet". Enquanto fui hóspede era elas quem arrumavam essa porra toda vez que dava pau. Fui até sacaneado pela ninfentinha. "Essa gurizada hoje em dia é meio burrinha, não dá conta de um defeitinho besta desse".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Me davam notícias de tudo que rolava na rede. A onda do momento são os sites de relacionamento, mais acessados que os de putaria, fui informado por D. Maricotinha. As véias falavam palavrão prá caralho. De certa maneira me tornei confidente dessas aventureiras radicais. Explico e complico: eram gamadas, como se dizia antigamente, por esportes radicais. D. Tertúlia foi a primeira. Muito antes de agora, empacou idéia em descer o Tororó de rapel. Foi o início para todas. Uma fazendo, a outra nem pestanejava em aderir, mesmo ao mais absurdo projeto. Não havia um só desses esportes que as velhinhas não haviam experimentado. As danadas até pularam de pára-quedas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;As representantes da melhor idade, olha eu sendo políticamente correto, minha única leitora há de notar a incongruência, acabaram por simpatizar comigo e passaram a prodigalizar-me com mimos, pedindo opiniões, dando conselhos e brigando comigo por causa do meu desleixo ao vestir-me. Enfim, se tornaram minha segunda mãe por inesquecíveis quatro anos. O tempo de minha permanência naquela cidade borboleta. Elas me foram indicada por meu coordenador. "Tenho certeza absoluta que vocês vão se dar bem". Fato consumado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Uma vez me levaram a Lençóis, cidade na chapada diamantina, para uma caminhada leve. Quase me mataram. Prá variar fui alvo das chacotas de ninfetinha. "Aposto que esse moleque não aguenta nem dar uma. Na nossa época os homens eram machos, não essa cambada de frouxo". Ria espalhando uma alegria imensa ao mesmo tempo em que exibia, não sem vaidade, os dentes alvos e intactos. Maricotinha, como sempre acontecia nessas ocasiões, saia em minha defesa. "Coitadinho, é aquela porra de-ar condicionado da universidade. Tá precisando de tomar um sol e dar uma trepadinha né, meu filho? Fica só estudando, dá nisso."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Confesso que valeu a pena. Depois de mais de quatro horas caminhando por trilhas precárias chegamos em umas piscinas subterrâneas que me enlouqueceram de puro êxtase. Ainda fiquei sabendo que demoramos por minha causa. Foi nesse dia que as diabas me aplicaram. Na maior naturalidade apertaram um baseado, ou melhor, uma vela. "É bom para relaxar e não há lugar mais apropriado prá fumar unzinho que no meio do mato", falou D. Tertúlia, a mais ajuizada do trio. Devido ao meu estado, embevecido é o mínimo que posso dizer, nem percebi que estava fumando maconha. Depois de ter passado a adolescência sem enconstar em um cigarro sequer, eis-me iniciado nos assuntos do tabaco via diamba.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-6025642894009849587?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/6025642894009849587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=6025642894009849587' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6025642894009849587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6025642894009849587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/10/tabaco.html' title='Tabaco'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-1685978318042997473</id><published>2008-10-03T03:57:00.001-07:00</published><updated>2008-10-03T03:57:44.658-07:00</updated><title type='text'>Milena</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Ela morreu ontem. Nem sei ao certo como foi, mas o fato é  que chegou a hora de sua decomposição. Esvaneceu no ar feito fumaça de cigarro, uma tênue névoa ondulando sensualmente diante do fim, não haveria de ser de outra maneira. Sua morte foi natural, correnteza mansa arrastando o poente solitário. Milena tinha um olhar estranho. Dissimulado e curioso percorria friamente toda sua espinha, como quem procura um pormenor revelador, uma fresta por onde penetrar seu poder malévolo. Gostava de ver os homens rastejarem aos seus pés. Todo seu prazer era servilizar seus adoradores. Feito isso, abandonava-os inapelavelmente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Creio ter sido o único a não sucumbir aos seus encantos, que eram tantos. Daí seu eterno jogo comigo. Eu, na verdade, não passava de um doce desconhecido, atiçando desejos, fantasiando o não possuido e, sobretudo, um golpe mortal em sua vaidade de fêmea devoradora, de rainha ofendida por um súdito. Só eu sei como não foi fácil resistir aos olhares lânguidos dirigidos acintosamente para mim. Ficava até meio desconcertado. Desde o início percebi que eu não poderia me envolver com ela. Seria meu fim. Algo sussurrava isso em meu ouvido.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Logo que a conheci, por volta de meus dezesete anos, revelou-se sua faceta mais cruel, isto me marcou e foi minha salvação. Estávamos embaixo do bloco, uns quinze adolescentes entre homens e mulheres, nessa época não havia essa divisão toda entre meninos e meninas, conversando potoca quando ela surgiu do nada, imponente em sua beleza, senhora altiva da cena. Fiquei simplesmente embasbacado. Nunca havia visto algo tão belo. Desnecessário dizer que ela notou o pateta aparvalhado, o que só fez aumentar meu constrangimento e me irritou profundamente. Com o olhar já descrito me fitou todo e disse, melhor, ordenou: "Acabei de me mudar e não conheço ninguém, me leva à padaria. Não sei onde fica". Não acreditei, estremeci todo e tudo rodopiou.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Evidentemente acompanhei a moça depois de recomposto do susto. Estupidificado fui feito um carneirinho rumo ao abate. Hoje penso que essa ida ao portuga da comercial foi minha redenção. Explico melhor. Sempre tive uma sensibilidade excessiva. Desde criança que sofro horrores com perdas, sobretudo as sentimentais e fui, ao longo do tempo, conforme fui tomando consciência de seu poder destrutivo, criando aparatos de absorção que me protegiam. Com ela tive a certeza de que sairia perdedor. Uma convicção inexplicável e contraditória, pois sempre fomos muito íntimos. Mas vamos aos fatos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Após ela ter comprado balas e cigarros, a moça era moderna, mas nem tanto... as balas abafavam o bafo perante os pais, sugeri irmos ao parque. Fomos. Balançamos, brincanos na roda, conversamos, vimos a lua e a beijei como nunca havia beijado ninguém. Ficamos suspensos em um tempo onde nada importa, um fiapo de eternidade que só aos adolescentes é permitido. Estava eu perdidamente envolto em sua teia até que o Febo dos cabelos de ouro deu o ar de sua graça. No dia seguinte, novamente embaixo do bloco, esperava ansiosamente sua chegada quando surgiu seus olhos luminosos que logo se tornaram trevas. Sem mais nem menos sentou ao lado do alemão, cara alto, de olho azul, bastante desbotado, diga-se de passagem, com um jeitão de galã canastrão e todo cioso de si. Parecia um pavão. Um frêmito percorreu meus lábios e não pude ver mais nada. Nem ao menos se dignou a um cumprimento. Entendi ali que eu nunca poderia ter nada com ela, seria minha ruína. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Arial; font-size:12pt'&gt;Anos depois descobrimos que nossos desejos sempre foram os mesmos. Mas já era tarde e eu estava, como desde o início, ocupado em construir um castelo onde não havia lugar para rainhas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-1685978318042997473?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/1685978318042997473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=1685978318042997473' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1685978318042997473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/1685978318042997473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/10/milena.html' title='Milena'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-675716117767821828</id><published>2008-10-02T02:16:00.001-07:00</published><updated>2008-10-02T02:16:26.808-07:00</updated><title type='text'>Ária de Kólia</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;Geralmente não gosto de personagens que revelem algo de mim, mas com Kólia Krasótkin foi diferente.  Adianto que não gostar de personagens parecidas comigo não significa receio de me reconhecer, mas simplesmente crer que eu não seja uma pessoa interessante, digna sequer de uma nota no obituário. Ao me perceber na arrogância petulante desse moleque astucioso, agradei-me profundamente de sua representação se levando a sério, em demasia eu diria. Noto como meu festim adolescente seguiu trilhas parecidas e percebo, meio aturdido, como ainda traço um compasso similar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não que eu ainda queira educar ou liderar alguém, acho que isso está muito além de minhas possibilidades, mas as atitudes de déspota esclarecido ainda charfundam em máximas proferidas com grande sapiência, com enfáticas sublinhações e coisas que a gente não entende nada. Assim como Kólia, permaneço com um amor-próprio egoísta impedindo que eu me desvencilhe do despotismo. É como a história do alemão, no mesmo trecho, jogando em nossa cara colegial os "conhecimentos nulos e uma presunção sem limites". A diferença é que hoje, aos oitenta anos, posso me dar ao luxo de não entender absolutamente nada e berrar aos quantro cantos que li e compreendi Voltaire e Bielínski. Já não sou um menino que ouviu alguém dizer. Aos reticentes provo com minha memória.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No despertar da adolescência somos poderosos, trazemos todas soluções e não nos defrontamos com patranhas, pois elas não existem. Além do que, o ridículo é uma pálida mancha que não nos faz sombra. Aliócha tinha razão: o tempo exerce grande influência nas idéias e só ele, nada mais, dota-as de personalidade, de palavras. A frivolidade é nossa companheira e tudo se resume ao desenlace de mais um lance de dados. Andamos de braços dados com o acaso. Nossas loucas aventuras são passaportes para a leviandade e o pedantismo. No entanto, são, também, o vigor, o esteio da velhice, essa ingrata senhora que vai nos subtraindo aos poucos o desejo de correr livre, feito cavalo chucro largado na campina.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hoje meus olhos possuem a reflexão soturna da noite, uma certeza calma e silenciosa, mas inflexível e cua rota não se desvia do distrate com a vida. As peripécias de outrora são apenas fogos iluminando uma janela escura da lembrança. O palco de meus golpes está sem luz, minha reputação de maluco consolidada, minhas espertezas findas e só resta uma, de negro, na platéia. Mas não é minha única leitora. A cortina se fecha.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-675716117767821828?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/675716117767821828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=675716117767821828' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/675716117767821828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/675716117767821828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/10/ria-de-klia.html' title='Ária de Kólia'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-6458657627433324475</id><published>2008-10-01T07:05:00.001-07:00</published><updated>2008-10-01T07:05:08.582-07:00</updated><title type='text'>Espólio</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;Eu, embora afetado por um ar de superioridade, sou um bom sujeito. Não dissimulo meus sentimentos e não me escondo na facilidade da hipocrisia. Não carrego culpas intransponíveis, apenas os dissabores diários de uma existência fadada a conviver. Solidão não é minha praia. Invertendo o dito comum, eu diria que é melhor estar mal acompanhado que só. Cabeça vazia é a morada do tinhoso. Só ocupando-a é que não dou trela para a tentação. E nada melhor que a confusão das ruas para distraí-la. Acredito, mais uma vez o senso comum orientando minha bússola, em minha generosidade ao perceber como as crianças gostam de mim. Não lembro de uma sequer que não tenha vindo em meu colo e aberto aquele sorriso que só um bebê pode ter.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Conheço sobretudo meus limites. Sei a medida exata do momento de se deter o tempo, as ações e a palavra. Essa última é cruel,  pois engendra monstros terríveis. Jamais ultrapassei a fronteira além da qual a vivacidade se torna intolerável. No entanto, desde priscas eras, estou sempre pronto para travessuras, quando se me apresenta uma oportunidade de bancar o malicioso, ou mesmo chamar atenção, não a perco. Cheio de amor-próprio, sempre soube ganhar a confiança de meus pares, mesmo que para isso eu tenha me valido de subterfúgios ingênuos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para muitos, sobretudo para as várias namoradas que tive, acho até que perdi muitas delas em função desse meu proceder, não passo de um insensível, frio como os rios do cerrado. Pode parecer contraditório eu não gostar de efusões, já que afirmei lá em cima não disfarçar minha emoção. Mas o fato é que elas me aborrecem e quanto mais me exigem demonstrações eloqüentes de carinho, mais me furto à elas. Não que fosse uma atitude deliberada, provinha antes de meu caráter que de meu desejo. Eles se enganam; eu sempre os amei, somente não gosto de expansões exageradas. Sempre me pareceram teatrais demais.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Contudo, um acontecimento inesperado fez com que eu mudasse completamente. De folgazão, apreciador de uma chalaça, tornei-me mais silencioso, pensativo e até um pouco taciturno. Minhas paixões, que nunca foram arrebatadoras, se tornaram excessivamente reclusas e operou-se um milagre: minhas travessuras desapareceram e surgiu um ser cruel, monstro cometendo diariamente as mesmas vilanias calorosamente abandonadas em promessas anteriores.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Absurdamente tornei-me presa do negado. Enveredei em um caminho onde eu era vítima fácil da puerilidade arrebatadora das paixões. Diante de mim desenrolava lentamente a película de minha servidão e nem percebi. Eu, que tinha aos meus pés a devoção servil dos amantes ternos, aqueles aos quais eu respondia aos seus gestos de ternura com frieza, noto que desenvolvo não sei que sensibilidade, sentimentalidade juvenil me arrastando implacavelmente rumo ao abismo. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas sou altivo e me corrijo a tempo. Não me submeto, bato-me orgulhosamente e não deixarei que minha alma sensível seja arrastada por essa ironia melévola. Não permitirei que semelhante palhaçada seja trágica. Para que o senhor veja de relance minha natureza é preciso que a mire como se fosse uma representação teatral, um número representando o fundo até onde os sentimentos podem descer.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-6458657627433324475?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/6458657627433324475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=6458657627433324475' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6458657627433324475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6458657627433324475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/10/esplio.html' title='Espólio'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-6352113768539709298</id><published>2008-09-30T06:18:00.001-07:00</published><updated>2008-09-30T06:18:30.842-07:00</updated><title type='text'>Peça Melancólica</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;Acordou, como de costume, muito cedo. Bebeu água, limpou a gaiola do canário, foi ao quintal cuidar do cão, esse era o nome do cachorro, e foi tomar banho. Todos os dias o mesmo ritual, a mesma ladainha antiga, assim como a casa. As portas gastas conheciam minuciosamente todos caminhos percorrido pela família da qual ele era o último representante. As janelas envelhecidas sabiam de cor a saga daquelas pessoas brutas, calcinadas pelo sofrimento. Corações endurecidos por tormentas violentas. O velho tinha a respiração cansada, a fadiga dos anos solitários, pois ele não daria continuidade ao drama, não seria mais um servo da morte. Resolução tomada aos quinze anos e com uma fé inquebrantável.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Permaneceu casto, intocado. Só o simples pensamento de ter relações o estremecia. Não pelo ato em si, mas pela possibilidade de gerar outro ser. Possibilidade que o atormentava profundamente. Fora testemunha dos horrores familiares e abençoava sua solidão. Lhe bastavam o canário e o cão. O convívio com as pessoas no trabalho era um martírio que ele driblava dedicando extrema concentração em suas tarefas. No exercício de seu cargo, amanuense, tornava-se ainda mais grave, tendo uma idéia exagerada de seu papel. Isso o ajudava a esquecer a podridão humana que o cercava. Uma de suas certezas, dentre as várias, aliás cumpre dizer que o velho era a própria certeza, residia na crença de ser o ser humano uma praga perniciosa.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era um homem meticuloso, escravo da ordem, dos hábitos assentados e não tolerava o mínimo deslize. Sabia confundir os interlocutores com uma certa perspicácia psicológica penetrando no íntimo mais escondido das pessoas. Não se pode dizer que era de todo ignorante, mas seu olhar, de um cinzento-opaco, bruto, de animal acuado, denunciava toda impossibilidade de amabilidades. Rogo todavia à minha única leitora que não se apresse em conclusões, como já disse aqui nesse espaço, minha narrativa não procura compreender. Não somente não tenho a intenção de clarificar, ou de ensombrecer, ou mesmo tornar flutuante, mas declaro solenemente que apenas conto o acontecido, fatos que a impaciência do narrador insiste em detalhar. Ao diabo os detalhes, como diria o pueril Mítia.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Da antiga ostentação de seus antepassados, se perdendo em tempos imemoriais, apenas a casa decaída, quase em ruínas. Retrato perfeito de sua trajetória. Agora um simples funcionário, ao fazer a barba, mirava seu rosto em um espelho quebrado. Pressentira um hálito frio em seu pescoço  - que imagenzinha gasta e frívola - que o incomodou, mas não ligou muito, seus presságios sempre foram infundados. Estranhou ainda mais ao perceber o cão imóvel. Mesmo com a idade avançado o pastor não era de ficar quieto. Caminhou lentamente, sabedor do fim, em direção ao animal e prostou-se ao seu lado. Quando deu por si, ficou devaneando longos minutos, foi conferir o que já estava estampado em sua menste. O canário estava morto e ele próprio tombou ao lado da gaiola.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com um risinho maroto a casa fustigava as janelas. Palmas para um fim melancólico de uma peça que não deixará lembranças. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-6352113768539709298?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/6352113768539709298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=6352113768539709298' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6352113768539709298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6352113768539709298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/09/pea-melanclica.html' title='Peça Melancólica'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-4350275083090055467</id><published>2008-09-25T04:30:00.001-07:00</published><updated>2008-09-25T04:30:42.057-07:00</updated><title type='text'>Sensibilidade Petrificada</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;Sou a personificação exata do ser dominante. Carrego em mim todos defeitos da raça e não trago nenhuma de suas virtudes, se é que elas existem. Para que não me tomem como perscrutador da alma humana – deixo isso para o bruxo do cosme velho e o jogador russo – esclareço logo que falo de mim, não de ti e muitos menos do poupadordeporra, esse já não me suporta mais e, como já disse antes, sou um perdulário. Toda tolice humana encontra em mim residência fixa, faz uma morada onde a beleza é injuriada constantemente. Não há um resquício de sensibilidade sequer. Em seu largo quintal a demência fincou profundas raízes, escavou largos aluviões e me deixou apenas a terra arrasada, o rio seco e, mais uma vez, a beleza injuriada.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Diferentemente do bardo gaulês, minha &lt;em&gt;cervelle étroite&lt;/em&gt; não foi herdada de meus antepassados. Creio até que meu avô deva dar pinotes no além ao ver a situação de seu neto. Mas não se fie nas aparências, minha única leitora. A fuga é a mesma. Só não me aventurei rumo continente negro. Preferi ficar próximo de minhas origens, mas com o mesmo sentimento de estar zombando da loucura. Já escancarei em crônica anterior, e eu já nem sei se sei de mim, minha incrível capacidade em destruir a possibilidade de qualquer felicidade ao mesmo tempo em que crio outra, um sopro de vida. Uma mistura louca de Ângela Prallini e o assassino de deus. Não por acaso perambulo nessas esferas: a magia e a ironia.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Deus está morto e esse textículo é um grito de ave de rapina. É a confissão de um ateu consciente de seu destino cada vez mais à margem da vida. A eternidade colada inexoravelmente em um segundo infernal, sem saida, sem esperança. Sentimentos pueris de um solitário rodeado de abismos, cercado de dores e, acima de tudo, pusilânime. Dou-me perfeitamente conta que se trata de uma mentira. Qual a razão de se colocar no plano literário o grito mesmo da vida? Por quê dar aparência de ficção à realidade? Seria conveniente a vida se travestir em literatura? Qual o sentido de vestirmos a realidade de fantasia? Do que estou falando?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tantas especulações atormentando meus nervos fragéis, minha impotência. Sofro de maneira atroz, padeço em miragens, vago em pensamentos sem refúgio, em vapores de ópio envolvendo minha visão. Sempre injuriando a beleza. Jamais pensei em deitá-la em meu colo. Coisa meio infantilóide, de tio tarado. Mas sinto que respiro um ar com muita pressão, oprimindo minha razão de ser. O fato é que já não sou mais eu mesmo, meu eu autêntico, se é que há, está em coma. Não sou nada, careço de mim mesmo.&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;				&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estou cansado, espantosamente cansado. Com certeza minha única leitora também. Deitemos ponto nessa narrativa enfadonha, sem estrutura e enfermiça. Reflexo límpido de minha sensibilidade petrificada.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-4350275083090055467?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/4350275083090055467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=4350275083090055467' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4350275083090055467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4350275083090055467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/09/sensibilidade-petrificada.html' title='Sensibilidade Petrificada'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-5204324326714653497</id><published>2008-09-23T04:43:00.001-07:00</published><updated>2008-09-23T04:52:45.811-07:00</updated><title type='text'>Vagau</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p style="text-align: right;"&gt;Para Plínio Marcos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O vagau chegou no muquifo todo jururu, mas nada disse. Entrou mudo e calado permaneceu. A nega, escolada por anos de praia, sacou que a parada era séria. Não tinha jeito, o malandro tava enrustido e nada faria com que falasse. Como o dito era da jogatina, ficou imanginando que o otário mais uma vez se fudeu na roda. A merda é que sempre sobrava prá ela e não raro fazia uma visita ao xadrez para livrar a cara do loque. Perguntar não adiantaria, o jeito era esperar, mas pelo andar da carruagem a treta não era a de costume, parecia haver algo mais no ar e barra pesada.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A mulher ficou cabreira e pelos caminhos esquisitos da cachola cavucou minhocas. Mais tarde, depois do desfecho, soube que a quizila era antiga. Tudo começou quando o Waldemar, um patrício metido a besta, deu com as fuças no rabo da Marinalva. O homem endoideceu, ficou vidrado no bagulho. Sim... bagulhão! A moça era conhecida na área como desmoralizadora do tesão. Uma vez o cabra se safou de uma justamente em função do dragão a tiracolo. Como a grana era curta os dois se meteram em um pedaço cavernoso prá mandar ver. Nas preliminares foram surpreendidos por uma rapaziada do mal. Limpeza geral. O padeiro, esqueci de dizer sua profissão e até creio ser desnecessário, foi logo dizendo:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Meu gajo, tá certo. Só vou te pedir pra tu não tocares na morena.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Ô portuga, vai tomar no cú. Não achei meu pau no lixo prá meter nessa mocréia.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Falou o Vagau. O fato é que ninguém tocou na baranga e o luso ficou achando que foi Deus. Como o portuga estava com os quatro pneus arriados era natural sua gratidão ao bom deus. Coisas desse mundão véio sem porteira. Mas deixemos isso de lado e vamos ao entrevero entre o Waldemar e o vagau. Acontece que o &lt;span&gt;&lt;span xmlns=""&gt;sarro tirado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; com o portuga o deixou puto nas calças. Marola à-toa virou tragédia. Apesar de otário, o portuga, além de ter amigos em uns puteiros escrotos, tinha a valentia dos trouxas. Ficou dias maquinando a presepada. O vagau esbarrou algumas vezes com o padeiro e nada disse, nem o gajo. Mas o olhar de além mar aterrorizou o malandro. Ficou sabendo por um dedo-duro que neguinho tava afim de apagar ele. O que o deixou nas tintas. A nega percebeu. Fazia um tempo que o homem dela tava acanhado. Quando estava assim é porque tava na maior roubada. Ela bem sabia que o vagau estava metido em muitos enguiços e fazia e acontecia no pedaço. Pressentido alguma coisa a nega encostou os caixotes na porta do mocó e foi dormir. Fez o que podia. Mas, não adiantou.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De madruga, uma rapaziada toda cheirada chegou na captura do vagau e, sem fazer a mínima cerimônia invadiram o barraco com os berros na mão. O vagou se encolheu na cama miserável e a nega se colocou diante dele. Reconheceu a curriola. Tudo vagabundo do puteiro da Maria Boa, rapaziada barra pesadíssima e sinal que a sujeira era grande. O portuga veio na frente e deu logo um tapão na orelha da nega que a estatelou no chão.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Portuga, deixa comigo. Tem uma data que tô nas grimpas com esse filho-da-puta.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Falou o manda-chuva. E, sem mais delongas, deu no gatilho. O melado desceu no rosto do vagau. Foi falar com deus. O portuga, mesmo com o malandro já arrebitado, descarregou bala no corpo. E foi assim que na madrugada do dia vinte e três de dezembro de dois mil e oito abotoaram mais um malandro. É, como diz nosso cronista maldito, mulher de vagau sabe das coisas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-5204324326714653497?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/5204324326714653497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=5204324326714653497' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/5204324326714653497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/5204324326714653497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/09/vagau.html' title='Vagau'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-498757314994682175</id><published>2008-09-18T02:17:00.001-07:00</published><updated>2008-09-18T02:17:46.409-07:00</updated><title type='text'>Paralelas</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;Expor o curso de meus pensamentos nunca foi minha pretensão. Nunca pensei ser o momento para se entrar em minha personagem; chegará a vez dela. Apenas relato causos miúdos, coisas rasteiras de uma mão inquieta, com uma agitação que se traduz em desejos estranhos e atormentados. Seria, aliás, uma temeridade eu assumir tal risco. Permaneço indiferente à minha sorte e confesso, não sem uma certa pontinha de desdém, que absolutamente não tenho o mínimo interesse pelo amanhã. Suportar a passagem do tempo já tem sido odioso.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não gostaria de submeter minha única leitora aos segredos mais penosos dessa marionete sem direção, dessa vaga sensação de que a verdade não está nela, nem em ti e muito menos nesse que vos narra. Eis que vago na paisagem ardente da cidade, onde, justamente na véspera, na presença de meus chefes, mandei rasgar um texto inteiro. Desatinos de uma alma dilacerada por representações maliciosas. Só não perdi o trabalho porque rapidamente joguei uma conversa mole qualquer e apresentei, ao final do dia, um texto supostamente muito superior. Nisso sou craque: enrolar mané.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sim, mas... Fique sabendo, meu Karmann-guia de leitores, que as tolices são fundamentais. Sem elas seríamos meros digitadores da comédia grotesca envolvendo a tragédia humana. Meu desígnio é contar-te o mais rápido possível a essência de uma lorota, é envolter-te em uma mansa conversinha que não procura compreender. Ouso mesmo supor que minha narrativa não passa de duas paralelas que jamais se encontrarão no infinito. Até penso que essa entativa de diálogo direto é rídicula e já bastante gasta. Posso ao menos me penitenciar, ao perceber seu sorrisinho maroto, de canto, como se encarnasse famoso quadro me dizendo: você é um mero contador de estória e não existe sem mim.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acreditaria que hoje escrevi apenas para ter com quem conversar? Não! Definitivamente não estou zombando de ti e não penso que minha inapetência de vida tenha algo a ver com isso. É como aquela velha estória de amar certas pessoas sem saber por quê. Eu amo o vazio, no qual talvez nunca tenha acreditado, mas que venero por hábito, como fumar. Há três meses que vivo aqui e tenho notado como o autor me observa. Se vê em seus olhos várias expectativas, todas individualizadas. Seu semblante demonstra uma certa insegurança que não condiz com seus atos e gestos. Há algo irritadiço, áspero conduzindo suas ações envilecidas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Meus parcos leitores, pergunto a mim mesmo: Quem é o narrador? A personagem? O autor? Defino assim: uma narrativa sem sofrer por não poder mais amar. Assim finalizo essa crônica mais que influenciada pelo contumaz jogador russo da alma humana.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-498757314994682175?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/498757314994682175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=498757314994682175' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/498757314994682175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/498757314994682175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/09/paralelas.html' title='Paralelas'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-137100247658504202</id><published>2008-09-17T05:09:00.001-07:00</published><updated>2008-09-17T05:09:33.491-07:00</updated><title type='text'>Notícias Baratas.</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;Três notícias me chamaram atenção essa semana. A primeira foi a moça estadunidense leiloando sua piriquita virgem pela qual almeja abocanhar a bagatela de hum milhão de doláres, a segunda foi a imensa criatividade de um alemão ao solucionar o problema de sua manguaça, o que não passa de uma mera redundância: simplesmente cedia  a mulher para o vizinho que, por sua vez, retribuia o favor na materialização divina de um engradado de cerveja. E, finalmente, a encenação da última peça de Nelson Rodrigues "A Serpente".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os três eventos se comunicam em uma louca conversa de surdos. Vejamos:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A estudante Natalie Dylan, pseudônimo naturalmente, de vinte e dois anos, nascida em San Diego, Califórnia, afirma candidamente que vive em um mundo capitalista, precisa pagar o mestrado e conta com sua moeda de comercialização, a imaculada perseguida, para que tal sonho se concretize. Interessante que os lances serão dados, sem trocadalhos, por favor, em um bordel em Nevada, onde sua irmã também abocanha, literalmente, a grana acadêmica. Trata-se efetivamente de uma das sete gatinhas perdidas na terra do tio sam. Com graduação em estudos femininos, a moça em questão decreta enfaticamente o fim do descabaçamento no banco de trás do carro, segundo um especialista consultado. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não que isso me cause estranheza, pois nos puteiros desse interior brasileiro isso é prática mais que comum e, vileza das vilezas, envolve crianças. O inusitado fica por conta do &lt;em&gt;modus operandis&lt;/em&gt; e, digamos, vá lá, da idade da moça. Ainda há virgens com duas décadas de existência! Em Tehran... Ou será que a alma mais cândida ainda creia no hímem Californiano? O veículo usado foi nossa querida rede na qual me deito. Tempos globais.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já o ariano não fez por menos: ao único lance dado a patroa foi alugada. Creio ser a consorte de nosso locatário uma baranga. Onde já se viu? Trocar a mulher por apenas uma caixa de cerveja? Acho, mesmo considerando que seja uma mocréa mor, que valeria no mínimo cinco caixas. Porra, o cara tá sacaneando o mercado. Eu, por exemplo, só empresto a patroa por no mínimo cem caixas. E olha que a véia já não ostenta a glória do passado. Apenas uma caixa?  é demais... além de depreciar o produto caseiro a cerveja tá pela hora da morte. Há casos em que o sujeito até paga umas brahminhas pra você levar a madame. Nesses casos não aconselho. Geralmente você está negociando uma bomba armada e com efeito retardado.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nosso renomado mestre, Nelson Rodrigues, nos brindou em 1978 com uma versão familiar e cristã do empréstimo sexual. Nessa tragédia carioca de um ato com fortes ares míticos, já o título nos remete ao simbólico mundo da tentação, duas irmãs, Guida e Lígia, são cúmplices em uma deliberada desobediência ao mandamento que nos rouba o paraíso da inocência. Ao comer a maçã, Lígia toma consciência da vida e da morte. "O que senti foi tudo – a vida e a morte. Agora posso viver e posso morrer". Nota isto: a fraude na qual acreditamos e é chamada de relacionamentos humanos, não é uma tragédia? E se se encontra, seja apemas uma única criatura que não compactue com isso, não é o suficiente para que se estabeleça a tragédia? Vejo que não acreditas nisso. Tá bom, deixo por menos, um drama. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É como uma estranha sensação de ansiedade indefinida e é isso que incomoda, não a sensação. Simplesmente o fato de você ser incapaz de determinar com exatidão o motivo de sua pertubação. É, também, a percepção que se instaura ao romper com tudo que o liga ao mundo e entrar em um novo caminho, desconhecido, sempre solitário, com muitas expectativas e poucas esperanças. A queda cristã é apenas um engano absurdo, aliás, a cultura cristã é um acúmulo de absurdos.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-137100247658504202?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/137100247658504202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=137100247658504202' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/137100247658504202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/137100247658504202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/09/notcias-baratas.html' title='Notícias Baratas.'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-8858941090343043056</id><published>2008-09-10T04:35:00.001-07:00</published><updated>2008-09-10T04:35:32.339-07:00</updated><title type='text'>Submissão Definitiva</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;Tive uma namorada que era um vulcão. Seu furor e curiosidade sexual não permitiam qualquer rotina. Cada dia me vinha com uma novidade, as mais alucinadas possíveis. Creio que ela ficava o tempo inteiro maquinando, pesquisando, estudando possibilidades, mesmo as mais estaparfúdias. O kama sutra era sua bíblia e ali, para ela, já não havia novidades. Inegavelmente era uma mulher e tanto na cama. Não havia interditos e tudo, desde o mais singelo carinho inocente até a mais pura sacanagem, era motivo para o prazer.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De certa feita me chegou ela com um estranho embrulho na mão que, a julgar pelo aspecto, deduzi logo se tratar de um acessório. Quando o involucro foi desfeito me deparei com um dildo imenso, devia ter uns quarenta centímetros. Conhecendo a moça como eu já conhecia tomei um susto danado. Primeiro pensei que ela estava me chamando de pinto pequeno. Desisti logo dessa idéia, pois eu, como um bom estudante de medicina, sabia muito bem que daquele tamanho se endurecesse o cara desmaiaria, se não sucumbisse de vez e, por outro lado, eu estava acima da média nacional. Depois, para um sobressalto maior ainda, imaginei que ela estaria querendo colocar aquela tromba em mim, o que me deu calafrios de pavor.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fui logo dizendo que no meu ninguém ia enfiar nada, nem dedinho. Imagina só, tudo tem limite. Se for prá introduzir isso aí no meu brioco, tô fora, continuei com a voz demonstrando todo meu terror ante a idéia que se me apresentava. Ela riu como uma criança sabedora de seu domínio sobre o parque.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Nada disso, seu bobinho. Só quero ter preenchimento total. Enquanto você mete na minha xoxotinha vai enfiando isso aí no meu cuzinho, ou vice-versa. Agora, se você quiser experimentar, não terei pudor nenhum em ir colocando pedacinho por pedacinho – disse com um sorrisinho enigmático enquanto olhava fixamente o enorme utensílio, o que só aumentou meu temor.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Que o quê... tenho um nome a zelar. Atrás de mim nem sombra. Aliás, já até brochei. Só de imaginar começo a suar frio.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Tá vendo só? Suor é sinal de desejo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Olha, acho melhor você ir embora, não estou gostando nada dessa conversinha.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Vem cá seu medroso, não vou fazer nada disso, só estou brincando para ver esse seu ar apavorado. Ainda não quero sua submissão definitiva.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não demorou muito e nos engalfinhamos um nos braços do outro. Detalhes eu deixo para o "rei". O fato é que foi com ela que começei a perceber o corpo de uma mulher. Não a mentalidade feminina, pois essa acho que nunca conseguirei entender e já desisti de tentar há muito tempo. Creio que minha estupidez não permita sequer que eu me aproxime da sutileza feminina. Penso até que seja essa, a minha tolice, a explicação mais plausível de minhas atitudes rudes. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Suas últimas palavras, "Ainda não quero sua submissão definitiva", me perseguiram implacavelmente. Aquilo não me saia da cabeça depois daquele dia. O que ela queria dizer com isso? O melhor é não esperar para compreender e sair fora. Por via das dúvidas, mesmo consciente do que estava perdendo, acabei com a farra, pois o diabo não dorme.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-8858941090343043056?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/8858941090343043056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=8858941090343043056' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8858941090343043056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/8858941090343043056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/09/submisso-definitiva.html' title='Submissão Definitiva'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-7752747291875958726</id><published>2008-09-08T02:27:00.001-07:00</published><updated>2008-09-08T03:52:17.250-07:00</updated><title type='text'>Carta.</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;M..., 6 de setembro de 1....&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Meu Crispiniano,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Podes supor como me sinto, como se encontra minha alma após sua partida. Afirmo que não sei como vivo. Saudades, cuidados de toda sorte tomam conta de meus modos. Já te contei, em uma das minhas cartas anteriores, o que o infame, covarde, o maior dos monstros fez. Logo que você partiu, espalhou que havia lhe dado uma coça violenta e que você não reagiu. Até teria pedido desculpas. Bem sei não ser de seu feitio levar desaforo para casa, impudência que até me preocupa. Não há de ser nada, alguém há de calar esse falastrão.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Meu querido, nossa filha Maria Pérpetua está vindo para a fazenda com toda família, inclusive as empregadas e a família do marido. Já viu, né? Mil coisas para arrumar. Não quero que a chata da sogra de nossa menina tenha um mínimo motivo de queixas. Com aquele arzinho esnobe pensa que só ela sabe receber. Deixe estar, um dia a lagoa há de secar jacaré. Júnior foi à cidade por precisão. O alambique quebrou e nosso estoque está baixo, não está sendo possível atender todos pedidos, até recusamos alguns. Primeiro os clientes antigos e leais, depois os outros. Aliás, a cana desse ano foi muito boa. Até separei um trecho para ampliar nossa adega particular, tudo do jeito que você faria caso estivesse aqui.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Crispiniano do coração, se me fosse possível adivinhar, eu não ficaria sem ti um dia sequer. Muitas e muitas folhas de papel serão precisas para lhe contar essa minha existência de não poder estar ao seu lado. Esse martírio que me consome lentamente. Felizmente as coisas andam boas, a produção vai bem, o animal também, o que atenua sua ausência atroz. Os meninos estão se saindo muito bem no trato com a fazenda. Também pudera, aprenderam tudo com o pai. Só o Benício não parece muito satisfeito, você sabe... o menino sempre quis ir para a cidade. Maria Emília, de quem tive notícias ontem, me pede que te diga mil coisas. Está cheia de saudades. O marido esteve aqui na fazenda ontem, com mil agrados, mas eu já o conheço bem e não me seduzo com suas bajulações mentirosas. Enfim, nossos filhos estão bem, a fazenda vai bem e não há motivos para preocupações.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Meu amantíssimo Crispiniano, vou finalizando essa dizendo-te de como o amo e como é doloroso para mim suportar mais um dia longe de ti, meu adorado. Te amo silenciosamente, como se estivesse escutando um concerto de flauta, daqueles suavíssimos. Lembra de nossos silêncios, como ficavámos a dois, juntinhos bordando um sentimento requintado se exprimindo independentemente de palavras? Você sabe disso, foi você quem me mostrou a fala do silêncio. Eu gostaria de traduzir tudo isso em palavras, mas sou tão fraca das idéias e seria uma afronta o manuseio para o ignorado. Se ao menos eu soubesse escrever um pouquinho melhor! Escrevo ao sabor da pena, falo daquilo que me vem à idéia, com a única intenção de lhe dar notícias, com o intuito final de lhe proporcionar distração.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tua, muito amante,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;"&gt;Maria.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;PS: Por amor de Deus, não se esqueça de minha recomendação para sua mãe. Fixe bem: a massa é grossa e não fina!&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-7752747291875958726?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/7752747291875958726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=7752747291875958726' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7752747291875958726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/7752747291875958726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/09/carta.html' title='Carta.'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-2500747255870012252</id><published>2008-09-07T03:06:00.001-07:00</published><updated>2008-09-07T03:09:37.954-07:00</updated><title type='text'>Sentimentos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;para Baden Powell&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tenho uma capacidade incrível de destruir tudo que há de bom em mim. Deliberadamente mato toda possibilidade de felicidade, aniquilo com um só golpe, certeiro e célere, toda e qualquer semente que brote. Esse meu proceder é antigo, se perde em regiões remotas da memória e não sei ao certo a razão que me condena a isso. Uma morbidez cultivada com denodo e afinco ao longo de décadas. Nada mais impróprio para esses tempos de felicidade em doses homeopáticas. Talvez seja essa a solução: ler algumas linhas de Paulo Coelho e sair sorrindo para todos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sinto essa estranha morbidez amplificada ao perceber que não caibo no mundo. Um estrangeiro em sua própria casa e mamãe não morreu ontem. A adaga retinindo ao sol projeta uma estranha cena, estabelece um diálogo maroto com a inapetência e tudo gira, um corpo que cai. Aguilhões perfurando a fina camada do racíocinio não explicam a razão do fracasso, sobretudo o pessoal. Nada dura. A provisoriedade desses seres brutos me causa engulhos, sua efemeridade os condena à ignorância, alimenta sua aneroxia intelectual. Não devemos crer em pessoas que confundem saber com arrogância. E nosso país do futuro não pensa que são sinônimos? Indubitavelmente não fui talhado para legitimar posturas medíocres e isso me afasta cada vez mais do convívio humano.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estar em si e para si, eis o dilema. Embora haja algo de reconfortante nessa misantropia, a solidão não é redentora. Estar só é só estar, sem almejar ser não estou e não estando não posso ser. Explico: a existência de algo só se concretiza mediante a consciência de outro. Não estando, não sou existo, pois não faço parte do repertório do outro, aquele que dá sentido à minha existência. Apenas em mim não existo senão para mim. E isso é insuficiente. Por outro lado existir é farsa, comédia indigna de ser representada e fazer parte desse ato é compactuar com um diretor maluco. Não entro em clube que me aceita como sócio. Nunca soube ao certo a autoria dessa frase, fica na conta do populário. Uns dizer ser de Oscar Wilde, outros de Groucho Marx, mas tanto se dá como se deu.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estou fadado, desde cedo, a não existir. Ser apenas uma leve lembrança na memória de minha mãe, nada mais. Um Meursault errante se recusando a acatar as regras do jogo. Talvez esteja aí a explicação para minha absurda morbidez. A incompatibilidade entre meu anseio e a realidade, entre os filhos da noite – os sonhos –  e o leito amaldiçoado de Tebas – o sofrimento. Um incômodo binário estampado em traços finos, labirintos de rendeiras suavizando a dureza do bordado.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-2500747255870012252?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/2500747255870012252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=2500747255870012252' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2500747255870012252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/2500747255870012252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/09/sentimentos.html' title='Sentimentos'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-4726922125525671221</id><published>2008-09-04T05:14:00.001-07:00</published><updated>2008-09-04T05:17:37.348-07:00</updated><title type='text'>Saída Sul</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;Era 1979 e o mundo se resumia em uma buceta. Por essa época eu era membro do grupo Carroça. Uma trupe de adolescentes descobrindo o mundo, se enrolando nas sensualidades atomizadas, uma exuberância juvenil e com uma louca curiosidade sobre os mistérios da arte. Nada que se comparasse ao prazer desenfreado de testesteronas indóceis, nervosos em sua ânsia de serem gastos. Tampouco se assemelhando ao narrador. Até creio que o narrador seja personagem inútil na cena, já que o propósito da crônica de hoje é falar sobre a gastança de porra.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sendo eu apenas a personagem, nada posso asseverar sobre os objetivos do nosso escriba mor. Apenas intuo sua desafortunada benesse, da qual falaremos mais tarde. Ainda guardo a impressão, estampada em meus olhos atônitos, do dia em que resolvemos, eu, o Lago, mais uma vez ele, e o Zé, partimos completamente duros em busca de aventuras. Desejo esse que mostrou toda sua bonomia em duas belas faces infantis. Ao sair do ensaio resolvemos tomar uma cerveja, o que era naturalmente natural. Eu tinha o equivalente a um tanque, o Zé não tinha nada e o Lago tinha algo em volta de meio tanque, que serviu para pagar a conta.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fomos ao Cafofo, lá na 407 norte, que nessa época já pertencia ao Rênio e sua mulher da qual não lembro o nome. O bar havia sido inaugurado por um outro casal de amigos, o Éder e a Tânia. Conversa vai, conversa vem, cerveja chega, cerveja sai, o Zé nos deu a idéia de irmos visitar um &lt;em&gt;staff &lt;/em&gt;inteiro de amigos recém-empossados em uma cidadezinha do Goiás na fronteira com São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Pô, o gás dá certinho prá gente ir, lá a gente azara um gás da Lili – disse o Lago.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Então está decidido. Depois dessa a gente cai na rodagem – emendou de supetão o Zé.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Beleza, vamos nessa que é bom à bessa. Só quero passar em casa para pegar mais bagulhinho, esse dá no máximo até Cristalina – disse sem saber muito bem do que se tratava, pois estava de conversinha mole com uma loirinha na mesa ao lado. Embarquei de gaiato no navio, como diz uma canção. Minha atenção estava toda voltada para as mechas de sol e essas tiveram que esperar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Lá fomos nós. Três alucinados em busca do nada, às duas da manhã, roupa do corpo, contando com a grana da Lili para voltar, fumando unzinho sem parar e com uma grande necessidade de vagar. Ao chegarmos, já anunciando a larica e azarando o café, a moçada nos recebeu maravilhosamente. O Lago e o Zé foram para a casa do Max e eu fui logo me enroscando na Lili. Relembrança de tempos anteriores. Nem bem entramos em casa e ela já foi logo me puxando.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Seu porra, cê tá cada veiz mais bunito – disse no seu minerês e me tascou um daqueles seus beijos já conhecidos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nem sei quanto tempo ficamos transando e isso porque eu estava cansado prá caralho. Dormi não, apaguei e ela foi para a prefeitura. Acordei já quase no meio da tarde com os gritos do Zé.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Acorda seu merda, lugar de dormir é em casa.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Levantei meio sonolento, zumbi sendo bombardeado por novidades.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Vamos fazer um &lt;em&gt;show&lt;/em&gt; lá nas escadas da Igreja Nossa Senhora do Rosário. Nosso pagamento vai ser a gasolina – disse o Lago.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Ah, é? E qual vai ser o repertório? – perguntei com um arzinho arrogante de quem não acreditava ser possível segurar uma hora de música com esses dois.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Porra, a gente improvisa – falou o Zé em mais um de seus rompantes.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Espera aí, vamos pensar... A gente pode tocar as músicas da peça, aquelas duas do João do Vale, aquelas três merdas do Caetano, faço duas sozinho e o resto a gente improvisa. – falei com a autoridade do violonista, compositor e cantor.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De noite estávamos lá. Aborrecentes ciosos de seu público. Quase toda cidade presente, o que, convenhamos, não era muita coisa. Ainda bem que eu era filho, neto, bisneto de mineiros e conhecia bem o repertório das modas de viola. Logo que iniciamos, com Pisa na Fulô, percebi que não ia dar certo. Foi quando ataquei uma guarânia antiga que meu avô cantava. Sucesso total. Virei para o dois e disse para irem atrás de mim e seja o que deus quiser. Meu receio maior era o Lago com sua flauta, pois o Zé era um talento imenso naquela parafernália percussiva. Tudo correu maravilhosamente bem, tocamos muito mais que uma hora e fizemos juz ao nosso pagamento.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No dia seguinte banhados, alimentados, abastecidos e já no caminho para a rodovia federal, fomos surpreendidos, eu e o Lago:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - Vamos para Ribeirão Preto? – mais uma vez a pergunta saiu com a resposta pronta.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-4726922125525671221?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/4726922125525671221/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=4726922125525671221' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4726922125525671221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/4726922125525671221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/09/sada-sul.html' title='Saída Sul'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-393668231017174747</id><published>2008-09-03T05:47:00.001-07:00</published><updated>2008-09-03T05:58:09.236-07:00</updated><title type='text'>Até Amanhã.</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;Eis que estamos aqui, perdido diante da tela em branco. Finalmente choveu. Seria um bom início se bons inícios fossem suficientes. Contudo, choveu e limpou um pouco o horizonte empoeirado de cinzas. Uma lavagem básica no foco de nossas retinas ressequidas, intumecidas pela brasa do cerrado. A longa seca rasgou de ponta a ponta o verde, amareleceu a paisagem em ipês azuis e se vestiu de rainha ao ser beijada pelo vapor saindo da terra, quente, rachada, como um solo de sax.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na estiagem o cerrado revela suas cores, mostra sua magnífica manta de água. Abre-se em um esplendor sutil, delicado e retorcido. Pequenas manchas coloridas salpicam o cinza emoldurado por um azul límpido. Uma luz renascentista se espraia longe, saliento não se tratar do distante e sim da lonjura, do pensamento. Nessa época narizes sangram uma imagem estourada, os pés atravessam idéias calcinadas e a miragem molhada do asfalto atesta nossa sede. Alguns já me julgam doido só pelo fato de eu gostar do cerrado, gostar da seca então é caso de internação, patologia desconhecida e perigosa.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mesmo os mais simpáticos ao nosso bioma, responsável por cerca de 35% da biodiversidade brasileira, sucumbem ao tempo das queimadas. Falo das naturais, pois elas são próprias do sistema, não das ateadas por mãos criminosas. O sol ao lamber ávidamente um seixo liso, ejacula sua porra no mais delicado fio de capim esturricado. Não por acaso que as bailarinas calçam grossas sapatilhas para o bailado da vida. O fogo ao destruir traz a novidade, aquela nascendo vigorosa no na aba do chuveirinho, na lobeira e sua flor roxa, no encantado sabor da cagaita, na mama-cadela, que conhecíamos na infância como chiclete-de-onça, nas canelas-de-ema, das siriemas. Para que os pouco familiarizados com os assuntos da savana brasileira não estranhem, creio ser preciso dizer que a siriema e ema são dois seres da fauna. Já a canela-de-ema é uma legítima representante da flora. Não a companheira do ex-ministro da fogueirinha de papel.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    - É melhor dar um basta e colocar ponto final nessa apologia cerratinesca. Não posso dar a mínima trela que lá vem ele com seu jeitinho de intelectual sabe-tudo se imiscuindo em searas fora de sua alçada. É insuportável sua obstinação em levar a serieadade para palcos que não a comporta. Já falei mil vezes: aqui não é academia. A mente despreocupada não necessita de exercícios que despertem sua lassidão e nosso risco do bordado é ligeiro, fácil, não suporta o peso acadêmico. Porra, caralho, será que é tão complicado assim entender, como dizem os sabichões enfatuados, o &lt;em&gt;insight &lt;/em&gt;da coisa? Tendo sido preciso me ausentar tanto nos dias que se passaram, deixei o blog na mão desse cara aí. Deu no que deu. Deixou uma semana no vazio e quando publicou... desfilou um arrazoado. Venho percebendo, desde que soltei a rédea, um certo ar esnobe nessas viadagens aí de gregos, cristão alcoólatra cheio de culpa e que tais. Até companheira o cara usou. Porra, não é mole não... A gente faz um esforço danado para ser políticamente incorreto e o distinto me sai com essa. É como aquela velha estória: a gente dá a mão neguinho já quer o braço. Ponto final, retomemos o fio da esculhambação. Até amanhã.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-393668231017174747?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/393668231017174747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=393668231017174747' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/393668231017174747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/393668231017174747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/09/at-amanh.html' title='Até Amanhã.'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-6826373610009736844</id><published>2008-09-02T03:42:00.001-07:00</published><updated>2008-09-02T03:49:13.477-07:00</updated><title type='text'>Cangibrina de Lázaro.</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;Eu, assim como os demais, sou um bêbado chato, além de depressivo. O que me confere um certo toque de individualidade, não de originalidade. Costumo desfilar um rosário de queixas, lamúrias aos borbotões. Praguejo contra meu patrão, alvo primeiro e maior, renego meu Deus, cuspo em meus privilégios e, finalmente, cago e ando com a sociabilidade. Geralmente me torno enfadonho, com um monodiscurso atroz. Repito à exaustão o mesmo bordão, samba de uma nota só desafinando a canção triste demais. Não é difícil deduzir que isso me causa embaraços, constrangimentos e uma longa fila de desafetos. Até mesmo meu espelho não me suporta. Torce o nariz, maldiz os deuses, ele é politeísta, e não compreende como divindades magnânimas deixaram tal criatura vingar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As queixas são constantes. Se ao menos eu me embebedasse uma vez por semana, mas não, é todo dia. Lá no buteco tem um cara que diz que só bebe seis meses por ano. Dia sim, dia não. Conta perfeita. Eu não conheço feriado etílico. Bebo, melhor dizendo, tomo um porre em cada dia santo. Cumpre clarificar para nosso autor, desconhecedor dos desígnios divinos, a existência de um santo para cada dia do ano. O que me torna um bebum &lt;em&gt;full time&lt;/em&gt;, feliz e torcendo pelo time. Alto lá, bom cidadão. Não pense, incorretamente, diga-se de passagem, que sou um leviano alcoólotra. Não senhor. Só bebo pinga. Cerveja é coisa de viado, pequeno burguês mascarando sua covardia. Não passam de vendilhões do templo. Não que eu não tenha dinheiro, posso encharcar o fígado com a birita que eu bem entender. Dinheiro não é problema e só trabalho para não fincar raízes na sarjeta.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O trampo me segura, mesmo considerando todas escapulidas ao longo do dia. Impõe um limite em minha sofreguidão Báquica. O que é uma grande contradição. Nunca ouvi dizer que Brômio tivesse o mínimo discernimento de fronteiras. Além de tudo tenho uma mania rídicula: fico comendo cutícula e unha o tempo inteiro, já não tenho mais dedos e meus dentes estão com  síndrome de abstinência. Penitência de um cristão pregado na cruz pesada de seu destino. Os gregos nada sabem, não passam de adoradores pecaminosos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na verdade, não passo de um beberrão e me escondo na nebulosidade mental dos pau d' água. Bem sei que minha ventura, minha redenção não está condicionada à embriaguez. Há um ser maior que vela por mim e se envergonha desse filho decaído, mas sou filho e um pai jamais abandona os seus. Embora eu não sinta nenhum sentimento de culpa, percebo em minhas ações, não muitas ao longo do dia, um certo desdém com o que meu pai professa.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A embriaguez é minha hóstia, a remissão de meus pecados e nela se vê claramente um reflexo descorado de Fiódor Pávlovitch e meu fim será ainda mais trágico. Pelas mãos do pai morrerei, seu filho pródigo que não retornou, seu rebento libertino negando o paraíso patriarcal. Esse, assim como para o pai de Áliocha, não me interessa. Não pode haver mulheres devassas no reino azul. A retidão cansa a vista e nos faz mirar um único ponto. Sangue de cristo tem poder e dele não bebo nem o vinho.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-6826373610009736844?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/6826373610009736844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=6826373610009736844' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6826373610009736844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/6826373610009736844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/09/cangibrina-de-lzaro.html' title='Cangibrina de Lázaro.'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4802884697894848087.post-3237385170468040493</id><published>2008-09-01T04:05:00.001-07:00</published><updated>2008-09-01T04:05:49.089-07:00</updated><title type='text'>A Casa Real de Tebas.</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;Minha linda e única leitora, não direi que cheguei até aqui por causa de sua benevolência para com esse pobre escriba menor, mas depois que coloquei em movimento a engrenagem dessas crônicas muitas inquietações assaltaram meu espírito. Dizia ele assim: - Maldito, qual a razão de ir com tanta pressa para o cadafalso? Miserável, então tens receio do futuro e queres voltar? Dessa maneira minha jornada, com um caminho curto, se torna longa. Falo apenas do que me diz respeito, não serei eu a proferir coisas alheias, isso eu deixo para o narrador.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Então porque hesitas? &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Me pergunta, com um arzinho cínico. Questão mortal para quem tem a língua travada, a pena calada. Hesito ao perceber o engenho sutil surgido no interior dessas crônicas, levando-as para além do esperado. Vacilo ao notar opinões enfáticas, oscilo ao sacar a tentativa de Erínia em cumprir seu desígnio. Mas meus crimes de sangue é a própria desobediência, o que a torna personagem fora de foco. A tibieza nasce de uma visão única. Um só modo de ver revela apenas o oco. Ao nos julgarmos únicos, donos de argumentações mais sólidas que os demais, ou ao pensarmos ter um espírito incomum, como nenhum outro, nos mostramos nus em nosso palco vazio. Não que eu esteja fazendo uma apologia ao servilismo humilde e pusilânime. Ao contrário. Uma alma nobre, ao se confrontar com a injustiça, não se conforma com a obediência cega e burra.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Há muito vi a filha de Édipo, nascida de um leito amaldiçoado e causador de doloroso desgosto, ser conduzida ainda viva ao sepulcro, sem esponsais, sem himeneu e sem tálamo. Sempre os dramas familiares trazendo trevas clamando por vingança. Às vezes penso ser uma mera marionete nas mãos de divindades perversas fiando meu destino. Não que eu seja um Labdácido, mas a história da casa real de Tebas me toca. A proibição divina de descendência é meu grande argumento para não ter filhos. Acredita você, minha única leitora, que isso me atormenta? Não, você não crê, vejo em seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Meu destino trágico não será traçado com rezas, nem com coros, nem será fios em uma mão invisível. A bela desgraça se aproximando traz a certeza da vilania e não é nenhum conto das Mil e Uma Noites. Até o dedo mindinho de meu pé bichado sabe a sinopse. O narrador mais uma vez exibe em seus lábios trêmulos aquele arzinho cínico. Parece até que vai ter uma crise de epilepsia. Acho melhor parar, senão o cara vai ter um troço.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4802884697894848087-3237385170468040493?l=poupadordeporra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/feeds/3237385170468040493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4802884697894848087&amp;postID=3237385170468040493' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3237385170468040493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4802884697894848087/posts/default/3237385170468040493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poupadordeporra.blogspot.com/2008/09/casa-real-de-tebas.html' title='A Casa Real de Tebas.'/><author><name>poupadordeporra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07731394948381390345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://4.bp.blogspot.com/_Bf2oIIu9QK8/StfE-YwdrII/AAAAAAAAABY/B7JLorb9BcM/S220/hpqscan0001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
